Henry James: um homem entre dois mundos

henry-james-revista-estante-fnacImagem: Wikimedia Commons

Henry James morreu há 100 anos. Saiba mais sobre um dos mais célebres escritores da literatura transatlântica. 

Nascido em 1843 no seio de uma família abastada nova-iorquina, a infância de Henry James não foi vulgar. Foi educado, com os irmãos, tanto por tutores privados como em escolas, ganhando desde cedo acesso aos mais variados livros. No ano de 1855, partiu à aventura pela Europa com a família, tomando contacto com cidades como Paris e Génova. Esta viagem, que durou um ano, influenciou a decisão de se mudar para a Europa na idade adulta. Em 1869, com apenas 26 anos, estabeleceu-se em Londres.

O fascínio inabalável pela Europa é um tema recorrente na sua obra. Retrata com frequência o modo como os americanos, por ele considerados o suprassumo do progresso, tomam contacto com os europeus, símbolo das civilizações ancestrais. Retrato de uma Senhora, uma das suas obras mais célebres, pode mesmo ser comparada a um estudo de ciências sociais sobre as diferenças entre os dois continentes. Os Europeus é igualmente marcado por esta dicotomia.

Fascínio pelo oculto

Porém, uma das características mais fascinantes do escritor é o estilo literário altamente psicológico, que acabou por influenciar autores como Virginia Woolf. Henry serve-se de longos monólogos internos para assinalar as personagens não como narradores omnipresentes mas como humanos cujas consciências são difíceis de decifrar. A Fera na Selva e O Mentiroso são dois contos onde esta particularidade se encontra patente.

Por consequência, a vontade incessante de conhecer a consciência humana leva James a interessar-se profundamente pelo oculto. É importante realçar que no século XIX existia um grande fascínio por fantasmas, sendo estes considerados fenómenos sobrenaturais que podiam ser cientificamente observados. É neste contexto que escreve O Aperto do Parafuso. Apesar de o autor negar, acredita-se que a obra é baseada em fenómenos relatados por uma paciente de Sigmund Freud que sofria de alucinações idênticas às da personagem principal. O escritor publicou também uma coletânea de estórias de terror intitulada O Altar dos Mortos.

Morreu a 28 de fevereiro de 1916, deixando para trás uma obra que tanto nos faz viajar até à realidade histórica do passado como aos receios mais profundos da nossa mente.


Por: Joana Larsen

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