Inês Nunes Pimentel: “A mulher será a grande responsável pela mudança do mundo”

A autora do livro Vive a Tua Luz quer ajudar-te a viver a vida dos teus sonhos. Antes de mais, conhece Inês Nunes Pimentel nesta entrevista.

1507-1

É coach de transformação para o corpo, mente e alma. Sente-se hoje mais feliz e preenchida do que nunca?

Sem dúvida! Hoje vivo uma vida para além dos meus sonhos mais profundos. Sei que sou a única responsável pela minha própria realidade e, por isso, acordo todos os dias com a intenção de viver por amor e criar a melhor vida possível.

A transformação que ocorreu foi de dentro para fora. Quando nos comprometemos a apaixonarmo-nos por nós e a trabalhar ao nível do nosso corpo, mente e alma, tudo é possível.

Antes desta “nova vida”, formou-se em Ciências da Comunicação e trabalhou na área. Gostava do ritmo de trabalho ou nessa altura já se apercebia de que não era o seu caminho?

Comunicar sempre foi a minha paixão e o meu maior talento. Aos 17 anos, ainda sem saber as voltas que a vida iria dar, inscrevi-me no curso de Ciências da Comunicação. Aos 21, já trabalhava numa das maiores agências de comunicação em Portugal e, aos 22, liderava os meus próprios clientes. Gostava do que fazia? Sim. Mas era totalmente realizada? Não. Sempre soube que tinha um propósito maior. Queria fazer a diferença na vida das pessoas e contribuir para um mundo melhor.

Depois de três anos de trabalho intenso e sem férias, percebi que precisava de parar. Por essa altura, surgiu a oportunidade de ir para a Austrália durante alguns meses e foi aí que começou o meu processo de autoconhecimento, em que tive de sair totalmente da minha zona de conforto.

Como descobriu que sofria de uma doença autoimune?

Assim que cheguei à Austrália, comecei a sentir os primeiros sintomas – perda de período menstrual, falta de energia, cansaço, aumento de peso, tremores, ansiedades, etc. – daquilo que viria a ser diagnosticado como hipertiroidismo, mais tarde descobrindo-se que era uma doença autoimune chamada Graves.


Cada pedaço do meu ser estava a gritar por uma mudança e eu era a única pessoa que me podia ajudar.


ines6

Foi esse o “clique” para começar a mudar a sua vida?

Sim, acredito que esse tenha sido o meu despertar. Mas, como digo sempre, a minha jornada iniciou-se quando o universo apagou todas as luzes para que eu não tivesse outra escolha além de acender a minha própria luz. Além de estar a sofrer de uma doença autoimune que deixou o meu corpo totalmente intoxicado de comprimidos, estava a viver num país onde me sentia completamente sozinha e numa carreira que já não me inspirava. Nessa altura, percebi que tinha de aprender a amar-me e a assumir o controlo da minha vida, saúde e felicidade.

Desde então, embarquei numa verdadeira jornada de descoberta e autodescoberta. Tirei diversas certificações nas áreas de nutrição, saúde holística, yoga, meditação, espiritualidade, coaching e desenvolvimento pessoal. E tornei-me professora, comprometendo-me a partilhar tudo o que estava a aprender.

Quando batemos no fundo, a única hipótese é levantarmo-nos. Penso que o que me ajudou a recomeçar foi aperceber-me de que era a única pessoa responsável pela minha vida. Cada pedaço do meu ser estava a gritar por uma mudança e eu era a única pessoa que me podia ajudar.

Que efeitos imediatos sentiu com a entrada do yoga e da meditação na sua vida?

Sem dúvida que são ferramentas poderosíssimas na nossa jornada de amor-próprio e busca pelo equilíbrio. Todos os dias procuro incluí-las na minha rotina e é incrível como me sinto melhor depois de dedicar esse tempo a mim.

Cultivar estas práticas é uma das maiores provas de amor que podemos dar a nós mesmas. É dizermos ao universo: “Sim, amo-me! Sim, sou uma prioridade na minha vida! Sim, mereço ter este tempo para mim! Sim, quero cuidar de mim! Sim, quero evoluir e ser a minha melhor versão!”

Que países percorreu em busca de formação e inspiração?

