La Atrevida: De crianças para crianças

Desenhada a partir do imaginário inconformista de dois apaixonados pelos livros e pela pedagogia, a associação atrevida chega a Portugal para dar a conhecer os novos cânones da literatura infanto-juvenil. Depois de duas antologias de sucesso criadas a partir de textos de crianças e jovens, prepara-se já para o lançamento do terceiro livro de originais.

EXPLORAR a escrita sem limites, despreocupada, honesta e alheia a resultados só é possível de uma maneira: dando a palavra aos mais novos. Tornando-os protagonistas das próprias histórias, dando-lhes espaço para explorarem universos que confundem fiCção e realidade, personagens e cenários improváveis. Só é possível se for livre. Partindo deste princípio e defendendo que “todas as crianças são poetas”, Paulo Madrid e Javier Betemps apresentaram em Portugal o projeto La Atrevida, uma iniciativa pela livre criação artístico-literária entre crianças e adolescentes. Depois do sucesso do trabalho na associação elpavoarcoiris, em Madrid,em 2011 nasceu, em Lisboa, a Associação Atrevida, decidida a revolucionar o conceito de literatura infanto-juvenil com histórias escritas por miúdos e para miúdos, em língua portuguesa. Foi preciso, nesta altura, encontrar autores competentes. Surge, assim, o anúncio do I Concurso Internacional de Escritores Lusófonos Infanto-Juvenis, que contou com a participação de 450 autores, entre os 8 e os 14 anos, e deu origem à I Antologia Atrevida, uma compilação com os melhores textos assinados por crianças e jovens de Portugal, Brasil, Alemanha, Suíça e Macau. O livro chegou à segunda edição, com uma tiragem total de 1200 exemplares. Impôs-se, por essa altura, dar continuidade ao projeto. Em setembro de 2013 a La Atrevida, com o apoio da Rede de Bibliotecas
Escolares, do Plano Nacional de Leitura e do Programa BIS da Santa Casa da Misericórdia, abre convocatória para a 2.ª edição do concurso. O projeto cresce para as salas de aula em Lisboa, e o número de inscrições praticamente duplica. A II Antologia Atrevida chega às livrarias a 8 de junho de 2014, com uma tiragem de 1000 exemplares, “um livro milagre, uma autêntica declaração de intenções”, que contou com a participação de Alice Vieira no júri. O processo de seleção, explica Paulo Madrid, é “o de um concurso típico: as candidaturas são enviadas por correio eletrónico ou carta para serem avaliadas por um júri que, mais tarde, escolhe os restantes textos que deverão integrar o livro”. Simples. Desde o início de outubro estão abertas as inscrições para a 3.ª edição do concurso. Os participantes devem ter entre 8 e 14 anos, ser falantes de língua portuguesa e desejarem ver a sua obra publicada. São aceites romances, relatos, poesias, composições ou peças de teatro, o que importa é que sejam originais. Ao
vencedor será entregue um computador portátil e quatro livros, o 2.º e 3.º lugares recebem, respetivamente, uma caneta de aparo e um lote de livros. E não tema a concorrência. Apesar de o concurso ser alargado a um número considerável de candidatos, é perfeitamente legítimo sonhar com o pódio. Nas edições anteriores os primeiros prémios foram entregues em Portugal, especifi camente em Miraflores e Faro. Mesmo aqui ao lado. Recentemente La Atrevida juntou-se ao Instituto Camões e ao Ministério da Educação e Ciência para juntos levarem a cabo a tal revolução, que dizem ser “inadiável”.

 

LA ATREVIDA
De crianças para crianças: Paulo Madrid e Javier Betemps são as caras por trás do laatrevidaprojeto com nome portunhol. Juntos já publicaram dois livros que resultaram dos trabalhos de escritores de palmo e meio. A Associação Atrevida nasceu em Madrid mas criou casa em Lisboa em 2011, decidida a revolucionar o conceito de literatura infanto-juvenil com histórias escritas por e para miúdos, em língua portuguesa.

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