José Prata, editor da Lua de Papel: “É preciso perceber o que as pessoas procuram”

Fotografia: Tiago Pinto

José Prata, editor da Lua de Papel, explica o sucesso da marca e fala sobre as novas tendências do mercado editorial.

É uma assinatura habitual no mundo dos livros de não ficção (e não só) em Portugal. A Lua de Papel, chancela pertencente ao grupo Leya, vive sob o lema “Livros que fazem sonhar”. E é precisamente isto que muitas das obras que publica incentivam: sonhar, mudar e melhorar. José Prata foi o editor responsável pela criação da marca em 2006. É um pioneiro na área da não ficção. Foi ele quem descobriu e deu a conhecer aos leitores portugueses, entre outros, O Segredo, A Vida Secreta dos Intestinos, A Dieta do Paleolítico, Mindfulness e autores como David Perlmutter ou David Servan-Schreiber. Depois de 15 anos a trabalhar como jornalista, foi convidado pela editora ASA a fundar uma marca de livros práticos e úteis. “A partir daí, deram-me total liberdade”, recorda. “Analisei o mercado, procurei as áreas onde acreditava que ainda houvesse ‘espaço’ para mais uma editora e foquei-me sobretudo em desenvolvimento pessoal, saúde e gestão.” A aposta valeu a pena. Dez anos depois, a Lua de Papel é líder de mercado na área de desenvolvimento pessoal, sendo seus alguns dos maiores sucessos de sempre do género.

Uma questão de intuição

A aposta em O Segredo, bestseller de Rhonda Byrne que vendeu quase 20 milhões de exemplares por todo o mundo, deveu-se unicamente a um feeling de José Prata. Algo que continua a servir de mote às apostas da Lua de Papel. “A intuição dita sempre todas as decisões, mas é uma intuição sociológica: ou seja, é preciso perceber o que as pessoas procuram”, explica o editor. “No ano passado era o mindfulness e o aparelho digestivo. Ora, o mindfulness lá fora existe há anos, mas só agora se tornou moda em Portugal. Já A Vida Secreta dos Intestinos chegou a Portugal quase em simultâneo com o que aconteceu em outros mercados e foi um enorme bestseller. Por outras palavras, é preciso saber quando o mercado está ‘maduro’ para receber as tendências.”

A influência dos bestsellers

Portugal não é exceção na aceitação dos grandes bestsellers internacionais da não ficção. “No entanto, o nosso mercado é proporcionalmente muito menor do que o dos Estados Unidos ou de vários países da Europa Ocidental. Sobretudo no que diz respeito a livros com uma forte componente espiritual ou religiosa”, ressalva José Prata. E deixa um exemplo concreto: “A comunidade budista (zen) no nosso país não tem expressão estatística.”

A próxima tendência

Para manter o sucesso, é indispensável estar-se atento às principais tendências do momento. José Prata acredita que o êxito internacional dos livros de colorir tem ofuscado todas as outras “modas”, embora destaque também a atual preponderância dos livros sobre alimentação: “Neste momento há uma obsessão com a comida saudável, mas é muito difusa. Abarca diferentes tendências – do antiglúten ao veganismo, passando pelo Paleolítico –, pelo que não houve espaço para que uma única moda se afirmasse.” E conclui: “A próxima grande vaga do desenvolvimento pessoal, ou o próximo grande livro, ainda está para vir.”

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