Ler pela primeira vez: Literatura sulista dos Estados Unidos

Rica em reflexões, crítica social e temas relevantes para o sul dos EUA, a literatura sulista é uma ferramenta essencial para compreender a região e o país como um todo.

Regra geral, a literatura sulista aborda temáticas daquela região ou é escrita por autores dos estados do sul dos EUA. Mais do que isso, este género de literatura aborda a realidade de uma região que foi sempre associada ao Movimento pelos Direitos Civis, com tudo o que isso significa – o estigma do racismo, da pobreza e da iliteracia. Mas isso não impediu que sejam muitos os escritores (poetas, romancistas, entre outros) da região reconhecidos a nível mundial. Estes autores quase revelam um sentimento único, focando temas como a história da região, a família como pilar estruturante das personalidades dos indivíduos, as tensões raciais, a busca pela justiça, entre outros. De contos a romances, a literatura sulista dos EUA tem uma extensa variedade de autores.

Para começar 

No seguimento do clássico As Aventuras de Tom Sawyer, Mark Twain aventurou-se na escrita daquele que é considerado um dos melhores exemplos de literatura sulista americana, As Aventuras de Huckleberry Finn. Este romance debruça-se sobre as aventuras de Huckberry Finn e do escravo Jim ao longo do rio Mississippi, com um destino final: Missouri. O livro é polémico e, nos EUA, é considerado por alguns uma obra racista, uma vez que Jim é sempre descrito como um indivíduo ignorante. São páginas que deixam transparecer o dialeto sulista sem qualquer filtro.

Outra opção é A Noite da Iguana e Outras Histórias, de Tennessee Williams, uma compilação de contos através dos quais o autor explora a procura de identidade por parte das personagens envolvidas. Todas as crianças dos contos passam por situações cruéis. Este livro deu origem ao filme de John Huston, A Noite de Iguana.

Os clássicos

Falar de literatura sulista seria impossível sem referir Harper Lee e o seu clássico Mataram a Cotovia. Esta obra deu um Pulitzer à escritora em 1961 e foi, durante muito tempo, o seu único livro. Em 2015 lança a sequela Vai e Põe Uma Sentinela, que seria também o seu último livro antes de morrer, no passado dia 19 de fevereiro. Mataram a Cotovia desenrola-se nos anos da Grande Depressão e conta a história de um advogado que aceita defender em tribunal um jovem negro acusado de violar uma jovem branca.

Publicado originalmente em 1936, Absalão, Absalão!, de William Faulkner, é um dos mais conceituados romances do século XX. A história passa-se durante e após a Guerra Civil Americana e relata a história de vida de Thomas Sutpen, inspirado pela Comédia Humana de Balzac.

Para os amantes de política, o livro Todos os Homens do Rei, de Robert Penn Warren, é também um dos romances imperdíveis deste tipo de literatura. Inspirado na vida real do político Huey P. Long, a obra deu ao autor o primeiro de três Pulitzer, em 1946.

Os contemporâneos 

Deixando os clássicos e olhando para a escrita sulista mais atual, encontramos O Filho, de Philipp Meyer. Uma história de poder, sangue, terra e petróleo passada em pleno Oeste americano, que percorre várias gerações de uma família durante mais de cem anos. A história desta família é também a história de um país, através da qual Meyer descreve os mecanismos de ascensão e queda de um império económico. Uma história tão antiga quanto atual.

No Coração da Tempestade valeu a Jesmyn Ward o National Book Award em 2011. O livro acompanha a história de uma família durante duas semanas na altura do Furacão Katrina. Uma família sem mãe e cujo pai se encontra ausente. São páginas de sobrevivência, de luta e de esperança que Jesmyn Ward quis que ficassem para sempre na história da literatura sulista.


Por: Catarina Sousa

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