A História de Uma Serva: distopia ou futuro?

Conhece o mundo onde as mulheres férteis são forçadas a conceberem filhos para outras famílias. Um mundo criado por Margaret Atwood e transformado em sucesso televisivo.

A América agora é diferente. As mulheres férteis não têm direito ao seu nome ou ao seu corpo. Não têm liberdade. Não podem escolher o que comer, onde ir, com quem ir. Não podem ler. São obrigadas a conceberem filhos para a elite estéril. São monitorizadas por “Olhos” do estado policial fundamentalista que outrora foi os Estados Unidos.

Defred é uma dessas servas. Veste-se diariamente – como todas as outras mulheres na sua condição – com um traje vermelho e uma touca branca que mal permite ver em redor. Vive na casa do comandante Fred Waterford e, todos os meses, submete-se a um ritual de procriação até conseguir engravidar e dar um bebé à família.

Mas há algo que fervilha dentro dela: deve continuar a seguir as regras da nova sociedade ou envolver-se numa rebelião contra o regime para recuperar o marido e a filha, de quem a separaram?

A resposta está em A História de Uma Serva, um dos livros mais inquietantes e aclamados da escritora americana Margaret Atwood. Apesar de ter sido originalmente publicado em 1985 regressou à ribalta o ano passado, a propósito da sua adaptação à televisão pela plataforma de streaming Hulu. O resultado é uma série galardoada com vários prémios Emmy e Globos de Ouro, protagonizada por Elizabeth Moss.

E tudo mudou com Donald Trump…

As gravações da série decorriam, em novembro de 2016, quando Donald Trump foi eleito Presidente dos Estados Unidos. E, subitamente, o modo como se olhava para a narrativa mudou. “O elenco acordou de manhã e pensou: ‘Já não estamos a fazer ficção. Estamos a fazer um documentário’”, revelou Margaret Atwood em entrevista.

Há quem diga que o mundo distópico de A História de Uma Serva não passa disso mesmo: de uma distopia, de ficção. Mas, na verdade, uma das regras de Margaret Atwood no momento da escrita – em plena década de 1980 – foi não escrever nada que não tivesse acontecido em determinado momento ou lugar.

“Todos os pormenores do livro têm precedentes na vida real. E a série segue a mesma regra – incluíram algumas coisas, como a mutilação genital feminina, que já aconteceram na realidade. As pessoas sabem que eu não inventei horrores como forma de entretenimento.”


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Por: Carolina Morais

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