Herman Koch: “Acho que o sentido de humor de Houellebecq é maravilhoso”

entrevista-exclusiva-estante-online-herman-koch

O holandês Herman Koch, autor do sucesso mundial O Jantar, revela o que o inspirou a escrever o polémico romance e confessa que acha “maravilhoso” o sentido de humor de Michel Houellebecq.

livro-o-jantar-de-herman-koch

O Jantar

É um sucesso um pouco por todo o mundo, encontrando-se publicado em 40 países e tendo vendido mais de 700 mil exemplares só na Holanda. Parcialmente baseado na história verídica de uma mulher queimada viva em Barcelona, a narrativa situa-se num luxuoso restaurante, onde dois casais conversam sobre trabalho, férias… e um ato extremo de violência executado pelos filhos de ambos. Através de um diálogo incómodo e provocador, revela-se um desejo quase obsessivo de manter as aparências e a segurança dos filhos, não olhando a meios para o atingir.

Que título daria a um livro sobre a sua vida?

Adiamento.

Quais são as suas principais influências e de que forma se manifestam no seu trabalho?

Gosto do estilo simples e natural dos autores russos do século XIX. Espero que o demonstre um pouco…

O que é para si um bom livro?

Quando, depois de o terminar, o queremos continuar a ler mas não nos sentimos vazios, como quando acabamos um Whopper.

Qual foi o último livro que leu e o que achou dele?

Submissão, de Michel Houellebecq. Acho que o sentido de humor dele é maravilhoso.

Como é a sua rotina habitual de escrita?

Começo depois de beber um café e ler o jornal. Paro depois de duas horas.

O primeiro rascunho faz-se à mão ou no computador?

Faço pequenas notas à mão, mas escrevo no mais leve e portável computador que existe no mercado.


“Gosto do estilo simples e natural dos autores russos do século XIX.”


Costuma planear todos os detalhes do que escreve ou deixa-se levar pelo momento?

Não planeio nada. Quero sentir-me tão surpreendido pelo que acontece como espero que o leitor o venha a ser.

Como lhe surgiu a ideia de O Jantar?

Começou com um evento real em que dois rapazes molestaram uma sem-abrigo. Os rapazes pareciam pessoas simpáticas. O que terá passado pelas suas cabeças? Foi esse o ponto de partida para o livro.

Já tem uma ideia para o seu próximo livro?

Tenho sempre uma única ideia para cada livro. Depois de O Jantar, foram publicados [na Holanda] outros dois romances. Estou agora a trabalhar num novo. A ideia ainda é segredo.

Qual é a pior parte de ser escritor?

Encontrar tempo para escrever.

Que conselhos dá a eventuais aspirantes a escritor?

Comecem. Não parem. Releiam. Recomecem.

Gostou? Partilhe este artigo: