Os 10 Livros da Minha Vida: José Prata

  • Jose_PrataNacionalidade: Portuguesa
  • Vive em : Lisboa
  • Idade: 47
  • Gosta de: Escrever

Jornalista durante cerca de 15 anos, quase sempre nas secções
culturais de revistas ou jornais, afeiçoou-se particularmente às
revistas City (editor), Livros (onde foi redator principal) e Os  Meus Livros (subdiretor).

Durante anos manteve uma página semanal de crítica literária no
semanário Independente; em 2006 criou a editora Lua de Papel (hoje parte do Grupo Leya), que dirige desde então. Escreveu contos dispersos e um romance, Os Coxos Dançam Sozinhos, editado em 2001. Casado, tem duas filhas saudavelmente viciadas em leitura.

 

1. MIGUEL STROGOFF
Júlio Verne
De todos os livros de Júlio Verne, foi o que mais me marcou. Pela vastidão da Sibéria, pela travessia heróica do correio do Czar; mas também pela espada, as lágrimas e pelo twist para acabar com todos os twists.

2. OS TRÊS MOSQUETEIROS
Alexandre Dumas
Um romance que vem com tudo incluído; a trama bem urdida, o pano de fundo épico, a grande aventura; e ainda a amizade viril, a história de amor trágica (que rapaz não amou Milady?), e o mal em estado puro.

3. O RETRATO DE DORYAN GRAY
Oscar Wilde
Mais do que um romance, é um tratado cruel sobre a tirania do belo, que aqui contamina a prosa, o enredo, as personagens, vergando-os aos seus caprichos. Uma obra perigosa, porque servir a beleza é um vício.

4. CRIME E CASTIGO
Fiódor Dostoiévski
Nascemos culpados, morremos culpados; e o crime hediondo de Raskólnikov mais não é do que um pretexto para justificar a culpa que o precede; o crime não compensa, compensa o castigo, porque tudo expia.

5. O ESTRANGEIRO
Albert Camus
Não é a Náusea, e ainda bem, porque aqui o existencialismo é servido dignamente pelo romance; e não é preciso muito mais: uma mãe morta à distância, um árabe morto porque sim. I’m alive / I’m dead / Killing an arab.

6.EXPLICAÇÃO DOS PÁSSAROS
António Lobo Antunes
Perdemo-nos nos primeiros romances de António Lobo Antunes, desmaterializamo-nos num mundo que passa a ser nosso. Uma ria putrefacta, nós a deslizarmos para a morte, e no final o festim das gaivotas.

7. AO ENCONTRO DE ESPINOSA
António Damásio
Não é tanto a neurociência das emoções que interessa, mas as suas consequências filosóficas, o ser humano preso hoje e sempre à sua carapaça bestial, e hoje como ontem a tentar libertar-se da herança primeva.

8. O O TÚNEL
Ernesto Sabato
Também um crime, uma culpa procurada, e um existencialismo contaminado pela psicologia; a mente racionalista sucumbe a razões que a razão desconhece, e o círculo só se fecha quando é tarde de mais.

9.MENTE ZEN, MENTE DE PRINCIPIANTE
Shunryu Susuki
A ciência levará anos a compreender os mistérios da massa cinzenta; mas a própria tentativa de compreensão é anátema para o mais esclarecido dos Susuki: a mente é a mente, funciona assim, esqueçam lá os porquês.

 10. O DEUS DAS PEQUENAS COISAS
Arundhati Roy
O romance contemporâneo sem mácula, movido pelo enredo e pelas personagens em igual medida, sem deixar que os Grandes Temas se
intrometam demasiado; e depois a voz
(e Os Olhos) das crianças a espelharem
a nossa inocência perdida.Um romance construído a partir do cruzamento epistolográfico entre várias personagens.

 

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