Ler pela primeira vez: Ficção Científica

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É um género de ideias complexas e por vezes visionárias, no entanto muitas pessoas continuam teimosamente a resistir-lhe. Saiba por onde começar se pretende arriscar-se no admirável mundo da ficção científica.

Existem os que temem a complexidade científica dos enredos e os que, por outro lado, consideram que o género é sinónimo de ficção melodramática e de fraca qualidade. São vários os estigmas que pairam sobre a ficção científica, ao ponto de muitos potenciais leitores recearem experimentá-la. No entanto, a verdade é que o género é um dos mais diversificados da literatura. Há livros para todos os gostos. Basta saber encontrá-los.

Os intermédios 

Uma boa estratégia para dar os primeiros passos na ficção científica é começar por livros de autores que não se enquadram inteiramente no género. É o caso de Kurt Vonnegut, cuja obra incorpora com frequência elementos científicos mas não se deixa limitar pelas rotas habituais deste tipo de ficção. O autor americano chegou inclusive a criticar aqueles que teimavam em encaixar as suas histórias num único género: “Persiste o sentimento de que ninguém pode simultaneamente ser um escritor respeitável e compreender como funciona um frigorífico”. Matadouro Cinco e Cama de Gato são algumas das suas obras que permitem uma entrada gradual na ficção científica. Outras hipóteses, na mesma lógica, são A História de Uma Serva, de Margaret Atwood, ou Nunca Me Deixes, de Kazuo Ishiguro.

Os clássicos 

Outra porta de entrada natural para o mundo da ficção científica são os clássicos. H. G. Wells será possivelmente o mais acessível dos escritores da velha guarda, com obras como A Guerra dos Mundos a pintarem realidades universalmente reconhecíveis. Do Androids Dream of Electric Sheep, de Philip K. Dick, centrado na perseguição de um grupo de androides por parte de um caçador de recompensas que não está seguro do que significa realmente ser humano, é outra alternativa de qualidade abordada de forma acessível. Para algo completamente diferente, existe ainda À Boleia Pela Galáxia, o primeiro de uma série de livros de culto escritos por Douglas Adams que utiliza o humor para transpor todas as fronteiras do género.

Os contemporâneos 

Embora tenha experienciado o seu período áureo nas décadas de 1940 e 1950, continuam a ser publicadas obras de referência na ficção científica. Um dos mais recentes exemplos é o de O Marciano, de Andy Weir, a história de uma desastrosa missão a Marte e da desesperada luta de um astronauta para sobreviver no planeta vermelho. Outra possibilidade é A Guerra é Para os Velhos, de John Scalzi, uma obra de ficção científica militar sobre um homem de 75 anos que se alista no exército para combater raças alienígenas. Embora a premissa possa, à primeira vista, erguer alguns sobrolhos entre quem nunca leu ficção científica, a história é narrada de forma apelativa e compreensível. Uma leitura viciante enquanto se prepara para autores tão complexos como Greg Egan, Poul Anderson ou Samuel R. Delaney.


Por: Tiago Matos

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