Jeff Kinney: “Aprendi a não subestimar as crianças enquanto leitores”

Jeff-Kinney

Cresceu numa família onde contar histórias era mais do que tradição. E foi também nesse ambiente que nasceu a ambição de ser escritor. Jeff Kinney, autor da série de livros O Diário de Um Banana, já vendeu mais de 115 milhões de livros, traduzidos em 42 línguas, em 44 países.


Quem é Greg Heffley?

Jeff Kinney. O Greg Heffley é uma versão mais nova de mim. Quando era miúdo tinha imensos defeitos e fiz muitas coisas relativamente às quais me sentiria envergonhado hoje em dia. O Greg é uma versão má de mim próprio. Um miúdo como todos os outros que nem sempre faz a coisa certa, é pouco corajoso e nem sempre faz o que se espera dele. Mas é um miúdo autêntico. E os
miúdos que lerem os meus livros vão identificar-se com o Greg.

De onde vem a inspiração para a criação destas histórias?

Sempre quis ser cartoonista de jornais. Era o meu sonho. Trabalhei durante anos para alcançar esse objetivo e nunca consegui. Depois, pensei em pegar nos meus cartoons e publicá-los em livro. Passei oito anos a trabalhar esta ideia e entreguei-a a uma editora que decidiu publicar o livro. A inspiração para a série O Diário de Um banana, para o Greg e para a sua família, tem origem na minha infância. Quando era pequeno lia livros de Jody Bloom, nos quais as personagens eram normais mas as situações eram sempre muito engraçadas. O que tenho feito é ir buscar inspiração a essas situações da minha família e da minha vida, misturar todos esses momentos e contar histórias com humor.

A sua paixão pelas narrativas nasce com as histórias que a sua avó lhe contava. Na altura já pensava em ser escritor ou tinha essa ambição?

A minha família sempre teve a tradição de contar muitas histórias e passá-las de geração em geração. Contamos sempre as mesmas histórias, várias vezes. A determinada altura resolvi começar a gravar todas essas histórias e a colocá-las em papel. Acho que foi a partir daí que comecei a ambicionar ser escritor.

Escolheu este género literário ou foi este género que o escolheu?

Decidi criar um formato onde pudesse haver texto e banda desenhada num só livro. Na altura foi uma ideia nova. Agora já existem muitos do mesmo género. É extraordinário ver como outros autores perpetuaram esta ideia. Quando comecei a escrever o livro quis ter a certeza de que, ao lerem, os leitores iriam virar a página. Por isso, optei por ter um texto acompanhado de banda desenhada. Quando lemos um livro esperamos sempre uma recompensa, ou seja, uma imagem como as das revistas. Por isso achei que devia dar sempre um motivo para que continuassem a virar a página.

O que o diferencia de outros autores que escrevem para o mesmo público?

O que me distingue de autores do mesmo género são os meus desenhos, diferentes das ilustrações. Os desenhos dos meus livros são desenhos de jornal. Já os dos outros autores são ilustrações. Muitas vezes as minhas piadas são contadas através de imagens: se
não houvesse imagens, perder-se-ia parte da história.

Também é designer de jogos on-line. Aliás, esta foi a sua primeira profissão. Em que medida influenciou a sua escrita? 

A minha experiência como designer de jogos on-line influencia a minha escrita porque trabalho com miúdos a toda a hora. Sei do que gostam e do que estão à espera. Ajudou-me a compreender que os miúdos são muito sofisticados enquanto consumidores,
aprendi a não subestimar as crianças enquanto leitores. Isso tem sido muito útil.

Que livros tem na sua estante?

A maioria dos livros que leio são aqueles que oiço. É mais uma estante virtual. Não tenho tempo para ler e por isso opto por ouvir muito livros. É como se os estivesse a ler. Mais recentemente, “li” os Jogos da Fome, muitas biografias desportivas e tudo o que seja de Bill Bryson.

Quando era miúdo lia muitos livros de fantasia de J. R. R. Tolkien, Piers Anthony e, quando era mais pequeno, lia histórias de Jody Bloom, que escrevia para raparigas. A minha mãe era educadora de infância e tinha também muito livros cheios de imagens que eu tinha por hábito devorar.

Se tivesse de escolher o livro da minha vida seria o Hobbit, de J. R. R. Tolkien, porque é uma história fantástica de alguém muito pequeno que parte pelo mundo numa grande aventura. É inspirador.


Por: Catarina Sousa

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