Uma viagem pela realidade com O Ministério da Felicidade Suprema

Ministério Felicidade Suprema

 


Um livro para…
Quem é apaixonado por histórias que retratam a realidade.

Primeiro parágrafo
“Ela vivia no cemitério, como uma árvore. Ao nascer do dia despedia-se dos corvos e dava as boas-vindas aos morcegos que regressavam a casa. Ao crepúsculo, fazia o oposto. Entre turnos, conferenciava com os fantasmas dos abutres à espreita nos ramos altos. Sentia o leve aperto das suas garras como a dor de um membro amputado. Depreendia que eles não estava infelizes de todo por terem pedido licença e saída da história.”

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Cem Anos de Solidão Gabriel García Márquez
Os Versículos SatânicosSalman Rushdie

Onde podemos encontrar a felicidade? “Num passeio de betão”? “Num vale coberto de neve”? Não sabemos. Mas o segundo romance de Arundhati Roy, que surge 20 anos após o primeiro, promete ajudar-nos a chegar mais perto.

Histórias todos contamos. Todos os dias. Mas criar histórias que apaixonam e inspiram leitores pelo mundo fora é algo que nem todos somos capazes de fazer. Não com a mesma perícia de Arundhati Roy. Já conheces o novo romance da autora indiana, O Ministério da Felicidade Suprema? Não te preocupes, a Estante coloca-te a par de tudo.

O livro

Depois de uma espera de 20 anos, eis que nos chega o segundo romance de Arundhati Roy. O Ministério da Felicidade Suprema tem como pano de fundo a Índia e é demarcado pelas grandes questões que, hoje em dia, definem o dia a dia nesse país asiático. Um livro que, apesar de repleto de personagens interessantes, se foca na sociedade e nas consequências de atos políticos que sobre ela recaem.

É um romance repleto de histórias muito diferentes. Começa, por exemplo, por acompanhar Anjum, uma hijra – transgénero na cultura hindu – que, na hora de ir dormir, estende sempre um tapete persa entre duas campas do cemitério.

Numa outra parte do livro, a autora indiana regalia o leitor com uma passagem pela luta pela independência de Caxemira (região hoje dividida entre a Índia, Paquistão e China). E, pelo meio, emerge uma história sobre uma mulher de classe média que leva um bebé abandonado para casa. É esta personagem que faz a ligação entre todas as histórias até então narradas.

É seguro afirmar que o enredo deste livro é composto por muitas histórias que, a dada altura, se transformam numa só. O Ministério da Felicidade Suprema é uma longa viagem não só pelo subcontinente indiano, mas também por bairros sobrelotados da Velha Deli, centros comerciais da nova metrópole e montanhas e vales de Caxemira. Uma jornada que te leva até à realidade indiana, e que te permite chorar e rir simultaneamente.

A autora

Estávamos em 1997 quando Arundhati Roy escreveu o seu primeiro romance, O Deus das Pequenas Coisas. A obra que vendeu mais de oito milhões de exemplares em todo o mundo, e que foi traduzida para 42 idiomas, tornou-a na primeira escritora indiana a conquistar o conceituado Man Booker Prize (galardão entregue anualmente ao melhor livro escrito em inglês e publicado no Reino Unido).

Mas a autora nascida em Shillong, na Índia, a 24 de Novembro de 1961 tem-se destacado por mais do que apenas a sua escrita. Tem dedicado a vida ao ativismo contra a globalização, a proliferação de armas nucleares e a industrialização, merecendo, por isso, o prémio Woman Of Peace, nos Global Exchange Human Rights Awards de 2003, e o Sydney Peace Prize de 2004.

No âmbito literário, Roy publicou várias obras de não ficção, como os ensaios O Fim da Imaginação – que aborda a questão da energia nuclear a serviço da guerra – e Pelo Bem Comum – que se debruça sobre as ameaças ambientais no seu país.

Por ser uma das vozes mais críticas da Índia, Arundhati Roy tem inspirado o mundo com as suas lutas constantes pela defesa dos direitos humanos que, na sociedade indiana, são muitas vezes esquecidos.

O gancho

O Ministério da Felicidade Suprema é um dos maiores acontecimentos literários de 2017. E na verdade, 20 anos de espera por este romance já traduzido para 29 línguas depressa são esquecidos quando nos deparamos com mais de 460 páginas cheias de personagens verdadeiramente inspiradoras.


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