Jeff Kinney: “O Diário de um Banana é um sucesso porque não tento dar lições de moral às crianças”

Chama-se Vai Tudo Abaixo e é o novo livro de O Diário de um Bananauma das mais populares séries infantis de todos os tempos. Justificação mais do que suficiente para uma conversa exclusiva para Portugal com Jeff Kinney, o homem que criou Greg Heffley.

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A série O Diário de um Banana vendeu mais de 200 milhões de livros em todo o mundo. Como encara isto?

É impressionante ter tantos livros impressos! E um privilégio incrível conseguir chegar a milhões de crianças por todo o mundo.

Sente a pressão de agradar a uma audiência tão grande?

Sinto, de facto, muita responsabilidade por saber que tantas crianças vão ler os meus livros. Deixo tudo o que tenho no meu trabalho para que não fiquem desapontadas.

Acha que o sucesso da série pode ser pelo menos parcialmente explicado pelo facto dos seus livros não se focarem em lições morais, como tantos outros livros infantis hoje em dia, preferindo antes proporcionar uma experiência de leitura divertida?

Sim, acho que uma das razões que faz de O Diário de um Banana um sucesso é que não tento dar lições de moral às crianças. Enquanto adulto, é tentador pensar: “O que deveria estar aqui a ensinar?” Mas as crianças conseguem cheirar estas lições de moral. Por vezes é algo que as afasta dos livros. Por isso tento manter a voz do Greg [protagonista da série] autêntica e realista. E a narrativa divertida.

Os melhores personagens animados não mudam. É isso que gostamos neles.

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O primeiro livro da série foi publicado há mais de uma década. O seu público também envelheceu desde então? Ou é um público em constante renovação?

Parece que o meu público se manteve igual no que diz respeito a idade. A maior parte das crianças parece deixar estes livros aos 12 ou 13 anos. O meu núcleo duro de leitores tem entre 9 e 10 anos.

Será que o Greg Heffley algum dia envelhecerá?

Nunca! Os melhores personagens animados não mudam. É isso que gostamos neles. São confiáveis de uma forma que as pessoas reais não são.

O Jeff está sempre a dizer que era muito parecido com o Greg na sua infância. O processo de escrever a série mudou de alguma forma a sua perspetiva sobre a sua própria juventude?

O que me ensinou foi que a infância é universal. Tenho o privilégio de conhecer crianças de todo o mundo e maravilho-me sempre com a forma como conseguem ver os personagens dos meus livros neles próprios.

O novo livro de O Diário de um Banana é uma alegoria sobre conflito e guerra.

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O 13.º volume da série, Vai Tudo Abaixo, chega-nos com a promessa de uma épica luta de bolas de neve. Como lhe surgiu esta ideia?

Tento sempre contar um tipo de história diferente. E este é o livro de “guerra”. Queria explorar todos os aspetos deste tipo de história. Por isso, embora seja uma luta de bolas de neve, é uma alegoria sobre conflito e guerra.

Mais concretamente, o que podemos esperar?

Podem esperar conhecer muitos novos personagens no bairro do Greg. E uma épica e ridícula batalha no fim.

O Jeff admitiu numa entrevista anterior que, ao iniciar os seus livros, começa sempre por escrever as piadas. E sempre em janeiro. Ainda é assim?

Sim! Tipicamente começo a escrever piadas em janeiro, depois da minha digressão literária. É algo que leva três ou quatro meses.

Pelo meio também escreveu o argumento da quarta adaptação ao cinema de um dos livros da série: Diário de um Banana – Uma Longa Viagem. O que achou dessa experiência?

Gosto muito de escrever argumentos. Têm uma lógica inerente que me agrada muito. Espero investir mais nesta área no futuro.

Gostava de contar mais histórias através do ponto de vista do Rowley.

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Costuma ler livros infantis?

Não costumo. Não gosto de ser influenciado por outros autores no meu género. No entanto, agora tenho uma livraria, por isso tento ler os trabalhos de todos os autores que aparecem no nosso palco.

Gostaria, ainda assim, de recomendar algum livro ou autor?

Como todas as crianças, gosto do Dav Pilkey, que tem uma série muito popular chamada Homem-Cão. Também gosto do Lincoln Peirce, que tem um novo livro prestes a sair chamado Max and the Midknights.

A propósito, qual foi o último livro que leu?

Li um livro na noite passada chamado Carmela Full of Wishes, por Matt de la Peña e Christian Robinson. Achei-o um livro muito amoroso!

Por fim, mantém o plano de escrever vinte livros na série O Diário de um Banana? Ou devemos esperar ainda mais?

Sim! Planeio escrever pelo menos vinte livros na série. Talvez mais, se me sentir inspirado. Mas gostava de expandir o universo de O Diário de um Banana pelo meio e de contar mais histórias através do ponto de vista do Rowley.

Por: Tiago Matos
Fotografias: 20|20 Editora

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