Ken Follett em 7 factos que vais querer conhecer

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Sabias que Ken Follett costumava assinar os livros sob pseudónimo? E que é baixista numa banda de blues? Descobre tudo sobre o autor de Uma Coluna de Fogo.


Uma Coluna de Fogo
(2017)

 
 

Os-Pilares-da-Terra-Vol-1

Os Pilares da Terra, Vol. 1
(1989)

 
 

Os-Pilares-da-Terra-Vol-2

Os Pilares da Terra, Vol. 2
(1989)

 
 

Um-Mundo-Sem-Fim-Vol-1

Um Mundo Sem Fim, Vol. 1
(2007)

 
 
Um-Mundo-Sem-Fim-Vol-2

Um Mundo Sem Fim, Vol. 2
(2007)

Ken Follett decidiu começar a escrever graças a Enid Blyton

À primeira vista não parece haver muito em comum entre Ken Follett e Enid Blyton, uma das mais populares autoras de livros para crianças e adolescentes de todos os tempos, criadora de personagens como Noddy, Os Cinco e Os Sete. No entanto, foi precisamente a ler os livros desta escritora que Ken Follett decidiu começar ele próprio a escrever.

“Admiro escritores que sabem o que agrada a diferentes grupos etários”, disse Ken Follett. “A Enid Blyton era capaz de escrever para todas as idades, dos 3 ou 4 anos até cerca dos 12 – que é quando começam a ler ficção adulta. Conseguia atingir sempre o alvo.”


Ken Follett nem sempre foi Ken Follett

Enquanto refinava o talento para a escrita, Ken Follett publicou pelo menos nove livros sob vários pseudónimos. “Simon Myles” assinou The Big Needle (1974), The Big Black (1974) e The Big Hit (1975); “Bernard L. Ross” assinou Amok: King of Legend (1976) e Capricorn One (1978); “Zachary Stone” assinou O Escândalo Modigliani (1976) e O Preço do Dinheiro (1977); e “Martin Martinsen” assinou The Mystery Hideout (1976) e The Power Twins (1976).


Ken Follett diz dever parte do seu sucesso ao agente

Al Zuckerman, o agente de Ken Follett para o mercado americano na década de 1970, não se cansou de lhe apontar as razões pelas quais os seus primeiros romances não eram bem acolhidos nos Estados Unidos. “Com o tempo comecei a ouvi-lo, porque as coisas que dizia eram muito inteligentes”, recorda o autor, que só a partir daí se tornou bestseller.

Uma das críticas que Zuckerman fazia era que os personagens de Ken Follett não tinham um passado. “Conhecemo-los a meio do percurso. E se não sabemos muito sobre o personagem é difícil identificarmo-nos com eles quando se metem em sarilhos”, dizia ele.

Zuckerman criticava também a tendência de Ken Follett para desfechos surpreendentes nas suas histórias: “Os finais-surpresa pertencem ao conto, não ao romance. Se um leitor deu uma ou duas semanas a um livro e chega ao fim apenas para descobrir que foi enganado, não fica satisfeito. Fica irritado. Pode ser divertido se estivermos a ler um conto durante meia hora, mas deixa de ter piada num romance.”


Ken Follett iniciou-se nos bestsellers com O Estilete Assassino

Em vésperas do desembarque das forças aliadas na Normandia, a Escócia é palco de um triângulo amoroso que envolve um piloto retirado, a sua mulher e um assassino secreto de Hitler. É este o enredo de O Estilete Assassino, um thriller publicado em 1978 que se tornou o primeiro bestseller de Ken Follett.

O primeiro de muitos, entenda-se, já que todos os romances que o autor galês publicou desde então alcançaram o mesmo rótulo.

“Não adivinhava que venderia 10 milhões de exemplares, mas sabia que O Estilete Assassino era bom o suficiente para [manter a minha família] à tona”, lembra Ken Follett, que cedo se apercebeu que estava a escrever o seu melhor romance até à data. “Achei que era o momento de desistir do meu emprego e dedicar-me a tempo inteiro à escrita.”

Al Zuckerman concordou e até disse ao autor ainda antes da publicação: “Este livro vai ser um gigantesco bestseller a nível internacional. Vais ter problemas com os impostos.”


Ken Follett apenas abraçou os romances históricos a partir da série Kingsbridge

Agora parece estranho, mas houve uma altura em que Ken Follett era tido unicamente como um autor de thrillers. Foi, por isso, com grande surpresa que os seus leitores receberam, em 1989, a notícia de que o galês abandonara temporariamente os espiões e os agentes secretos. Em causa estava o lançamento de Os Pilares da Terra (publicado em dois volumes em Portugal), um romance histórico centrado na cidade fictícia de Kingsbridge, em Inglaterra, no longínquo século XII.

O autor admite que é mais difícil escrever romances históricos do que thrillers – “Levei três anos e três meses a terminar Os Pilares da Terra, lá para o fim também trabalhava aos sábados e aos domingos porque achava que nunca o conseguiria acabar” – mas não se arrepende de ter aberto a sua escrita a um novo género: “Os meus editores estavam um pouco nervosos por eu estar a escrever sobre algo tão improvável, mas paradoxalmente é o meu livro mais popular e aquele de que me sinto mais orgulhoso. Recria de forma vívida a vida de uma aldeia inteira e das pessoas que lá viviam. Sentimos que conhecemos o lugar e as pessoas tão intimamente como se nós próprios tivéssemos lá morado na Idade Média.”

O livro acabou por se revelar um sucesso e a série prosseguiu com Um Mundo Sem Fim (também dividido em dois volumes em Portugal) e Uma Coluna de Fogo.


Ken Follett percorre quase 500 anos de história em Kingsbridge

É um autêntico estudo da história de Inglaterra e da Europa. Os Pilares da Terra tem início no ano de 1123; Um Mundo Sem Fim acompanha os descendentes de alguns dos personagens do primeiro livro a partir do ano de 1327; e Uma Coluna de Fogo arranca em 1558, percorrendo depois cerca de meio século na sua narrativa.

Curiosamente, e mesmo não tendo Ken Follett levado 500 anos a escrever os três livros, a verdade é que levou um tempo bastante considerável: 28 anos. Os Pilares da Terra foi publicado em 1989, Um Mundo Sem Fim em 2007 e Uma Coluna de Fogo em 2017.

Resta referir que os três livros podem ser lidos individualmente e por qualquer ordem.


Ken Follett toca baixo numa banda de blues

Será talvez um dos pontos mais curiosos da vida de Ken Follett: faz parte de uma banda musical. A paixão pela música surgiu desde cedo, incentivada pelos pais, que tocavam piano. Follett investiu antes no baixo, e é como baixista que integra os Damn Right I Got the Blues, uma banda de blues que até tem álbuns lançados.

“Sempre toquei guitarra muito mal. Mas acho que é importante termos algo que fazemos mal, especialmente se temos uma personalidade perfecionista”, confessa Ken Follett antes de comparar a música à escrita: “Tocar numa banda é muito sensorial e escrever é completamente cerebral. Os meus livros estão muito focados no enredo, como toda a ficção popular, por isso estou sempre a pensar nas mecânicas da história. Tocar numa banda é inteiramente sensorial – há uma ligação dos ouvidos às pontas dos dedos que não passa pelo cérebro consciente.”

 


Por: Tiago Matos
Fotografia: Tom Stoddart

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