O Hobbit: 80 anos do eterno viajante Bilbo Baggins

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No 80.º aniversário da publicação de O Hobbit, acompanhamos o protagonista, Bilbo Baggins, ao longo dos seus mais de 130 anos de vida. E de emocionantes aventuras.

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“Num buraco do chão vivia um hobbit. Não se tratava de um buraco húmido, sujo e desagradável, cheio de restos de vermes e com um cheiro repugnante, nem tão pouco de um buraco arenoso, nu e seco, sem nada para uma criatura se sentar ou em que comer: era um buraco de hobbit, e isso significa conforto.”

Este é o arranque de uma das histórias de fantasia mais aclamadas de sempre, O Hobbit, que celebra 80 anos neste dia 21 de setembro. Uma narrativa protagonizada pelo curioso, pacato, por vezes desastrado hobbit Bilbo Baggins.


O que são hobbits?

Seres de baixa estatura e pés peludos que habitam a Terra Média de J. R. R. Tolkien. São, segundo o autor, “familiares” do Homem, ou uma “variedade” diferente da raça humana.

 

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Esta é a casa de Bilbo Baggins no filme de 2012 realizado por Peter Jackson. O personagem é assumido pelo ator britânico Martin Freeman.

Bilbo Baggins: o início

Nasceu a 22 de setembro do ano 2890 da Terceira Era. Quando era jovem, Bilbo Baggins sentia-se especialmente feliz de cada vez que o velho e sábio Gandalf passava pela sua terra para partilhar histórias sobre dragões, goblins, príncipes, princesas e feiticeiros.

Essa curiosidade e ânsia de conhecer o mundo sempre fizeram parte de si, mas a vida nem sempre lhe sorriu. Após a morte dos seus pais, Bilbo fechou-se para o mundo. Habituou-se a viver sozinho. A estar sozinho. Era respeitado pelos restantes hobbits e precisava de muito pouco para se sentir satisfeito: uma casa arrumada, limpa, sossegada e boa comida (em abundância, de preferência).

Já tinha os seus 50 anos quando toda essa pacata vida foi virada do avesso. Baggins estava à porta de sua casa, a desfrutar de um cachimbo após o pequeno-almoço, quando Gandalf apareceu. “Não tenho tempo para soprar anéis de fumo esta manhã. Estou à procura de uma pessoa com quem partilhar uma aventura, e é muito difícil encontrar alguém”, desabafou o velho de longas barbas brancas. Lembrava-se perfeitamente do jovem Bilbo, faminto de partir à descoberta do mundo, e decidiu despertar novamente essa sua natureza.

Sem tempo para reagir, o protagonista viu-se subitamente com Gandalf e os treze anões que o acompanharam para o interior de sua casa. Serviu-lhes chá, café, bolo, scones, doces, tartes. E no fim, embora relutante, lá concordou em partir em direção à Montanha Solitária para recuperar o tesouro guardado pelo feroz dragão Smaug.

 

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5 curiosidades sobre O Hobbit
  • O livro foi publicado a 21 de setembro de 1937. As 1500 cópias dessa primeira edição esgotaram em dezembro do mesmo ano.
  • J. R. R. Tolkien trabalhava como professor de Literatura na Universidade de Oxford quando começou a escrever a obra.
  • Antes de ser publicado, O Hobbit passou pelas mãos de C. S. Lewis, autor d’As Crónicas de Nárnia, que adorou e aprovou a história.
  • Não existe uma única personagem feminina em O Hobbit. Apenas se refere, a certa altura, o nome da mãe de Bilbo: Belladonna Took.
  • O Hobbit já ultrapassou os 100 milhões de cópias vendidas, o que um torna um dos romances individuais mais vendidos do mundo.

 “As minhas histórias parecem germinar como um floco de neve perto de uma partícula de poeira.”

– J. R. R. Tolkien


O anel, o primo e as décadas de aventuras

Com meio século de vida, Bilbo Baggins viu e descobriu coisas com as quais tinha sonhado tantas vezes em criança. Ao longo da viagem com os treze anões deparou-se com trolls, elfos, animais gigantes e ainda uma bizarra criatura de nome Gollum, corrompida pelo poder de um mágico anel de invisibilidade, o mesmo que Bilbo haveria de encontrar e usar para escapar de várias situações perigosas.

Ao regressar a casa no final da missão (nota importante: com o anel), Bilbo Baggins volta a abraçar uma vida tranquila: a desfrutar do seu cachimbo, dos ovos, bacon e scones ao pequeno-almoço, e a aproveitar o tempo livre para ler e escrever poesia.

Mas o fim d’O Hobbit não significa, de todo, o fim de Bilbo Baggins. É que 60 anos depois, no dia do seu 111.º aniversário, Gandalf voltou a aparecer à sua porta. Bem-vindos à trilogia O Senhor dos Anéis.

O outrora aventureiro Bilbo Baggins vivia agora com o seu primo, Frodo Baggins, que no mesmo dia celebrava 33 anos de vida. Nesse dia de festa, Frodo herda o poderoso anel de Bilbo – que, a partir de então, assume um papel secundário – e Gandalf revela a Frodo (alguns anos depois) que o anel pertence ao terrível Sauron, que estava mais obcecado do que nunca em recuperar o seu bem.

Enquanto Frodo percorria o mundo à procura de um lugar seguro para esconder o anel, Bilbo Baggins abandonou a terra onde nasceu e mudou-se para a região de Rivendell. Foi aí que, durante décadas a fio, trabalhou nas suas memórias e aprendeu a linguagem dos elfos até, um dia, já com 131 anos, se juntar a Frodo, Gandalf e outros companheiros numa viagem de barco que os afastou da Terra Média.

Já não sendo o guardião do anel, Bilbo Baggins era um simples mortal – e o mais velho hobbit de sempre. Assim que o barco se fez ao mar, nunca mais se ouviu falar dele.


Por: Carolina Morais

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