É a ler que a gente prepara o Web Summit

web-summit-revista-estante-fnac

Em vésperas da estreia em Lisboa, o maior evento de empreendedorismo e tecnologia do mundo exige preparação. Sabe o que deves ler antes de começares a marcar reuniões.

Números e nomes do
Web Summit 2016

20 conferências numa. Código, conteúdo, dados, design, sociedade, segurança e desporto são algumas das 20 áreas dierentes acerca das quais o Web Summit quer pôr os participantes a falar
55 mil pessoas esperadas em Lisboa durante os quatro dias de evento, oriundas de mais de 140 países
2100 startups expõem o seu trabalho durante apenas um dos quatro dias do evento
7000 CEO e mais de 1500 empresas vão marcar presença no evento, entre as quais Apple, Coca-Cola, IBM, Uber e Airbnb
9 oradores portugueses: Durão Barroso, José Neves (Farfetch) e o surfista Tiago “Saca” Pires são três dos portugueses confirmados pela organização
Cerca de 1000 oradores, entre os quais Mike Schroeper (CTO do Facebook), Carlos Ghosn (CEO da Renault-Nissan Alliance), John T. Chambers (chairman da Cisco Systems) e Sean Rad (CEO do Tinder)

Na mesa-de-cabeceira de Paddy Cosgrave esteve, até há bem pouco tempo, Liberdade para Escolher, de Milton e Rose Friedman. O livro surgiu em 1980, em simultâneo com uma série televisiva com o mesmo nome que explicava as leis relacionadas com os princípios do mercado livre. “Se toda a gente está a ler [Thomas] Piketty, eu leio outra coisa. Gosto de ler aquilo que não está na moda, e o Milton Friedman já não está. Quero saber porque é que tantas das suas ideias influenciaram tanto a economia e o decurso dos negócios, sobretudo no último quarto de século”, confessou numa entrevista.

A verdade é que uma das coisas que define a estante do fundador e CEO da Web Summit, a maior conferência de tecnologia e empreendedorismo do mundo, que se realiza pela primeira vez em Lisboa entre 7 e 10 de novembro, é a diversidade. Paddy confessou muitas vezes que gosta de ler, e com um único critério como base: a variedade.

É também isso que se espera do público que vai estar em Lisboa no início de novembro. Empreendedores, investidores, gestores de fundos de capital de risco e líderes de algumas das maiores empresas tecnológicas do mundo vão estar em Lisboa a inspirar e a inspirar-se. No MEO Arena e na FIL esperam-se cerca de 55 mil participantes – estão confirmados até agora mais de 36 500 inscritos – que virão, segundo a organização do evento, de mais de 140 países. Haverá maior diversidade do que ouvir, no mesmo espaço, falar todas as línguas do mundo?

O QUE LEEM OS GRANDES EMPREENDEDORES?

Mark Zuckerberg, o norte-americano CEO e fundador do Facebook, tem na lista de leituras livros tão diferentes como Porque Falham as Nações, de Daron Acemoğlu e James A. Robinson, um livro recomendado pelo New York Times e pelo Wall Street Journal, e Portfolios of the Poor, resultado de mais de dez anos de estudos das vidas financeiras de habitantes do Bangladesh, Índia e África do Sul. “É avassalador que quase metade do mundo viva com dois euros por dia ou menos”, diz o empreendedor.

Jeff Bezos, fundador da Amazon, a maior livraria virtual do mundo, confessou em 2001 comprar cerca de uma dezena de livros por mês. No entanto, na sua lista de preferidos estão o livro de negócios Build to Last: Successful Habits of Visionary Companies, de Jim Collins e Jerry Porras, e o romance Os Despojos do Dia, de Kazuo Ishiguro, uma história que fala de uma forma de viver alternativa.

Ser empreendedor não é viver um idealismo sem regras nem horários. O sucesso mede-se pelas vezes em que o plano é cumprido. Pelo menos é isso que defende Bill Aulet, autor do livro Disciplined Entrepreneurship, disponível on-line e recomendado por Teresa Fernandes, ex-Portugal Ventures e agora na AICEP. “Este é um dos títulos que não deve faltar na lista das leituras de preparação para o Web Summit”, garante.

PARA ONDE CAMINHA O MERCADO?

Pela experiência enquanto editor e escritor, mas sobretudo enquanto leitor, João Batista, fundador da editora Livros de Ontem, que opera em regime de crowdfunding, acredita que existem duas grandes tendências na área da literatura sobre empreendedorismo. Por um lado, o número crescente de empreendedores a aventurarem-se na publicação de livros; por outro, “o enorme desenvolvimento qualitativo que este tipo de literatura tem conhecido, especialmente através da adoção de um mindset de storytelling”.

Ou seja, os livros deixam de ser apenas técnicos e passam a contar histórias envolventes e cativantes. “Se, no primeiro caso, assistimos à ascensão de autores como Chris Guillebeau, Timothy Ferriss ou Gary Vaynerchuk, no segundo temos escritores com uma escrita muito mais elaborada e desenvolvida, como Malcolm Gladwell ou Robert T. Kiyosaki”, diz.


OS LIVROS QUE ELES LEEM


cristina-fonseca-revista-estante-fnac

Cristina Fonseca

Fundadora da Talkdesk
High Output Management
(Andrew S. Grove)

“Este livro está na minha lista de obrigatórios. Fala da criação de negócios e projetos com uma visão comum: a orma como estes são geridos.”


João Batista

Fundador da Livros de Ontem
Street Food & Food Trucks
(João Batista)

“Um exemplo interessante de como em pouco tempo se pode investigar uma área de negócio e produzir um guia completo de investimentos que é absolutamente pioneiro em todo o mundo e já ajudou muitos empreendedores a lançarem o seu negócio em Portugal. O livro foi escrito em cerca de cinco meses sobre um mercado que, apesar de crescer 20% ao ano, tem apenas dois ou três anos de existência em Portugal.”


Filipa Neto

Fundadora da Chic by Choice
The Hard Thing About Hard Things
(Ben Horowitz)

“É viciante. O difícil é parar de ler. Um behind the scenes no percurso de altos e baixos de um dos mais reconhecidos empreendedores e investidores. Enquanto muita gente fala sobre quão interessante é começar um negócio, poucos são os que são realmente honestos sobre as dificuldades com que se deparam.”


Miguel Santo Amaro 

Fundador da Uniplaces
Start with Why
(Simon Sinek)

“A importância de as pessoas nos seguirem pelo que fazemos, independentemente de isso nos dar dinheiro ou não. Ao encontrar um equilíbrio entre a revenue que trazemos e a razão pela qual o fazemos constrói-se o equilíbrio. Se as pessoas perceberem o porquê de estarmos a fazer algo de determinada forma, elas vão trabalhar, sem lhes pedirmos, até às 6 da manhã, mesmo que isso lhes traga apenas prazer pessoal.”


Por: Mariana de Araújo Barbosa

Gostou? Partilhe este artigo: