Autor do mês: J. R. R. Tolkien, o inventor de idiomas que fez da guerra inspiração

J. R. R. Tolkien 

Naturalidade
Bloemfontein, África do Sul

Data de nascimento
3 de janeiro de 1892

Morte
2 de setembro de 1973

Apesar de nos ter deixado há quase 50 anos, obras inéditas de J. R. R. Tolkien continuam a ser publicadas em seu nome pelo seu filho, Christopher Tolkien.
A Queda de Gondolin, cuja ação decorre antes de O Hobbit ou O Senhor dos Anéis, é o exemplo mais recente e chega mesmo a tempo do Dia de Ler Tolkien, celebrado no dia 25 de março. É a altura ideal para relembrarmos o autor de um dos mais celebrados universos fantásticos através de seis histórias surpreendentes.

J. R. R. Tolkien foi raptado por um dia

Nascido na África do Sul, a 3 de janeiro de 1892, e criado em Inglaterra, para onde a família se mudou quando tinha três anos, John Ronald Reuel Tolkien viveu aventuras bem bizarras em criança.

Para começar, foi mordido por uma tarântula. Depois, o macaco de estimação de um vizinho comeu-lhe as roupas. Mas a mais estranha aventura foi provavelmente esta: em bebé foi temporariamente raptado por um dos criados da casa onde vivia, que nunca tinha visto uma criança branca. O empregado ficou tão fascinado com o bebé que acabou por levá-lo com o intuito de o mostrar à sua família. O desaparecimento não durou muito tempo. No dia seguinte, o criado “devolveu-o”.


J. R. R. Tolkien condenou C. S. Lewis por “comportamentos pouco cristãos”

Aos 12 anos, a mãe de Tolkien morreu, deixando-o (e aos irmãos) ao cuidado de um padre em Inglaterra. O ambiente religioso em que foi educado viria a desempenhar um importante papel na sua vida, ao ponto de o levar a terminar a amizade com aquele que era frequentemente apontado como o seu melhor amigo, C. S. Lewis, alegando que o autor de As Crónicas de Nárnia tinha começado a ter comportamentos pouco cristãos – nomeadamente pelo facto de ter começado a namorar com uma mulher divorciada. Apesar de mais tarde terem feito as pazes, a amizade nunca voltou a ser a mesma.


J. R. R. Tolkien inspirou-se na guerra para criar a Terra Média

Contra a sua vontade, Tolkien foi destacado para combater na Primeira Guerra Mundial. E atrevemo-nos a dizer que, se não fosse esta vivência, provavelmente não existiria O Senhor dos Anéis. Foi à luz das velas e debaixo de fogo que Tolkien escreveu os primeiros rascunhos sobre a Terra Média. Inspirou-se no que via ao seu redor. O Pântano dos Mortos de O Senhor dos Anéis, por exemplo, foi diretamente baseado no Norte de França depois da Batalha de Somme, em 1916.

Ainda assim, as primeiras histórias sobre elfos, trolls e anões só surgiram quando Tolkien regressou a casa para recuperar de uma febre intensa. Nesta altura, para Tolkien era claro que todos os homens desejavam o poder.  No entanto, bem no fundo, há em alguns uma força bondosa superior a essa sede de poder. Em The Dark Powers of Tolkien, David Day sugere inclusive que esta contradição humana é a mesma que encontramos em Frankenstein, de Mary Shelley.


J. R. R. Tolkien começou a escrever O Hobbit na folha de um exame

Depois de regressar da guerra, Tolkien começou a dar aulas. Foi professor na universidade de Leeds e em Oxford. Gostava tanto da sua profissão que dava quatro vezes mais aulas do que as que tinha sido contratado para lecionar. E foi enquanto estava a corrigir exames que a frase “Num buraco do chão vivia um hobbit” lhe veio à cabeça. Pareceu-lhe tão bem que rapidamente apontou aquela que viria a ser a frase de abertura de The Hobbit numa folha de um exame.

Curiosamente, e apesar do enorme sucesso alcançado por esta obra originalmente publicada em 1937, a verdade é que J. R. R. Tolkien chegou a admitir que só a escreveu para agradar os seus editores. Acrescentou: “Não aprovo muito O Hobbit. Prefiro a minha própria mitologia com a sua nomenclatura consistente.”


J. R. R. Tolkien não gostava dos nazis como os nazis gostavam dele

Tolkien divertia-se a criar novos idiomas. Além dos vinte que conhecia ou dominava, inventou cerca de 14 línguas e alfabetos para o universo da sua Terra Média. Reconhecia que estas linguagens serviam de base para as histórias que veio mais tarde a escrever.

Foi precisamente o conhecimento aprofundado do alemão e da língua nórdica antiga que o fez tornar-se popular junto dos nazis. No entanto, o sentimento não era mútuo. Tolkien considerava Hitler um ignorante, principalmente depois de a Alemanha ter pedido uma certidão da sua linhagem “ariana” para poder publicar a tradução germânica das suas obras. Em resposta, o escritor mencionou orgulhosamente ter vários amigos judeus.


J. R. R. Tolkien mandou gravar o nome Beren na sua lápide

Para Tolkien, a sua verdadeira obra-prima não era O Senhor dos Anéis nem O Hobbit, mas sim O Silmarillion, um livro de contos que até começou a escrever antes das duas obras pela quais é hoje mais conhecido. Tanto assim era que, quando O Hobbit se tornou um sucesso de vendas em poucos meses, Tolkien sugeriu que o próximo passo lógico deveria ser a publicação de pelo menos alguns contos de O Silmarillion. Mas os editores argumentaram que o público queria saber mais sobre os hobbits.

J. R. R. Tolkien manteve, contudo, uma tal paixão por algumas das histórias imaginadas em O Silmarillion que mandou inclusive que fossem gravados os nomes de Beren e Lúthien, um mortal e uma elfa que se apaixonam, respetivamente na sua lápide e na da sua mulher quando morressem. Foi isto que aconteceu.

Por: Tatiana Trilho
Fotografia: Facebook J. R. R. Tolkien

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