Ler pela primeira vez: Agatha Christie

O-Misterioso-Caso-de-Styles

Crime-no-Vicariato

O-Assassinato-de-Roger-Ackroyd

Um-Crime-no-Expresso-do-Oriente

Os-Crimes-do-ABC

Morte-no-Nilo

As-Dez-Figuras-Negras

Com mais de dois mil milhões de livros vendidos, Agatha Christie não será um nome desconhecido para quase ninguém. Poderá, no entanto, existir quem ainda não tenha experimentado nenhum dos seus policiais. Impõe-se nestes casos a questão: por onde começar?

São, ao todo, 66 romances policiais e 14 antologias, já para não falar das esporádicas colaborações com outros autores, das peças escritas para teatro e dos seis romances não policiais publicados sob o pseudónimo de Mary Westmacott. Com tantos livros por onde escolher, é fácil um potencial interessado em Agatha Christie sentir-se perdido, sem saber que obra melhor servirá de iniciação à autora. A mais óbvia das estratégias é começar pelo princípio.

O Misterioso Caso de Styles. É este o título do livro que viu nascer Hercule Poirot, o mais célebre investigador da Rainha do Crime e também um dos mais populares personagens fictícios de sempre. Para fugir da Primeira Guerra Mundial, o sempre aprumado belga de bigode retorcido muda-se para Inglaterra, onde é ajudado por uma viúva endinheirada. Quando esta mulher é assassinada, Poirot assume a missão de descobrir o culpado. O primeiro livro de Agatha Christie ainda deixa algumas arestas por limar no personagem que a acompanhará por toda a vida, mas é uma leitura entusiasmante e um ponto perfeito para a iniciação à sua obra.

Talvez prefiras, contudo, começar pela segunda personagem mais famosa da escritora britânica, a sempre subestimada Miss Marple. As diferenças para com Poirot não podiam ser maiores: enquanto o belga é marcadamente excêntrico e adora exibir os seus talentos dedutivos (“as pequenas células cinzentas”, como costuma dizer), Marple é uma velhota comum que parece resolver mistérios apenas para ocupar o muito tempo que tem livre. Embora Agatha Christie tenha começado por a utilizar em contos, logo a achou suficientemente interessante para lhe dedicar romances inteiros, fazendo-lhe a devida introdução em Crime no Vicariato.


Os mais emblemáticos 

Mas talvez não consideres que a ordem cronológica é o melhor critério de escolha para entrares no misterioso universo de Agatha Christie. Porque não optar então por começar com os melhores – ou pelo menos com os mais emblemáticos – romances policiais da autora?

À cabeça vem de imediato O Assassinato de Roger Ackroyd, porventura o livro que mais contribuiu para que a escritora britânica se tornasse um caso sério de popularidade. Considerado por muitos um dos mais geniais mistérios de Christie, é ainda hoje tido como um dos incontornáveis marcos da literatura policial.

Outro título que merece este destaque é Um Crime no Expresso do Oriente, uma intricada história de vingança que se desenrola quase inteiramente num comboio, centrada no assassinato de um homem detestável. E que foi baseada num caso real.

O protagonista em ambos os casos é Hercule Poirot, inegavelmente o investigador a quem Christie atribuiu os casos mais complexos. Também é ele que assume o leme no deliciosamente enganador Os Crimes do ABC, que levou o Times a escrever que “se a Sra. Christie alguma vez trocar a ficção pelo crime será muito perigosa”, e em Morte no Nilo, uma das muitas obras que Christie situou em locais exóticos, mais concretamente no Egito.


O policial sem detetives 

Não obstante todas estas sugestões, uma introdução à obra de Agatha Christie não está completa sem a leitura daquela que talvez seja a sua obra-prima: As Dez Figuras Negras.

Este policial sem detetives – não inclui Poirot, Marple ou qualquer dos outros investigadores habituais de Christie – é um dos livros mais vendidos de todos os tempos (mais de 100 milhões de exemplares) e também um dos mais influentes.

A narrativa abre com a chegada de dez pessoas a uma ilha inabitada na qual existe apenas uma mansão. Rapidamente se apercebem que foram lá chamados sob falsos pretextos, mas uma mensagem deixada num gramofone explica a verdadeira razão da convocatória: são todos pecadores e terão de pagar pelos males que fizeram. Eis que um dos convidados morre envenenado e, em simultâneo, desaparece uma das dez estatuetas negras expostas na sala. Parece-lhes evidente que o culpado se encontra no grupo. Resta saber quem é.

Originalmente publicado em 1939, o romance é bem demonstrativo não só do talento na construção de enredos mas da capacidade que Agatha Christie tinha em dosear informação e controlar ritmos de leitura no seu “jogo” com o leitor. É, por isso, uma das mais elucidativas opções para ler a autora pela primeira vez.


Por: Tiago Matos
Por: Facebook “Agatha Christie”

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