Apesar de ser portuguesa, o mundo tem sido a minha casa nos últimos anos. Depois de viver temporariamente na Austrália, Singapura e Inglaterra, atualmente vivo nos Emirados Árabes Unidos. Sem dúvida que o mundo tem sido a minha maior escola. Toda a magia acontece quando somos capazes de sair da nossa zona de conforto e o facto de viver e viajar por tantos países faz-me estar constantemente a enfrentar novos desafios e a crescer.

Apesar de já ter viajado muito, a Índia foi sempre o meu chamamento. Sempre senti uma ligação espiritual a este país que nunca soube explicar. Todos os ensinamentos e experiências que vivi mudaram a minha forma de estar na vida. Quando nos tornamos vulneráveis e nos abrimos a tudo o que a Índia tem para ensinar, é quando a verdadeira transformação e crescimento pessoal acontecem. Nas minhas viagens, esse foi sempre o meu objetivo.


Transformarmos o corpo, mente e alma é o caminho para atingirmos a vida dos nossos sonhos.


Captura de ecrã 2018-04-16, às 11.55.04

Lançou recentemente Vive a Tua Luz. Ao fim de algum tempo a publicar vídeos e textos no seu blogue, porquê a decisão de lançar um livro?

Tal como todas as coisas especiais que já criei, Vive a Tua Luz não foi planeado. Todas as manhãs, antes de começar o dia, digo esta oração: “Estou aqui para ser o teu canal de luz, por isso diz-me onde queres que vá, o que queres que faça, o que queres que diga e a quem.” Depois rendo-me a uma força superior a mim e deixo-me ser guiada. Tudo o que faço na minha vida é o resultado dessa força superior a mim. Entre toda essa inspiração diária, surgiu Vive a Tua Luz. E depois de meses de dedicação nasceram 240 páginas de puro amor.

Que impacto espera que o livro tenha junto de quem o leia?

O maior impacto que espero, e que o livro já está a ter, é a perceção de que tudo está ao nosso alcance e de que é possível vivermos a vida dos nossos sonhos. Todas as respostas estão dentro de nós, apenas adormecidas por medos e inseguranças.

Os exercícios que criei ao longo do livro são fundamentais nesta jornada de autoconhecimento, pois vão fazer com que despertemos essas respostas. Acima de tudo, Vive a Tua Luz nasceu com o objetivo de poder partilhar cada vez mais ferramentas com mais mulheres para que se possam apaixonar por si próprias e viver a vida dos seus sonhos.

Acha que ainda existe algum preconceito ou ceticismo em relação ao coaching e a todo o tipo de “ciência” da alma?

Talvez ainda haja, mas para ser sincera é algo a que não presto muita atenção, pois acredito que cada pessoa tem o tempo certo para despertar. A verdade é que todos os dias sou inundada por centenas e centenas de mensagens de pessoas que se sentem inspiradas e já estão a transformar as suas vidas nas mais diversas áreas com as ferramentas que disponibilizo. É nestas pessoas e nestas transformações que me foco. Como se costuma dizer, quando o estudante está pronto, o mestre aparece!

Para uma pessoa que não acredite na eficácia de transformações do corpo e da mente, o que diria para a fazer mudar de ideias?

Acredito que cada um de nós tem o poder de criar a sua própria realidade. Transformarmos o corpo, mente e alma é o caminho para atingirmos a vida dos nossos sonhos. Afinal, todos a merecemos. É preciso mais alguma razão para mudarmos de ideias?


A sociedade diz-nos para sonhar, mas não demasiado. Diz-nos para termos objetivos, mas também um plano B, caso o plano A falhe. No fundo, somos programados para cultivar aquela voz de medo dentro de nós.


ines3

Acha que vivemos aprisionados às exigências da sociedade?

Sem dúvida! Vivemos numa sociedade que constantemente nos diz que temos de mudar, ser melhores, mais bonitas, mais magras, mais inteligentes, ter roupas mais caras, ganhar mais dinheiro, encontrar a nossa alma gémea, viajar pelo mundo e a lista poderia continuar eternamente.

A sociedade diz-nos para sonhar, mas não demasiado e sempre com os pés bem assentes na terra. Diz-nos para termos objetivos, mas também um plano B, caso o plano A falhe. Diz-nos para procurarmos uma carreira que nos faça felizes, mas para ter atenção às áreas que têm mais saída. Diz-nos para irmos à luta, mas sempre com precaução. No fundo, somos programados para falhar, para cultivar aquela voz de medo dentro de nós.

Será assim tão fácil mudarmos isso, tendo em conta que dependemos dos nossos empregos e de alguma estabilidade financeira?

