Livros com cafeína

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Desde sempre que a atividade literária está intimamente ligada aos cafés. Fernando Pessoa lia e escrevia no Martinho da Arcada, José Cardoso Pires era frequentador assíduo do British Bar e foi lá que recebeu inspiração para as muitas páginas que escreveu. Como eles, tantos outros escritores deram uso à mesa de café, tomando o ambiente em volta como fonte de inspiração. Hoje, de norte a sul, são vários os cafés, bares e livrarias que ainda não se renderam à era dos tablets e e-readers e continuam a ter os livros como parte integrante da mobília e do conceito.

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Outros cafés com livros


 Palavra de Viajante

Terça a sábado, 10h-19h
Rua de São Bento, 30 – Lisboa


 Ler Devagar

Segunda, 12h-21h; terça a quinta, 12h-0h;
sexta e sábado, 12h-2h; domingo 11h-21h

LX Factory, Rua Rodrigues Faria, 103 – G 0.3 – Lisboa


Gato Vadio

Quinta a domingo, 17h-0h
Rua do Rosário, 281 – Porto


Casa do Livro

Domingo a quinta, 21h-3h; sexta e sábado, 21h-4h
Rua Galeria de Paris, 85 Porto

 

Lápis de Memórias

É um café, mas também uma livraria e até uma editora, um lugar único na cidade de Coimbra, criado em sintonia com a cultura da região. Na Lápis de Memória bebe-se café entre livros, mas também entre autores, ou não fossem habituais as presenças de nomes de referência da literatura nacional em apresentações, lançamentos, encontros e debates. O espaço é amplo, circundado por estantes onde o livro é o protagonista – embora também se vendam álbuns de música. Já nas zonas lounge, a estrela é mesmo o café.

Segunda a sexta, 9h-19h; sábado, 9h-13h Av. Fernão Magalhães, 403 – Coimbra


Fonte de Letras

Fica em Évora e é um espaço de cultura verdadeiramente multifacetado. Por um lado, funciona como livraria diversificada, onde as principais novidades editoriais convivem com obras de cariz mais alternativo; por outro, é cenário privilegiado para exposições e apresentações de várias artes; é ainda palco de concertos, mais animados ou mais intimistas. O melhor, no entanto, é mesmo a possibilidade de saborear um café – ou um chá, ou um copo de vinho – e comer um lanche enquanto se aprecia tudo isto.

Segunda a sexta, 10h-19h; sábado, 10h-18h Rua 5 de Outubro, 51 – Évora


Tasca Mastai

É também em Lisboa que encontramos a recente Tasca Mastai, um bar repleto de livros, mas desta vez a escolha recai sobre a banda desenhada.

Abriu no final de novembro e, segundo Massimiliano, um dos proprietários, a ideia veio de Itália. “Gostamos muito de Lisboa e decidimos vir para cá e trazer connosco o conceito de um bar que tivemos em Itália.” O nome Mastai é uma homenagem a um pintor amigo que morreu há alguns anos. E porquê a escolha de banda desenhada? Porque desde criança que Massimiliano adora esta forma artística e a escolha reside na banda desenhada alternativa portuguesa e italiana. “Gostamos muito do que é novo e não é clássico, do alternativo e das pequenas novas editoras. Há pessoas que vêm cá de propósito para se sentarem com a banda desenhada, almoçar uma refeição vegetariana e beber um dos nossos cocktails.”

Segunda, 13h-23h; terça a domingo, 11h-23h Rua da Rosa, 14-A – Lisboa


Centésima Página

O périplo continuou em direção ao Minho e foi em Braga, na Livraria Centésima Página, que descobrimos um edifício barroco, a Casa Rolão, exemplo da arquitetura do século xviii. “Havia uma vontade de abrir este espaço ao público e foi o que fizemos”, contou Sofia Afonso, uma das proprietárias.

O café, no interior da livraria, tornou-se indispensável: “As pessoas vêm ler, ‘cuscar’, almoçar, consultar o jornal, reunir.” Enfim, tudo o que um espaço de sociabilidade pode permitir. Por vezes pedem livros, e vão até ao café para folheá-los e perceber se vão ou não fazer parte da biblioteca pessoal.

A Centésima Página já faz parte dos guias turísticos, saiu no The Guardian, Monocle e, além da boa seleção de livros de que dispõe, também organiza exposições no interior da livraria. Nas montras não existem livros mas sim exposições temáticas de fotografia, pintura, escultura, instalação ou artesanato urbano. “Já chegámos inclusive a fazer uma instalação no jardim e na fachada da livraria.”

Segunda a sábado, 9h-19h30 Casa Rolão, Avenida Central, 118-120 – Braga


Pois, Café

É no coração de Alfama que encontramos o Pois Café. Na sua alma está presente o conceito austríaco dado por uma das proprietárias, Verena Frida, que nos revelou na altura – há 10 anos – não existir nada semelhante em Lisboa. “Faltava um espaço para tomar o pequeno- -almoço ou brunch e sentar a folhear uma revista ou um livro.” Hoje, além de chegarem, dirigirem-se à “biblioteca” e retiram a obra que mais lhes apetece ler no momento, também é possível fazer book crossing. Os livros podem também ser comprados: “Temos uma balança onde pesamos o livro e o preço é avaliado consoante o peso. Cada 100 gramas, 50 cêntimos. O dinheiro reverte para os Médicos Sem Fronteiras.” Na recente esplanada, além de pôr a leitura em dia, é possível tomar o pequeno-almoço, almoçar, fazer um brunch, jantar; existe ainda a hora dos bolos. Estamos na nossa sala de estar, num sofá que nos proporciona uma leitura confortável, lado a lado com sobremesas que enaltecem o prazer das histórias.

Segunda, 13h-23h, terça a domingo, 11h-23h Rua de São João da Praça, 93 e 95 – Lisboa


Candelabro

Chegamos e nas mesas, que não são muitas, três portáteis ligados. Noutras, páginas de livros entreabertas convidam à leitura. Falamos com Mariana Lemos, amiga e colaboradora do Candelabro, um espaço que existe no Porto há cinco anos. Os livros fazem parte deste café que foi outrora um alfarrabista bastante conhecido, o Candelabro, e cujo nome decidiram manter. Os proprietários são pessoas muito interessadas em literatura, arte e cinema, sendo um deles licenciado em Escultura.

O público é muito heterogéneo e vai de alunos da escola profissional em frente a turistas e clientes fiéis. As montras “são organizadas por um dos donos, que além de escultura estudou vitrinismo” e leva muitos curiosos a apreciarem as composições de discos, livros, revistas antigas, objetos vintage e “space age”. Os livros que estão no interior fazem parte da coleção dos proprietários e têm muitas vezes que descer as escadas para irem parar às mãos de clientes curiosos por temas como arte, cinema, fotografia e arquitetura. Um espaço de culto, situado no centro da cidade, onde se vive um ambiente que oscila entre o descontraído, o intelectual e o colecionador.

Segunda a sábado, 10h-2h, terça a domingo, 11h-23h Rua de Cedofeita, 471 – Porto


Por Elsa Garcia

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