Ler pela primeira vez: Paul Auster

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Tido por muitos como um potencial vencedor do Prémio Nobel de Literatura, Paul Auster conta já na bagagem com vários bestsellers. Acabado de completar sete décadas de vida, é romancista, poeta e ensaísta. Uma obra com um universo muito próprio que não deixa ninguém indiferente. Vem conhecê-lo.

Cidade de Vidro

 

Mr Vertigo

 

A Musica do Acaso

 

A Noite do Oráculo

 

Inventar a Solidão

 

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Todo o trabalho de Paul Auster é escrito sem medos. Tanto aborda temas mais íntimos e pessoais, como conta histórias de solidão, angústia e crises de identidade. Para os relatar, cria personagens curiosas ou usa-se a si próprio, sem filtros ou pudores. Para o autor, a escrita é física e a relação entre a mente e o corpo está sempre presente.

O mais emblemático

A Trilogia de Nova Iorque foi a obra que tornou Paul Auster famoso. O livro é constituído por três romances – Cidade de Vidro, Fantasmas e O Quarto Fechado à Chave –, histórias policiais focadas numa única questão: identidade. A paixão do autor por este tema faz dele um mestre dos mistérios e dos enredos complexos.

A Trilogia de Nova Iorque é, assim, uma obra repleta de acontecimentos inusitados, bem como de personagens com comportamentos imprevisíveis e autodestrutivos, como é exemplo Daniel Quinn, um protagonista que utiliza o pseudónimo de William Wilson, mas que também é, em simultâneo, o detetive Paul Auster. Uma narrativa louca, mas também das mais fascinantes na obra do autor.

Outras ficções

Mas nem só de obras complexas como A Trilogia de Nova Iorque se faz Paul Auster. Existem também enredos mais simples e lineares que podem servir de apresentação perfeita a quem ainda não o conhece. Exemplos disso são Mr. Vertigo e A Música do Acaso.

O primeiro é uma história redigida na primeira pessoa, que conta a vida de Walter Claireborne Rawley, um órfão resgatado das ruas por um judeu húngaro que o promete ensinar a voar. Quanto ao segundo, relata a vida de Jim Nashe, um bombeiro que perde o pai e é abandonado pela mulher. Tudo o que lhe resta é uma herança e uma profunda solidão, mas opta por seguir em frente, rumo ao desconhecido e atrás de um sonho.

Existe ainda A Noite do Oráculo, um exercício narrativo com histórias dentro de histórias, focado na procura de sentido para a vida e misturando o real com a ficção. Nesta obra, o tempo e a lógica diminuem-se perante o acaso, que é o grande condutor do enredo.

Exercícios autobiográficos

Outro formato legítimo para uma introdução a Paul Auster é a autobiografia. E foram muitas as que o autor escreveu. Um bom exemplo é Inventar a Solidão, que nos transporta para a realidade de uma rotina familiar difícil, recordações de infância e expectativas nem sempre correspondidas.

Os talentos de Auster são aqui aplicados numa combinação de prosa, poesia e também crítica, já que são inseridos comentários sobre literatura, filosofia e pintura em conjunto com relatos de recordações pessoais.

O mais recente

Depois de Sunset Park, em 2010, e de sete anos desaparecido da ribalta literária, 4, 3, 2, 1 é o mais recente trabalho de Paul Auster. Com esta nova obra, mais extensa do que as habituais, também regressa a temática da escolhas de vida. Auster conduz o leitor para o campo das probabilidades, dando a conhecer a história de Archibald Isaac Ferguson, e dos quatro diferentes percursos de vida que leva. É um enredo que nos faz refletir e questionar: “Como seria a minha vida se tivesse feito algo de outra maneira?”


Por: Ana Beatriz Oliveira

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