Autor do mês: 7 surpresas sobre Jo Nesbø, o escritor de ficção criminal que não gosta de ficção criminal

Jo Nesbø

Naturalidade
Oslo, Noruega

Data de nascimento
29 de março de 1960

Primeiro livro publicado
O Morcego (1997)

É um dos principais nomes da ficção criminal, mas o seu verdadeiro sonho era jogar no Tottenham e, antes de se virar para os livros, ainda experimentou a música e as finanças. Queres saber mais sobre o surpreendente Jo Nesbø?

Jo Nesbø começou a carreira como futebolista

Embora seja hoje mais conhecido como escritor, o primeiro sonho de Nesbø escrevia-se entre linhas diferentes. “A minha maior paixão era o futebol”, explica na sua autobiografia. “Aos 17 anos estreei-me no Molde, equipa da primeira divisão da Noruega, e tinha a certeza de que continuaria a carreira em Inglaterra, a jogar pelo Tottenham.” No entanto, a vida trocou-lhe as voltas, como explicou numa entrevista ao iNews: “Aconteceu uma catástrofe: fiz uma rutura nos ligamentos de ambos os joelhos e vi-me obrigado a procurar outra forma de ganhar a vida.” Apesar de todo o sucesso que mais tarde alcançou (e continua a alcançar), confessa que muito provavelmente trocaria tudo por uma carreira de futebolista.


Jo Nesbø é vocalista numa banda de sucesso

Depois de abandonar o futebol, Jo Nesbø virou-se para as finanças e chegou a trabalhar alguns anos como analista financeiro para a maior sociedade corretora da Noruega. Mantinha, contudo, uma segunda vida como vocalista e guitarrista dos Di Derre (expressão que significa algo como “aqueles tipos” ou “os tais”), uma banda de pop rock que, nos anos 90, chegou mesmo a ser uma das mais populares da Noruega.

“O nosso segundo álbum foi o mais vendido no país em anos. Os nossos concertos esgotavam em horas. Subitamente, éramos estrelas pop”, recorda Nesbø, que ainda hoje mantém a banda ativa – em 2018 lançaram um novo álbum, Høyenhall.


Jo Nesbø criou Harry Hole enquanto descansava do trabalho

A vida dupla enquanto analista financeiro e estrela da música não era fácil para Jo Nesbø que, a certa altura, se sentiu tão esgotado que decidiu tirar seis meses só para ele. Meteu-se num avião e foi para o lugar mais distante da Noruega de que se lembrou: Austrália. Levou, contudo, um desafio de uma editora: porque não escrevia um livro sobre a vida em digressão?

Nesbø não se sentia confortável com o tema, mas agradou-lhe a ideia de escrever um livro. “Em vez de escrever sobre sexo e drogas, arrisquei-me na ficção e escrevi um romance criminal”, recorda.

Esse romance, que viria a ser O Morcego, marcou não só a sua estreia na literatura mas também a introdução daquele que viria a ser o seu protagonista de eleição: Harry Hole, inspetor da Brigada Anticrime de Oslo. Incerto quanto ao resultado, Nesbø enviou o manuscrito às editoras locais sob o pseudónimo de Kim Erik Lokker: “Tinha medo que fosse rejeitado como mais uma porcaria de livro escrito por um artista rock.” Não foi o caso.


Jo Nesbø não ficou nada impressionado com o seu primeiro prémio

Jo Nesbø é hoje um autor com mais de vinte livros publicados – grande parte deles protagonizados por Harry Hole – e vários prémios conquistados, mas a primeira distinção foi aquela que mais lhe ficou na memória. Aconteceu em 1997, quando O Morcego venceu o Prémio Riverton para Melhor Romance Criminal da Noruega.

“Fiquei agradado, é claro, mas também algo cético”, explica Nesbø. “Tinha sido fácil demais. Por isso contei todos os romances criminais publicados na Noruega naquele ano, subtraí os autores que já tinham sido distinguidos com o prémio – pois tinha ouvido dizer que as pessoas geralmente só o ganhavam uma vez –, pus de lado os livros mal recebidos pela crítica… e compreendi que devo ter ganho o prémio por exclusão de partes.”


Jo Nesbø não gosta de romances criminais

Livros como Sangue na Neve, O FilhoO Sol da Meia-Noite e, talvez mais do que qualquer outro, O Boneco de Neve fizeram de Jo Nesbø uma das principais referências da atualidade na área da ficção criminal. É curioso, especialmente se tivermos em conta que o autor não aprecia particularmente este género.

“Nunca gostei de ficção criminal quando era novo e continuo a não estar assim tão interessado nela”, revelou à Vice. “Existem definitivamente bons romances criminais por aí, mas há uma razão para o género ter a má reputação que tem, nomeadamente o facto de serem publicados tantos livros medíocres todos os anos.” A acreditar na palavra de Nesbø, este não é, contudo, o caso dos seus livros: “Quando escrevo, sinto que sou o melhor escritor do mundo.”


Jo Nesbø não gosta que o comparem a Stieg Larsson

Escreve thrillers e é nórdico? Só pode ser um novo Stieg Larsson. Tem sido esta a lógica de muitos leitores, editoras e meios de comunicação para apresentar Jo Nesbø a quem ainda não o conhece. Uma estratégia que desagrada o norueguês, não pela associação específica ao sueco responsável pela escrita da trilogia original da saga Millennium mas pela rotulação geral da literatura criminal nórdica. “A ideia de que os escritores escandinavos de romances criminais têm algo em comum é um mito”, disse Nesbø ao Washington Post. “A única coisa que estes escritores têm em comum é que provêm da Noruega, da Suécia ou da Dinamarca.”


Jo Nesbø é um autor bestseller de livros infantis

Nem só de crime se faz Jo Nesbø. Embora seja essencialmente conhecido pelos romances criminais (que até incluem uma adaptação de um clássico de William Shakespeare), o norueguês tem um projeto paralelo que não podia ser mais diferente: uma coleção de livros de humor para crianças.

Tudo começou com um pedido da sua filha Selma, então com sete anos. “Ela começou a pedir histórias, mas tinha algumas condições”, explicou Nesbø ao Telegraph. “Queria um dinossauro e um personagem, rapaz, que fosse mais pequeno do que uma rapariga. Ah, e queria uma princesa. E uma batata. E um professor louco.”

Nasceu assim a coleção Doutor Proctor, que já conta com cinco livros. “Costumávamos brincar que a Selma era a coautora dos livros… até ao dia em que ela sugeriu que partilhássemos os royalties.”

Por: Tiago Matos
Fotografia: Thron Ullberg

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