4 factos que o livro de Jan Stocklassa revela sobre o assassinato de Olof Palme

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Foi com surpresa que Jan Stocklassa descobriu que Stieg Larsson, autor da saga Millennium, passou anos a investigar a morte de Olof Palme. Mais de 30 anos depois, pode ter encontrado nos arquivos do escritor as respostas para o acidente que abalou a Suécia em 1986. Revela-as num livro que já faz parte das provas da polícia na investigação ao assassinato do antigo primeiro-ministro sueco.

Siteg LArsson os arquivos secredos da sua aluciannte caca ao assassino de olof palme

Stieg Larsson: Os Arquivos Secretos e a Sua Alucinante Caça ao Assassino de Olof Palme

Jan Stocklassa
“Esta obra é o resultado de mais de oito anos de trabalho. Antes de começar, eu sabia mais ou menos tanto acerca do homicídio de Olof Palme como qualquer outro sueco comum, remetendo-me à fórmula empregue pela polícia e pelos políticos que queriam que o crime fosse «resolvido de um ponto de vista policial» e que o assassino se chamasse Christer Pettersson. Hoje, estou convencido de que está inocente.
A investigação dura, sem interrupção, há mais de trinta anos. Dez mil duzentas e vinte cinco pessoas foram ouvidas pelo menos uma vez. Mais de 130 pessoas confessaram o homicídio.
A minha obra não tem a ambição de dar uma imagem completa nem do homicídio nem da investigação. Concentra-se, antes de mais, nas pistas e nas teses que surgiram nos arquivos de Stieg Larsson e nas minhas próprias investigações, que são, naturalmente, as que eu considero como sendo as mais dignas de interesse.”

Os serviços secretos sul-africanos tinham interesse na morte de Olof Palme

Os factos são estes: Olof Palme morreu na noite de 28 de fevereiro de 1986 pouco depois de ter saído de uma sala de cinema com a esposa e o filho mais velho. Apesar de o primeiro-ministro sueco ter dispensado os seus guarda-costas nessa noite, quando se despediu, “o filho apercebeu-se de que se passava qualquer coisa atrás de si e viu um homem que seguiu os pais”, como refere o livro de Jan Stocklassa Stieg Larsson: Os Arquivos Secretos e a Sua Alucinante Caça ao Assassino de Olof Palme. “Uma outra testemunha reparou que um homem seguia o casal, acrescentando também que outros dois homens pareciam andar à frente do primeiro-ministro.” Pouco depois, o assassino disparava um tiro mortal sobre Olof Palme e atingia de raspão a mulher.

Apesar das várias teorias sobre a morte do antigo primeiro-ministro sueco, Jan Stocklassa revela que “Stieg [Larsson] parecia defender uma teoria que implicava os serviços secretos sul-africanos, apoiados por membros da extrema-direita sueca.” Isto, em parte, devido ao facto de “a comissão Palme [ter acabado] de lançar uma campanha contra os vendedores de armas que faziam negócio com o regime do apartheid.”


Olof Palme pode ter sido morto por um sueco que trabalhava para os sul-africanos

“Os sul-africanos tinham as capacidades para matar qualquer pessoa, mas para perpetuar um homicídio do outro lado do globo, numa cidade estrangeira, era necessária uma certa logística: é aí que a rede de [Bertin] Wedin no seio da extrema-direita sueca se pode ter revelado muito prática.” Esta era a grande teoria de Stieg Larsson (e que também veio a tornar-se a principal linha de investigação de Jan Stocklassa): alguém com ligações à extrema-direita sueca e aos serviços secretos de África do Sul pode ter servido de intermediário entre o assassino e a organização por trás do assassinato.

O nome de Bertin Wedin surgiu pelo facto de “ter trabalhado para diferentes serviços de informação, em particular com os sul-africanos, cuja implicação no homicídio de Palme já tinha sido levantada”, como explica o livro. Por esse motivo, Jan Stocklassa viajou para o Chipre para falar com o próprio – algo que a polícia não conseguiu fazer nos 33 anos que investiga o caso  – que negou o envolvimento no homicídio do primeiro-ministro sueco.


A polícia foi avisada de que alguém se preparava para matar Olof Palme

“Em janeiro de 1986, Ivan von Birchan [um antigo mercenário] tinha [comunicado] que alguém lhe tinha oferecido uma avultada quantia em dinheiro para matar Olof Palme.” Mais próximo da data do assassinato, “no dia 20 de fevereiro, outra pessoa depositou dois envelopes com um artigo de 1918 intitulado: «Morte do doutor Olof Palme»; a palavra «doutor» estava riscada.”

Estes factos alimentam a convicção de Jan Stocklassa de que a polícia não tinha competências necessárias para lidar com o caso. Aliás, o autor relata um estado de adormecimento total da população sueca na madrugada em que foi anunciada a morte do primeiro-ministro. Só assim se explica que o assassino tenha conseguido fugir “apesar de várias patrulhas de polícia nas redondezas” e que, inclusive, as balas tenham sido encontradas “por transeuntes, fora do perímetro de segurança.”


O assassino de Olof Palme provavelmente guardou a arma como troféu

Algo que nunca foi encontrado foi a arma do crime. “Um revólver de calibre Magnum 357”, como explica uma das cartas enviadas por Stieg Larsson e replicadas em Stieg Larsson: Os Arquivos Secretos e a Sua Alucinante Caça ao Assassino de Olof Palme. Para Jan Stocklassa, o facto de o assassino não se ter livrado da arma do crime significa que a mesma carrega consigo uma grande importância e significado: o de ter mudado o rumo da história da Suécia. Isto porque está convicto de que as pessoas que mataram Olof Palme acreditavam que este tinha traído a sociedade sueca (rumores de que o primeiro-ministro era, na realidade, um agente do KGB proliferavam entre a extrema-direita).

Para concluir, o autor afirma que “o revólver encontra-se, possivelmente, num cofre que pertence a Jakob Thedelin”. Jan Stocklassa conseguiu chegar a uma das principais pessoas de interesse na sua investigação através de uma rapariga que conheceu no Facebook. Por e-mail, Jakob Thedelin fez-lhe várias confidências, entre as quais que “sonhava matar Olof Palme quando tinha 12-13 anos”.

Por: Tatiana Trilho

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