James Rhodes: “A música clássica está cheia de idiotas”


“Abusaram de mim aos seis anos. Internaram-me num hospital psiquiátrico. Fui viciado em drogas e álcool. Tentei suicidar-me cinco vezes. Separaram-me do meu filho. Mas não vou falar disso. Vou falar de música. Porque Bach salvou-me a vida. E eu amo a vida.”

James Rhodes em Instrumental

 

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James Rhodes tem 42 anos e é natural de Londres. Depois de partilhar a sua traumática história de vida em Instrumental, o pianista clássico lançou um livro para os amantes do instrumento de 88 teclas: How to Play the Piano. Atualmente, vive em Madrid.

Instrumental é a sua história de amor com a música clássica. É sobre a forma como esta salvou a sua vida. Considera-se a prova viva de que a música tem o poder de nos curar?

Acredito que toda a gente é prova viva disso. Acredito mesmo. Não consigo pensar em nada mais universal do que a música. A vida sem música seria inconcebível e acho que qualquer um de nós tem uma relação com a música que vai além das palavras. Ajuda-nos quando estamos de coração partido, quando estamos felizes, e é a única coisa constante que está sempre aqui para nós. 

Acha que a música clássica está a ser desprezada pelas gerações mais jovens?

Não. Acho que as pessoas da música clássica é que estão a ser desprezadas e consigo perceber porquê. É muito difícil gostar das pessoas da indústria da música clássica, porque muitas delas querem mantê-la apenas para um certo tipo de pessoas, o que me deixa louco. Quanto à música em si, a maioria do público, no meu caso, é adolescente ou está na casa dos 20 ou dos 30, o que é fantástico. Os miúdos têm uma reputação tão má hoje em dia, mas na minha opinião são muito mais abertos do que nós. E, na verdade, deixámo-los com tanta merda para lidar que é um milagre que ainda nos respeitem.

Este livro é muito intenso e revelador. Foi difícil partilhar todas estas experiências pessoais com o mundo?

Foi muito difícil. Quando escrevi o livro não pensei que vendesse tantas cópias. E quase nem foi publicado porque houve uma grande batalha judicial que custou dois milhões de euros e demorou 18 meses. Foi de loucos, até foi parar ao Supremo Tribunal do Reino Unido. Quando ganhei e o livro foi publicado, foi uma experiência muito estranha ter pessoas a parar-me na rua ou no metro, pessoas que leram o livro e que sabem tanta coisa sobre mim. Mas eu sempre acreditei veementemente que precisamos de falar sobre certas coisas. Não apenas sobre música clássica, mas também sobre doenças mentais e abusos sexuais de menores.

Falou na batalha judicial que teve contra a sua ex-mulher [que tentou evitar que o livro fosse publicado, alegando que iria prejudicar o filho que têm em comum]. Tendo sido um processo tão extenuante, alguma vez considerou desistir do livro?

Pensei nisso, sim, porque a dada altura tornou-se tudo muito perigoso para mim. Mas se eu tivesse desistido estaria a abrir um precedente aterrador. Não apenas para mim, mas para todos os escritores, realizadores e músicos. Isso abriria a porta a qualquer pessoa que não gostasse de um livro ou que sentisse que um livro era “tóxico” – que foi a palavra que usaram contra mim. Não banimos livros no Reino Unido. Não fazemos isso, ponto. Foi uma longa e difícil luta, mas estou contente por a ter levado até ao fim.


“Fui usado, fodido, rebaixado, manipulado e violado desde os 6 anos. Repetidas vezes durante anos.”

James Rhodes em Instrumental

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O abuso sexual infantil é um dos temas centrais desta autobiografia. O que resta, hoje em dia, dessa experiência traumática?

A violação é uma grande parte do livro porque é uma parte de mim. É algo que ainda está muito presente e manifesta-se de várias formas estranhas e maravilhosas. Mas acho que é assim com qualquer pessoa que seja diagnosticada com qualquer tipo de doença mental, quer seja depressão, stresse pós-traumático ou ansiedade. É algo que está sempre ali, mesmo com medicação. Acho que é como ter diabetes: nunca nos veremos livres disso. Aprendemos é a viver com isso, se tivermos sorte.

Acha que este livro pode ajudar outras vítimas de abuso sexual? Era essa a sua intenção?

Eu sei que já ajudou outras vítimas. Não esperava que isso acontecesse, até porque não pensei que tantas pessoas lessem o livro. Já recebi muitos milhares de e-mails, não apenas de pessoas que já passaram por coisas semelhantes, mas também de pessoas cuja ex-mulher, marido, ex-namorado, filho, neto ou tio já passou por isso, e que me dizem: “Agora percebo muito melhor porque é que eles agem desta forma.” E este livro está também a ser enviado para prisões em Espanha, para ajudar na reabilitação dos reclusos, o que parece algo estranho. Mas também é maravilhoso se conseguir ajudar pessoas.

O James manteve-se em silêncio durante tanto tempo. Considera agora que falar sobre o que lhe aconteceu é a melhor coisa que poderia ter feito?

Sim. Temos de falar sobre isto. Não é algo fácil de fazer, mas acredito que é a única forma que temos de sobreviver a uma coisa destas.

Tendo em conta tudo o que encontramos neste livro, o que foi mais difícil de escrever?

Todos os acontecimentos da infância. Mas escrevi-os bastante rápido. Normalmente ficava acordado toda a noite a escrever, com café e cigarros. Só queria acabar aquilo. Mesmo quando tive de reler o segundo e terceiro rascunhos foi muito difícil, porque se tivesse escolha nunca falaria disso. É como quando nos partem o coração: se pensarmos nessa pessoa, dói. Tentamos não o fazer e distraímo-nos. Mas é importante falarmos sobre isso.


“Há a ideia muito errada de que existe uma ligação entre a loucura e a criatividade. Mas não é assim. Todos nós somos malucos. Todos.”


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Garante que Bach lhe salvou a vida. Consegue transportar-nos para o momento em que ouviu a música desse compositor pela primeira vez?

As coisas estavam muito difíceis nessa altura. Eu tinha 7 anos e encontrei uma cassete que tinha uma música de Bach. E na altura nem sabia o que era. Ouvi-a e lembro-me de que, imediatamente, algo mudou. Foi um daqueles momentos mágicos em que sentimos pela primeira vez que o mundo não pode ser 100% horrível se algo tão emocionante, bonito e bom existe. A música sempre teve esse efeito em mim. É a única coisa que nunca me desiludiu. Ouvir aquele tema e a forma como era tocado fez-me perceber que queria dedicar a minha vida à música. Foi a melhor coisa que me aconteceu.

Como começou a sua relação com o piano?

Lembro-me de me ter apaixonado pelos sons e pelo barulho das teclas, e lembro-me de haver uma sala com um piano na minha escola. Era um sítio seguro porque tinha um cadeado na porta e era onde eu podia estar imperturbável. Mas nunca fui muito bom. Quanto tinha 14 anos encontrei um bom professor, aos 18 anos já era bastante bom e ofereceram-me uma bolsa de estudo para um conservatório, mas não fui. Os meus pais não me deixaram. Achavam que eu devia ter uma carreira respeitável e ir para uma universidade respeitável. Por isso deixei de tocar durante dez anos – tal como um típico adolescente, disse: “Que se lixe. Já não vou tocar mais.” E depois, aos 28 anos, arranjei outro professor em Itália [Verona] e recomecei. Foram precisos cinco anos de trabalho muito intenso para me elevar a um nível que me permitisse tocar as músicas que eu queria.

O James tem muito em comum com os compositores que menciona neste livro – quase todos tiveram vidas muito turbulentas. Isso contribuiu, de alguma forma, para a sua relação íntima com a música?

Acho que há a ideia muito errada de que existe uma ligação entre o trauma ou a loucura e a criatividade. Toda a gente pensa que, se queres ser criativo, ajuda que sejas maluco. Mas não é assim. Todos nós somos malucos. Todos. Não interessa se trabalhas num banco, num supermercado ou se és atleta. Todos temos traumas: ou vimos os nossos pais divorciarem-se, ou tivemos um desgosto amoroso, ou vimos morrer pessoas de quem gostamos. O facto de estes homens terem conseguido compor e fazer o que fizeram, para mim não é porque tiveram uma vida difícil. É apesar disso. E é algo muito inspirador para mim. Diz-me que não interessa quão difícil a nossa vida é, podemos sempre fazer algo extraordinário.

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Disse que agora as pessoas o reconhecem por causa do livro. Incomoda-lhe o facto de que tudo aquilo que lhe correu mal na vida está agora a contribuir para o seu sucesso?

É desconfortável, por vezes. Mas por outro lado não quero que as pessoas só conheçam uma parte de mim. Somos muito bons a colocar máscaras e a fingir sermos de determinada maneira, mas acho que a vida é demasiado curta para isso. Eu sou sempre a mesma pessoa quando estou em palco, quando dou entrevistas ou quando escrevo um livro. A vida é mais fácil assim.

No início do livro, diz que espera que todo este processo o ajude a descobrir o que há de errado consigo. Já descobriu?

Não, quem me dera [risos]. Ainda estou a tentar. Tive muitos diagnósticos diferentes, vi muitos médicos, tentei muita medicação… Não sei qual é o meu problema.

Também diz, no início do livro, que se não descobrir o que há de errado consigo irá para Las Vegas gastar “uma pipa de massa” e, eventualmente, “dar um tiro nos miolos”.

Sim, isso agora é fácil de fazer na América.

Mas se a música já o salvou tantas vezes antes, em tempos tão difíceis, porque considera acabar com a sua vida agora?

Porque nunca se sabe… Talvez a música deixe de funcionar. Não posso tê-la como garantida. Talvez parta a mão e não consiga tocar mais. Ou talvez fique surdo, ou a minha carreira acabe, ou a minha namorada me deixe. As coisas podem tornar-se muito difíceis muito depressa. Não acho que possa sempre contar com uma só coisa para que tudo o resto fique bem. Mas espero que sim! Afinal, sempre funcionou até agora.

Quando e por que motivo decidiu escrever este livro?

Depois de um artigo que escrevi para o The Guardian, a editora em Inglaterra [Canongate Books] entrou em contacto comigo e disse: “Queres escrever uma autobiografia?” Inicialmente pensei: “Não, claro que não!” Achava que era demasiado novo. Mas depois pensei melhor e disse: “Sabem que mais? É uma grande oportunidade para escrever, com as minhas próprias palavras, sobre música, sobre o amor que tenho pelo meu filho e sobre coisas mais difíceis das quais é preciso falarmos.” E foi isso que fiz.

Este livro expressa muita raiva, grande parte dela dirigida a si próprio. A escrita ajudou-o no processo de recuperação?

Não, quem me dera. Foi quase o oposto, na verdade. Especialmente devido à batalha legal que se seguiu. Mas se pudesse voltar atrás, teria feito tudo da mesma forma.


“Um concerto é o único sítio onde podemos ir agora sem sermos atacados pelo Twitter, pelo Tinder, pelo Big Brother ou pela reality TV.”


James Rhodes dá música aos portugueses
O pianista britânico vai dar dois concertos em Portugal ainda este ano: a 13 de novembro, na Casa da Música, no Porto; e a 14 de novembro, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

Os compositores clássicos que menciona no início de cada capítulo são o fio condutor do livro. Já conhecemos essas referências musicais, mas quais são as suas principais influências literárias?

Oh, uau! Há tantos escritores que adoro. O Paul Auster, por exemplo. Continuo a achar que Mr. Vertigo e A Trilogia de Nova Iorque são dois dos melhores livros de sempre. E sem querer soar demasiado pretensioso, gosto de autores antigos como Émile Zola e Mikhail Bulgakov, que escreveu O Mestre e Margarita. Quando era miúdo, também era obcecado por Primo Levi e tudo o que tivesse a ver com o Holocausto. Mas, honestamente, leio qualquer coisa. Leio livros de espiões, thrillers criminais e todo o tipo de livros. Agora estou a viver em Madrid, por isso estou prestes a comprar o D. Quixote de La Mancha. Aparentemente é gigantesco [risos]. Vou demorar bastante tempo a lê-lo.

Depois de a música clássica ter salvo a sua vida, o James está a tentar salvar a música clássica?

Será que a música clássica precisa de ser salva? A música não, mas a indústria sim. Não estou a tentar salvá-la, estou apenas a fazer aquilo que sempre quis fazer: tocar piano e dar a conhecer ao máximo de pessoas possível esta música que tem tão má reputação, por culpa das pessoas que nela estão envolvidas. Toquei no Sónar, em Barcelona, e em todas as grandes salas de concertos, e faço sempre a mesma coisa: falo com o público, introduzo as peças e depois toco-as. Que é algo que mais ninguém faz e não sei porquê! Adoraria ver um pianista ou um maestro a chegar-se à frente no palco e a falar sobre as músicas antes de as tocar.

Porque, tal como disse no início, a música clássica está repleta de “adereços” e dirige-se a um tipo de público muito específico. Isso precisa de mudar?

Sim, tudo precisa de mudar, exceto a música. A roupa, a altura em que se aplaude, o tipo de salas em que tocamos, os horários dos concertos… É tudo tão antigo e sagrado. Que Deus te proíba de tossir, fazer algum barulho ou pegar no telemóvel para tirares uma fotografia… Pensas que as pessoas te vão esfaquear. A música clássica está cheia de idiotas. Por isso, sim. Tudo precisa de mudar. Eu visto calças de ganga porque me sinto confortável nelas. Falo com a audiência e mantenho as luzes no mínimo porque um concerto é o único sítio onde podemos ir agora sem sermos atacados pelo Twitter, pelo Tinder, pelo Big Brother ou pela reality TV. Não existem anúncios publicitários, por isso podes simplesmente fechar os olhos e desaparecer durante uma hora e meia. Precisamos disso mais do que nunca. E claro que não queremos passar pela porta e sentir que não somos bem-vindos. Isso acontece muito com a música clássica.

Dedica este livro ao seu filho, Jack. Quão presente está ele na sua vida, neste momento?

Muito! Quero dizer, ele vive noutro país [Estados Unidos], o que é difícil, mas vejo-o quatro vezes por ano e falamos a toda a hora. Mesmo quando ele não está comigo, é uma grande parte da minha vida.

Ele tem alguma noção das coisas que lhe aconteceram e que estão neste livro?

Sim, tem noção, mas de forma apropriada para a idade dele. Não sabe os detalhes sanguinários, porque não deve saber. Este não é um livro para crianças. Mas acho que ele e todos os miúdos aprendem algumas destas coisas na escola: os perigos da Internet, os perigos de falar com estranhos… Ele sabe que essas coisas me aconteceram quando eu era miúdo, que na altura não falei sobre isso e fiquei mal quando era adulto, que fui para o hospital ver uma data de médicos, que recebi ajuda e que agora já estou muito melhor. Acho que é bom ele saber essas coisas. Não falarmos sobre isso seria um grande erro.

Acha que hoje em dia as crianças têm falta de alguém com quem possam falar quando se sentem em baixo?

Sem dúvida. Temos de ouvir mais as crianças. E não apenas as palavras, mas a linguagem corporal e os comportamentos. Felizmente há muitos bons professores e instituições de caridade que fazem isso. Mas precisamos de ser mais vigilantes.


“Escrevia a toda a hora, às vezes durante 8 ou 10 horas de seguida. E muitas vezes pela noite fora.”


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O que faz desta autobiografia um bom livro?

