Grandes Vidas Portuguesas em coleção

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Conhecer as figuras que fazem parte da História e da cultura portuguesa é essencial para os mais novos. Difícil é despertar-lhes o interesse.

Salgueiro Maia, Aristides de Sousa Mendes, Ana de Castro Osório ou Aníbal Milhais são nomes que ecoam na memória dos nossos pais e dos nossos avós. Para eles, cada um destes vultos simboliza de forma inequívoca a História de Portugal. Pela sua bravura, coragem e valentia, estas figuras são fundamentais para perceber as nossas raízes politicas, sociais e culturais. Mas será que hoje os mais novos ainda recordam estas célebres personagens sobre as quais construímos a nossa História? Foi a pensar nisto que a Pato Lógico Edições, em parceria com a Imprensa Nacional – Casa da Moeda, lançou a coleção de livros “Grandes Vidas Portuguesas”, dedicada a várias personalidades da História de Portugal. Para que os mais novos não percam pitada da nossa História.

Os símbolos da arte

“Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,/Não há nada mais simples./Tem só duas datas – a da minha nascença e a da minha morte./Entre uma e outra todos os dias são meus.” Acontece que Fernando Pessoa foi “o menino que era muitos poetas”. Autor de leituras que transcendem gerações, Fernando Pessoa foi sempre senhor do seu chapéu e do seu bigode, cuja história nos desvenda José Jorge Letria.

Nas artes plásticas não houve ninguém como Almada Negreiros. Pintor e escritor de excelência, fez parte da geração do movimento modernista português. José Jorge Letria caracteriza o pintor em Viva o Almada, PIM! como “um menino muito Grande com talentos de Gigante”, estando a sua arte e inspirações muito à frente do seu tempo.

O hino nacional faz parte da nossa cultura enquanto portugueses. Mas quem foi o compositor da célebre “A Portuguesa”, que vibra pelos quatro cantos do mundo? A resposta é Alfredo Keil. A obra escapou das mãos do seu autor no momento em que este a entregou ao público. Fora do conturbado período histórico do Portugal desse tempo, A Pátria Acima de Tudo é o relato por José Fanha do artista por trás do hino e da popularidade que o fez marchar.

“Vai-se o homem, fica a história.” Azeredo Perdigão, nome maior no desenvolvimento científico, artístico e educacional em Portugal, fica a dever a honra de presidente à Fundação Calouste Gulbenkian. Nas páginas de Um Encontro Feliz, António Torrado simboliza a amizade e a dádiva enquanto sentimentos capazes de mudar o mundo.

E os heróis da guerra

Aníbal Milhais. Soldado raso. Baixa estatura. A bravura valeu-lhe a alcunha de Milhões. Brilhante na Primeira Guerra Mundial, foi o herói português na Batalha de Lys. “Ali ficou, pronto para tudo, até para morrer por aquilo em que acreditava.” José Jorge Letria narra-nos a história de Um Herói Chamado Milhões, a coragem invulgar de um homem pequeno que elevou bem alto o nome de Portugal.

“Ana de Castro Osório teve a sorte e a liberdade de poder usar o seu tempo para pensar, escrever e ser útil à sociedade.” As histórias querem-se contadas e Ana de Castro Osório é o símbolo maior da luta pela conquista da igualdade de géneros em Portugal. Carla Maia de Almeida revela-nos A Mulher Que Votou na Literatura, que cravou a estaca da esperança no Portugal do seu tempo.

Aristides de Sousa Mendes foi a coragem encarnada da luta contra o autoritarismo do regime de Salazar. A sua bondade esbateu as fronteiras da Europa e graças à persistência, milhares de judeus foram poupados ao destino. “Tudo está agora nas minhas mãos, para salvar os muitos milhares de pessoas que vieram de todos os lados da Europa (…) Todos eles são seres humanos, e o seu estatuto na vida, religião ou cor são totalmente irrelevantes para mim.” A capacidade de entreajuda e união dão asas às palavras de José Jorge Letria em Um Homem de Coragem, enaltecimento a outro herói português.

“Era uma vez um capitão que aprendeu a fazer a guerra, mas que preferia a paz para poder ler, viver e ser feliz”. José Jorge Letria conta-nos ainda a história sem paralelo de Salgueiro Maia, O Homem do Tanque da Liberdade, célebre protagonista da Revolução de Abril. Porque os verdadeiros heróis não precisam de “distinções nem cargos, festejos nem ovações”.


Por: Pedro Venâncio

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