O Inferno de Dan Brown e outras grandes conspirações em livro

A chegada aos cinemas de uma nova adaptação de um livro de Dan Brown é a ocasião perfeita para viajar por outros romances que exploram conspirações da vida real.

Depois de O Código Da Vinci e Anjos e Demónios, eis nos cinemas um novo filme baseado num thriller de Dan Brown. Inferno marca o regresso de Tom Hanks ao papel de Robert Langdon, comandando um elenco que inclui nomes como Ben Foster e Felicity Jones. Esperam-se salas de cinema muito bem compostas, atendendo ao êxito alcançado pelos seus antecessores – Anjos e Demónios fez mais de 485 milhões de dólares em todo o mundo e O Código Da Vinci ultrapassou a impressionante soma de 750 milhões.

Originalmente publicado em 2013, Inferno é o quarto livro de Dan Brown protagonizado por Robert Langdon. Tem início com o reputado simbologista da Universidade de Harvard a acordar num hospital italiano, sem se conseguir recordar do que lhe aconteceu nos últimos dias. Na busca pelas memórias perdidas, depara-se com uma conspiração secreta que envolve a libertação de um perigoso vírus no mundo.

Há que reconhecer a capacidade que Dan Brown tem para estimular o nosso lado mais paranoico. Afinal, todos temos a leve suspeita de que por vezes nos escondem coisas. E que muitas das histórias que nos são contadas – nos jornais, na televisão, nos livros de História – não estão completas. E que as grandes conspirações globais não pertencem apenas à imaginação de pessoas mentalmente desequilibradas. Queres conhecer mais algumas?


E se o assassinato de JFK tiver sido planeado pela CIA?


O que se sabe

A data de 22 de julho de 1963 é uma das mais referidas pelos teóricos das conspirações. Neste dia, o presidente dos Estados Unidos, John F. Kennedy, foi morto com um tiro na cabeça enquanto desfilava de carro com a sua comitiva, na baixa de Dallas. Lee Harvey Oswald, um ex-marine de 24 anos, foi posteriormente acusado do crime, mas morreu dois dias depois, já na prisão, baleado por um homem chamado Jack Ruby. Declarou a sua inocência até ao fim.


O que se pensa

Muito parece ter ficado por contar nesta história e as teorias de conspiração não se fizeram esperar. Há quem diga que o culpado foi o KGB, outros apontam o dedo ao vice-presidente Lyndon B. Johnson. Don DeLillo oferece, por sua vez, a hipótese de que o assassinato de Kennedy foi pensado para falhar, tendo sido instigado por membros da CIA a fim de levar o governo a declarar guerra a Cuba. Encontra-se no seu romance Libra. Outro livro de ficção que explora a fundo este tema é 22/11/63, de Stephen King.


E se Adolf Hitler não tiver morrido em 1945?


O que se sabe

Antecipando a derrota na Segunda Guerra Mundial, Adolf Hitler ter-se-á refugiado no seu bunker, no dia 30 de abril de 1945, e ingerido uma cápsula de cianeto, fugindo à “humilhação” que seria a captura pelos Aliados. Ou então terá dado um tiro na própria cabeça. Não existem certezas, porque Hitler pediu que os seus restos mortais fossem queimados num jardim exterior do bunker, logo a seguir ao suicídio.


O que se pensa

Nos anos a seguir à guerra, muitos oficiais nazis que se pensavam mortos foram descobertos a viver em países como a Argentina. E se Hitler também tiver escapado? É o que Eric Frattini teoriza em Hitler Morreu no Bunker?, depois de analisar mais de duas mil páginas de documentos dos arquivos de FBI, CIA, MI6, KGB e outras entidades internacionais. Afinal, os seus restos mortais nunca foram encontrados, e o próprio Eisenhower reconheceu que não foi possível descobrir uma única prova da morte do líder nazi.


E se os golpes de estado forem comprados?


O que se sabe

A ideia de que os golpes de estado são muitas vezes ordenados por grandes corporações com fins puramente comerciais começou por ser uma simples teoria da conspiração, mas tem sido verificada nas últimas décadas, particularmente em países africanos. Ainda em 2004, o empresário inglês Mark Thatcher foi revelado como financiador de uma tentativa de golpe de estado na Guiné Equatorial, supostamente em conluio com o MI6 e a CIA.


O que se pensa

Frederick Forsyth trabalhou como repórter – e também, durante algum tempo, para o MI6 –, retirando daqui a inspiração para Os Cães da Guerra, um livro que explora o mundo secreto dos mercenários contratados por grandes figuras da banca internacional para derrubar governos. Publicado em 1974 e adaptado posteriormente ao grande ecrã num filme com Christopher Walken no principal papel, o livro dá a entender que estas estratégias são muito mais comuns do que se imagina, e adotadas por personalidades de todo o mundo.


E se o terceiro segredo de Fátima não tiver sido revelado?


O que se sabe

Do acontecimento que conhecemos como Milagre de Fátima resultaram três segredos supostamente revelados por Nossa Senhora de Fátima a três jovens pastores portugueses. Lúcia dos Santos, a única dos três que sobreviveu à infância, revelou publicamente os dois primeiros por sua própria vontade, mas teve de ser convencida pela Igreja a escrever o terceiro num documento que ficaria em segredo até junho de 2000. O Vaticano revelou, nesta altura, o texto que descreve uma espécie de visão infernal do mundo.


O que se pensa

Muitos pensam que o texto que foi revelado pela Igreja em 2000 não foi realmente o segredo que Lúcia escreveu, ou pelo menos não o segredo integral. Para esta opinião contribuem diversos fatores: o terceiro segredo esteve quase 60 anos na posse do Vaticano, que nunca demonstrou grande vontade em divulgá-lo; o conteúdo não é realmente um “segredo”, mas antes uma visão; e existem diferenças significativas na estrutura e linguagem utilizadas relativamente aos primeiros dois. Mas, a ser verdade, porque quereria a Igreja encobrir este assunto? Steve Berry arrisca uma hipótese no thriller O Terceiro Segredo.


E se o destino do mundo for decidido por um clube secreto?


O que se sabe

O clube de Bilderberg foi formado em 1954, reunindo anualmente alguns dos homens mais poderosos do mundo para uma conferência privada. A iniciativa nasceu com o objetivo de propagar o capitalismo, reforçando as relações entre a Europa e os Estados Unidos – regiões de onde provêm a maior parte dos participantes. Pelo clube já passaram nomes como António Guterres, Ricardo Salgado, José Sócrates, Durão Barroso e António Costa.


O que se pensa

O caráter privado destas reuniões tem levado ao desenvolvimento de inúmeras teorias. Muitas pessoas acreditam que é aqui que as elites decidem o destino do mundo. O jornalista lituano Daniel Estulin é uma destas pessoas, revelando as suas investigações sobre o tema em Toda a Verdade sobre o Clube Bilderberg. Partindo da realidade para a ficção está também Vito Bruschini, autor de Os Segredos do Clube Bilderberg, um thriller sobre o clube e um grupo de resistentes que quer descobrir a verdade.


Por: Tiago Matos

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