Hamlet

Hamlet no séc. XXI

No ano em que se comemora o 450.º aniversário do nascimento de William Shakespeare, a obra do dramaturgo volta a estar em destaque nos escaparates das livrarias e sobe aos palcos um pouco por todo o Mundo. A genialidade do autor e a singularidade humana de personagens como Hamlet tornam-no intemporal. 

“O Hamlet continua a surgir como exemplo maior da dramatização da angústia perante a perceção de uma adversidade”

 O projeto é ambicioso: a companhia de teatro britânica The Globe vai levar Hamlet, uma das mais famosas peças de Shakespeare, numa tourné mundial de dois anos. A estreia está marcada para o dia em que se comemoram 450 anos sobre o nascimento do dramaturgo, 23 de abril, em Londres, e a peça seguirá depois, por avião, comboio e autocarro numa viagem à volta do Mundo, que levará o príncipe da Dinamarca a 205 países e territórios.

A última atuação será a 23 de abril de 2016, data em que se assinalam quatro séculos sobre a morte do autor. 

A COINCIDÊNCIA DAS DATAS NÃO É POR ACASO
 William Shakespeare nasceu e morreu no mesmo dia, 23 do mês quatro.É pelo menos isso em que se acredita. A biografia do autor inglês é, toda ela,uma reconstrução frágil, marcada por algumas lacunas preenchidas com hipóteses que têm alimentado teorias várias ao longo dos tempos. Há quem questione inclusive a identidade do autor, duvidando que o ator e empresário possuísse tal domínio da língua inglesa e atribuindo a outros a autoria das suas obras. Aos estudiosos, as teorias mais ou menos conspirativas pouco importam. É o legado literário que Interessa. “Este autor vale acima de tudo pela sua obra e não pelas particularidades de um percurso biográfico. Para mim, tudo indica que essa obra foi escrita dominantemente pelo William Shakespeare que nasceu em Stratford-upon-Avon e se tornou homem do teatro na Londres do final do séc. xvi e do início do séc. xvii”, explica Rui Carvalho Homem, professor catedrático na Faculdade de Letras da Universidade do Porto e presidente da European Shakespeare Research Association. Algumas peças surgiram em colaboração com outros autores, como era costume na época, mas isso não é, por si, determinante. 

A INTEMPORALIDADE DE SHAKESPEARE

“A permanente atualidade do drama shakespeariano é um dos argumentos mais comuns para defender a relevância continuada deste dramaturgo e explicar o seu sucesso junto de públicos muito diferentes”, diz Rui Carvalho Homem. “Num cânone com mais de 30 peças, os exemplos abundam”, garante o especialista, “Othello ou o Mercador de Veneza surgem como demonstrações da capacidade do dramaturgo para dar voz às iniquidades na relação com o outro.” O mais recente Coriolano, que foi mostrado num palco nacional, “evoca formas de protesto urbano como o movimento Occupy – ou as manifestações na escadaria da nossa Assembleia da República”. As personagens dos dramas de Shakespeare são igualmente eternas. “O  Hamlet continua a surgir como exemplo maior da dramatização da angústia perante a perceção de uma adversidade”, explica Rui Carvalho Homem.

A VIDA E A OBRA
William Shakespeare

O poeta e dramaturgo inglês assinou 38 peças, 154 sonetos e vários poemas.

Nasceu Statford–upon-Avon, em 1564, e mudou-se para Londres entre 1585 e 1592. Foi na capital inglesa, durante o áureo período cultural da época vitoriana, que se tornou ator, escritor e empresário.

Casado com Anne Hathaway, com quem teve três filhos, era sócio da companhia de teatro Lord Chamberlain’s Men, mais tarde King’s Men. iniciou a sua produção teatral com a escrita de comédias românticas como Sonho de Uma Noite de Verão ou Muito Barulho por Nada.

Na década seguinte, aventurou-se nas tragédias e durante este período surgiram algumas das suas obras-primas: Romeu e Julieta, Hamlet, Rei Lear e MacBeth.

Gostou? Partilhe este artigo:

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *