Autor do mês: 5 curiosidades sobre J. D. Salinger, o recluso autor de Catcher in the Rye

J. D. Salinger

Naturalidade
Nova Iorque, Estados Unidos

Data de nascimento
1 de janeiro de 1919

Morte
27 de janeiro de 2010

Nasceu no primeiro dia do ano há precisamente um século e escreveu um dos mais emblemáticos romances da literatura americana. Eis J. D. Salinger.

J. D. Salinger ambicionava ser ator

Embora se tenha tornado um dos nomes mais respeitados da escrita americana, Jerome David Salinger começou por se interessar numa arte bastante distinta: a atuação. Agradava-lhe de tal forma o teatro escolar que considerou seriamente seguir uma carreira como ator, mas o seu pai mostrou-se sempre contra esta opção e encontrou-lhe antes um emprego na indústria da carne. No entanto, Salinger sentiu-se tão repugnado pelas condições que encontrou nos matadouros que acabou por desistir (e posteriormente abraçar o vegetarianismo). Nesta altura também já escrevia algumas histórias, embora sem grande ambição de as publicar.


J. D. Salinger combateu no Dia D

Com a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, Salinger foi convocado para servir no exército do seu país e chegou mesmo a integrar as tropas que desembarcaram na praia de Utah no célebre Dia D. Curiosamente, outro escritor que marcou presença na Normandia – embora noutra praia e apenas como observador – foi Ernest Hemingway, com quem Salinger iniciou uma amizade que se estendeu além da guerra.

Quando não estava em ação J. D. Salinger desenvolveu a sua paixão pela escrita e até combateu na Batalha das Ardenas com as primeiras páginas de uma história bem guardadas na mochila. Eram as primeiras páginas do primeiro (e único) romance que haveria de publicar: The Catcher in the Rye.


J. D. Salinger refugiou-se para não ter de lidar com o sucesso

Altamente controverso para a época – ao ponto de ter sido censurado e banido vezes sem conta nos Estados Unidos –, The Catcher in the Rye foi publicado pela primeira vez em julho de 1951. O romance é narrado na primeira pessoa por Holden Caulfield, um adolescente amargurado que procura o seu lugar no mundo depois de ser expulso de um colégio privado.

Os leitores – e especialmente os jovens leitores – identificaram-se fortemente com este personagem, elevando-o ao estatuto de ícone do inconformismo adolescente, e como resultado, após uma primeira receção algo amena por parte da crítica, The Catcher in the Rye transformou-se num dos mais populares livros americanos de todos os tempos.

Com mais de 68 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo, The Catcher in the Rye marcou personalidades como Bill Gates e inspirou autores como Bret Easton Ellis e Stephen Chbosky a escreverem as suas mais célebres obras, mas J. D. Salinger não apreciou particularmente a fama obtida. Recusou todos os pedidos de entrevistas e aparições públicas, bem como todas as tentativas de adaptação do livro ao cinema, e refugiou-se para o resto da vida numa fazenda em Cornish, no estado de Nova Hampshire.


J. D. Salinger recusava que lhe editassem os textos

Apesar do colossal sucesso obtido com The Catcher in the Rye, Salinger não voltou a publicar um romance. Com o passar dos anos, a sua discrição tornou-se quase uma obsessão. Chegou a elogiar a “maravilhosa paz” inerente à não publicação dos textos que ia escrevendo. Até à sua morte, em 2010, publicou apenas contos e novelas, reunidos nos livros Nove Histórias, Franny e Zooey e Levantai Alto o Pau de Fileira, Carpinteiros e Seymour.

Salinger não era um homem fácil. E também não facilitava a vida à sua editora. Não só recusava qualquer espécie de publicidade como mandou retirar a sua fotografia de todos os livros. Também proibiu os editores de alterar ou rever qualquer palavra dos seus textos.


J. D. Salinger bebia a própria urina

Depois de se refugiar na sua fazenda, Salinger passou a ser visto como um artista excêntrico. A certa altura espalhou pela propriedade vários sinais que proibiam a entrada de visitantes. Chegou inclusive a ameaçar disparar contra pessoas que queriam falar com ele. Isto não impediu que mantivesse várias relações amorosas – quase sempre com mulheres com idades compreendidas entre os 14 e os 20 anos – e acabou mesmo por casar três vezes. De acordo com a sua filha Margaret, com o passar do tempo desenvolveu também o hábito de beber a própria urina, já que acreditava que esta ação tinha vários benefícios para a sua saúde.

Por: Tiago Matos

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