Ao longo da nossa vida, vamos criando diversas crenças limitadoras, criadas pela nossa mente, medos e convenções da sociedade. A falta de dinheiro é uma delas. Quando pensamos em seguir a carreira dos nossos sonhos, o dinheiro é uma das principais desculpas que damos para não o fazermos. Por essa razão, pensarmos no que faríamos se o dinheiro não fosse um obstáculo dá-nos a resposta certa para aquilo que deveríamos estar a fazer.

Se não temos dinheiro, podemos começar por fazer algo ao fim de semana, enquanto ainda estamos no trabalho que nos dá um ordenado no final do mês. Eu, por exemplo, criei o meu blogue muito antes de me despedir.

Sempre me disseram que tinha uma estrelinha comigo, que era uma sortuda por conseguir realizar todos os meus sonhos. O meu único segredo é acreditar que o que quer que seja que quero na minha vida só depende de mim. Não culpo os outros, a crise, o tempo ou o dinheiro que tenho na conta. Vou à luta com tudo e, se não tiver de ser, é porque não tinha de ser e porque tenho algo melhor à minha espera.

No livro e no seu blogue fala sempre diretamente para mulheres. Por que motivo os seus conselhos não são dirigidos a homens?
Acredito que a mulher tem um papel fundamental na Terra e será a grande responsável pela mudança do mundo. Tal como afirmou Dalai Lama: “O mundo será salvo pelas mulheres ocidentais.” Eu não poderia concordar mais. As mulheres têm a capacidade de amar, ensinar, escutar, inspirar como mais ninguém e são um verdadeiro veículo de transformação.

As mulheres podem fazer a diferença na vida das suas comunidades e é por isso que a minha grande missão é “empoderar” mulheres. Juntas podemos mudar o mundo, uma pessoa de cada vez.

Apesar disso, sinto que o meu trabalho é dirigido à energia feminina. Embora alguns homens que têm a energia feminina bastante desenvolvida também se identifiquem muito com a minha mensagem.


Agora que comecei a escrever, sei que nunca mais vou parar.


Captura de ecrã 2018-04-16, às 11.54.50

Quais são os desafios de se ser mulher hoje em dia?

O principal desafio é ter de assumir tantos papéis: mulher, mãe, profissional, amiga… E, ao mesmo tempo, ter um papel tão importante na mudança e transformação do mundo. Apesar disso, acredito que se a mulher escolher usar toda a sua força e garra incomparáveis tem o poder de enfrentar e superar qualquer desafio.

Quais são as mulheres que a inspiram?

Vou ter de escolher a minha comunidade de soul sisters. Todas! Criei uma comunidade no Facebook chamada “Vive a Tua Luz – Comunidade de Soul Sisters” para que mulheres em todo o mundo se inspirem na sua jornada de transformação e desenvolvimento pessoal. Todos os dias recebo mensagens de transformação e superação. São elas que me inspiram a ser melhor todos os dias. 

Em termos literários, que autores mais admira?

Os autores que mais admiro são aqueles que têm tido um papel fundamental na mudança do mundo e transformado a vida de milhares de pessoas. Autores como Louise HayDeepak Chopra, Eckhart Tolle ou Marianne Williamson.

Qual foi o último livro que leu e o que achou dele?

Conversas com Deus, de Neale Donald Walsch. Foi um dos melhores livros que li e sei que vou reler muitas vezes. É um livro que nos relembra aquilo que a nossa alma já sabe.

Já pensa em escrever um próximo livro?

Claro que sim! Agora que comecei a escrever, sei que nunca mais vou parar. Passar todo o conhecimento e transformação que ocorre através de mim é o meu verdadeiro propósito de vida.

Ainda é tudo muito recente, mas já comecei a receber as primeiras mensagens que se vão traduzir no meu próximo livro. Não quero adiantar muito para já, mas sinto que será um aprofundar da minha jornada espiritual e os passos para um encontro com a nossa alma, a nossa verdadeira essência que tem todas as respostas.

Que título daria a um livro sobre a sua vida?

Tal como Vive a Tua Luz, sei que todos os livros que vou escrever vão sempre ser, em parte, autobiográficos. Mas sem dúvida que um dia, daqui a muitos anos, vou escrever “o” livro da minha vida. O título ainda me vai ser transmitido, pois sei que ainda tenho muito para viver.


Por: Carolina Morais
Fotografias: Love Is My Favorite Color

Gostou? Partilhe este artigo: