Hogarth Shakespeare: 7 livros que mantêm Shakespeare vivo

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É o projeto que quer manter William Shakespeare vivo. Chama-se Hogarth Shakespeare e já convidou sete autores contemporâneos a recriar sete obras do dramaturgo. Gillian Flynn será a oitava, publicando uma adaptação de Hamlet em 2021. Enquanto esta não chega, descobre as adaptações anteriores dos clássicos shakespearianos.

Há vários motivos pelos quais podemos gostar de uma história. A ação. As personagens. O autor. É praticamente unânime que William Shakespeare foi um dos maiores dramaturgos de todos os tempos. É até considerado o poeta nacional de Inglaterra. Talvez por isso, e aproveitando o embalo da celebração dos 400 anos da morte de Shakespeare em 2016, a editora Hogarth Press convidou vários autores contemporâneos a recriar algumas das obras mais emblemáticas do Bardo do Avon.

A mais recente a ser publicada em Portugal é a recriação de O Rei Lear, uma história em que o régio protagonista entra num estado de loucura depois de dar o trono a duas das suas filhasE quem melhor para readaptar esta tragédia shakespeariana do que o autor da série de Patrick Milrose, baseada na própria tragédia familiar de Edward St. Aubyn? Acabadinho de chegar à FNAC, Dunbar e As Suas Filhas reinventa o rei britânico no papel de um ex-magnata que foi (aparentemente) traído por duas das suas filhas e está agora medicado à força numa casa de repouso. Até que decide escapar.

Esta não é a primeira vez que um aclamado escritor contemporâneo reescreve Shakespeare. A iniciativa já contou com a colaboração de outros seis autores. Sabes quem são eles?


O-Intervalo-do-TempoEdição em inglês:
The Gap of Time

O Intervalo do Tempo

Jeanette Winterson

O Conto de Inverno foi uma das últimas peças de Shakespeare, mas a primeira a ser adaptada no projeto Hogarth Shakespeare. E é uma história especialmente querida para Jeanette Winterson. Ou não tivesse a própria também sido abandonada em bebé. “O Conto de Inverno tem um bebé abandonado no seu centro (…) Muitas vezes, a criança deixada à sua sorte torna-se a chave para o que acontece a seguir”, confessou num artigo que escreveu para o The Guardian. Em O Intervalo do Tempo, a autora escreve sobre um marido desconfiado de um caso entre a mulher e o melhor amigo. Mas a história começa com um bebé abandonado à porta de um hospital.



Shylock-e-o-Meu-NomeEdição em inglês:
Shylock is My Name

Shylock é o Meu Nome

Howard Jacobson

Talvez por ser judeu, o projeto Hogarth Shakespeare propôs a Howard Jacobson que adaptasse O Mercador de Veneza – obra conhecida pela personagem judaica Shylock – quando, na verdade, o autor de A Questão Flinker queria era recriar Hamlet. Em entrevista ao The TelegraphHoward Jacobson confessou que, quando andava na escola, “Shylock envergonhava os miúdos judeus”. Ainda assim, o autor adaptou a história com o título Shylock é o Meu Nome. Fala de uma amizade improvável. De dois homens que se conhecem num cemitério. Mas há quem diga que, na verdade, são o alter ego um do outro.



Amarga-Como-Vinagre
Edição em inglês:
Vinegar Girl

Amarga Como Vinagre

Anne Tyler

Anne Tyler já tinha admitido que não era fã de William Shakespeare. Tanto que, quando a iniciativa Hogarth Shakespeare primeiro a convidou para reescrever The Taming of the Shrewa peça do dramaturgo de que menos gosta, a autora recusou. Contudo, o facto de o enredo já estar construído fê-la mudar de ideias. Afinal, estava preocupada com o que ia escrever depois de O Carrinho de Linha Azul. A história tem, ainda assim, o toque pessoal da autora. Versão contemporânea de como “obrigar” uma jovem que não se quer casar a tornar-se a noiva ideal, Amarga Como Vinagre surge na forma de um casamento para obter um visto de residência.



Semente da bruxa
Edição em inglês:
Hag-Seed

Semente de Bruxa

Margaret Atwood

Ao contrário do que acontece com Anne Tyler, William Shakespeare é o escritor preferido de Margaret Atwood. Por isso, a autora de A História de Uma Serva não teve dificuldades em escolher a obra do dramaturgo que queria adaptar: A TempestadeA história de um duque que é traído pelo irmão e abandonado numa ilha com a filha durante 12 anos foi, desta forma, transportada para o século XXI através de um diretor de teatro que, 12 anos depois de ter sido traído por um amigo, tem a oportunidade de realizar o sonho de destruir o tal amigo. E colocar a sua versão de A Tempestade em cena… numa prisão.



O-Novo-AlunoEdição em inglês:
New Boy

O Novo Aluno

Tracy Chevalier

Tracy Chevalier encontrou semelhanças entre ela própria e Otelo, o protagonista da peça de Shakespeare que recriou a convite do projeto Hogarth Shakespeare. São ambos uma espécie de estranhos. De forasteiros. Otelo é um mouro “indigno” de casar com a filha de um senador veneziano. Que, aliás, o pai já tinha prometido em casamento a outro homem. E Tracy Chevalier ainda sente que é tratada como estrangeira por ter crescido nos Estados Unidos apesar de viver há 30 anos em Inglaterra. Em O Novo Aluno o forasteiro é outro: um aluno ganês que trava amizade com uma das alunas mais populares da escola. E há quem queira destruir esta relação.



MacBeth
Edição em inglês:
Macbeth

MacBeth

Jo Nesbø

É uma das peças mais conhecidas de Shakespeare. E a única que, até ver, manteve o título original no projeto Hogarth Shakespeare. Jo Nesbø descreveu-a como uma peça sobre o “dilema entre procurar poder por razões pessoais ou por idealismo” em entrevista à BBC. Uma temática intemporal que o autor dos livros protagonizados por Harry Hole transformou no que sabe fazer melhor: um thriller. Do Macbeth de Shakespeare, o general escocês que assassina o rei da Escócia para tomar o trono, para o Macbeth dos anos 70, o investigador que é instigado pela mulher a matar o chefe da polícia para se tornar diretor. E que acaba por perder o controlo sobre o que se passa à sua volta.

Por: Tatiana Trilho

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