Judite Sousa: “Sempre procurei trabalhar como trabalham os melhores do mundo”

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Com uma carreira de quase 40 anos, Judite Sousa é uma das mais reputadas jornalistas portuguesas. Duas ou Três Coisas Sobre Mim, livro que serviu de mote a esta conversa com a Estante, é uma viagem aos grandes momentos da sua vida profissional.

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Duas ou Três Coisas Sobre Mimleva-nos aos bastidores da sua carreira jornalística de quase 40 anos. Ainda se lembra do primeiro dia nesta profissão? O que sentiu, quem conheceu, que tarefas executou?

Creio que foi uma reportagem de um Congresso na Póvoa de Varzim. Estava naturalmente nervosa. Comecei por fazer pequenas reportagens para os telejornais regionais emitidos a partir do Monte da Virgem.

A entrada na RTP enquanto jornalista estagiária foi inesperada. Depois de começar a trabalhar, em que momento se apercebeu de que nasceu para o jornalismo?

Logo no início senti que tinha encontrado a minha vocação.

Nesses primeiros tempos na RTP, disseram-lhe: “Um dos segredos da profissão é a vontade de aprender sempre.” Mantém hoje essa curiosidade que sente desde o primeiro dia?

Para se conseguir construir uma carreira sólida, é preciso estar num processo de aprendizagem constante.

Um dos entrevistados a que faz referência neste livro é António Lobo Antunes, pelo desafio que representa. Foi o entrevistado com quem mais aprendeu? Que outros destacaria?

O mais difícil foi o António Lobo Antunes. Fala de uma forma poética. Exige ser ouvido atentamente. Os mais desafiantes foram Álvaro Cunhal, Pelé, Bill Gates e Cristiano Ronaldo.


Quis ser a primeira jornalista de televisão a ter um blogue.


Um dos relatos mais comoventes neste livro diz respeito à cobertura do genocídio do Ruanda. Aquilo que viu e sentiu mudou de alguma forma o seu modo de encarar desafios jornalísticos futuros – como, por exemplo, a cobertura de ataques terroristas ou dos incêndios do verão passado em Pedrógão Grande?

Sempre fiz reportagem e sempre procurei trabalhar como trabalham os melhores do mundo. Aprendo muito vendo televisão estrangeira.

Um dos primeiros episódios que narra neste livro é a entrevista que fez a Cristiano Ronaldo em 2014, em Madrid, e que marcou o seu regresso à televisão após a morte do seu filho. Olhando agora com alguma distância, que diferenças existem entre a Judite de antes e depois dessa entrevista?

Em 2014, o meu problema era pessoal. Tinha perdido o meu filho, mas tinha de continuar a trabalhar.

No livro diz que, ao longo dos anos, aprendeu a lidar com a crítica, mas não com o fracasso. Quais foram os seus momentos de fracasso? E como se levantou?

Nunca se consegue fazer todos os dias tudo bem. É assim em todas as áreas profissionais.

Este livro é a prova de que a Judite é uma mulher extremamente dedicada à sua profissão. Se pudesse refazer o seu percurso, faria algo diferente? Dedicaria mais tempo à vida pessoal?

Faria tudo igual.

Porquê este livro e porquê agora?

Já escrevi sete livros. Este é o oitavo. É bom escrever.

Qual foi o último livro que leu?

Meghan: Uma Princesa de Hollywood de Andrew Morton.

Criou recentemente um blogue. Qual o objetivo deste projeto?

Quis ser a primeira jornalista de televisão a ter um blogue. Escrevo sobre todas as temáticas. É um blogue de conteúdos.

Quais são as duas ou três coisas que ainda lhe faltam fazer, a nível pessoal e profissional?

Não traço planos. As coisas vão acontecendo.


Fotografias: Carlos Ramos

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