Merda, não faço ideia [risos]. Sinceramente, não sei se é um bom livro. Já li muitos bons livros e este não está no mesmo patamar. A melhor coisa é a playlist do Spotify que lhe está associada, o que é ótimo porque as pessoas nem sequer precisam de comprar o livro. Não importa se as pessoas não compram o livro porque é demasiado caro, mas podem ouvir a playlist do Instrumental e ter acesso a algumas das melhores músicas alguma vez compostas. É grátis e pode transformar vidas para sempre.

Incorporar música no livro foi algo que planeou desde o início?

Não, foi algo que surgiu de repente. Dei por mim a pensar: “Porquê ter capítulos com títulos ou números? Por que não ter uma banda sonora, como nos filmes?” Dessa forma, as pessoas podiam ouvir a música em vez de apenas ler sobre ela.

Qual foi o último livro que leu e o que achou dele?

Chama-se You, é da Caroline Kepnes, e é absolutamente soberbo. Muito obscuro, é sobre um stalker, mas gostei imenso. Gosto de temas obscuros. E ela escreve muito bem, quem me dera escrever assim.

Quando estava a escrever o Instrumental, tinha alguma rotina de escrita?

Não. Nunca tive rotina. Estava era aterrorizado com a hipótese de não conseguir cumprir o prazo, por isso escrevia a toda a hora, às vezes durante 8 ou 10 horas de seguida. E, como disse, muitas vezes pela noite fora. As pessoas pensam que para escreverem um livro precisam de se sentir inspiradas, ter o computador certo ou a secretária certa. Basta sentarem-se a escrever. Se fizerem um mínimo de 1000 ou 2000 palavras por dia, todos os dias, em menos de nada têm um livro. Eu comprometi-me a escrever 2000 palavras por dia, no mínimo, e muitas vezes escrevia 5000 ou 6000. Em poucas semanas, já tinha o primeiro rascunho.

Quase tão simples como sentar-se ao piano e tocar.

Sim. É tão simples como isso. Não significa que saia alguma coisa de jeito, mas não é difícil escrever um livro. É difícil escrever um bom livro.

Que conselho daria a alguém que já passou ou está a passar por algumas das coisas que o James viveu?

Falem. Tenham cuidado com quem falam, mas falem. Muitas vezes os familiares são as piores pessoas para isso, mas existem instituições e organizações com quem podem falar anonimamente, 24 horas por dia. O mais importante, e o mais difícil, é começar a falar.

Que conselho daria a um aspirante a pianista clássico?

Toca apenas as músicas que adoras. Ignora as escalas e os arpejos porque são tão chatos e não precisas deles para nada. E encontra um professor de quem gostes. Toca porque gostas, não porque tens de o fazer.

Qual é a banda sonora da sua vida, neste momento?

Muda de hora a hora. A sério [risos].

Mas imagino que ouça muitas outras coisas além de música clássica.

Ah sim, claro. Lana Del Rey, Rufus Wainwright e até o novo álbum do Harry Styles. Não me julguem [risos]. Ouço um pouco de tudo, na verdade. Mas tem a ver com as melodias e harmonias. É sempre nisso que me foco. Talvez seja por isso que sempre adorei música clássica: porque não tem letra e podemos criar a história na nossa cabeça.

Planeia escrever outro livro, daqui a muitos anos, a refletir sobre a sua vida depois dos 40?

Talvez, se ainda estiver por aqui. Pergunte-me outra vez daqui a dez anos [risos].

Qual gostaria que fosse o título?

A Wild Adventure. Tem mesmo sido. A verdade é que quando tinha 7 anos ouvi uma música e pensei: “Adorava poder fazer isto.” Há miúdos que imaginam ser o Lionel Messi, jogar numa final e marcar o golo da vitória. Eu, quando era miúdo, imaginava tocar no Palau de la Música, em Barcelona. E agora já fiz isso. É de loucos. Não sei como aconteceu. Por isso tem sido uma aventura extraordinária.

Olhando para trás, e apesar de tudo, considera-se um sortudo?

Muito. Incrivelmente sortudo. Não significa que as coisas sejam fáceis, mas sou muito sortudo. Sem dúvida.


Por: Carolina Morais
Fotografias: Bruno Colaço/4SEE

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