Gostas de Stranger Things? Vais gostar destes livros

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Não estaremos a ir longe demais se começarmos por dizer que Stranger Things foi a mais agradável surpresa da televisão americana em 2016.

Modesta nas aspirações mas ambiciosa na premissa, a pequena série criada pelos irmãos Matt e Ross Duffer e distribuída pela Netflix conquistou-nos ao remeter-nos à infância e – a alguns – à vida na década de 1980. É precisamente nesta década que se passa a história, mas é também a esta década que Stranger Things vai beber as suas principais influências.

Grandes fãs de Stephen King, mas também dos filmes de Steven Spielberg e John Carpenter, e ainda de séries de animação japonesas como Elfen Lied, os irmãos Duffer decidiram apostar todas as fichas numa série que mistura terror e ficção científica e que nos leva a uma cidade pequena do Indiana que se vê assombrada por dois eventos: o misterioso desaparecimento de um rapaz e o não menos bizarro aparecimento de uma rapariga com poderes telecinéticos.

Há muito mais do que isto, é claro, mas vamos abster-nos de spoilers e optar apenas por dizer que o acompanhamento perfeito para Stranger Things são os livros que aqui sugerimos. Experimenta e diz lá se não temos razão.

Sabe mais sobre este livro aqui.

It

Stephen King

É quase impossível falar de Stranger Things sem referir o nome de Stephen King. Isto apesar de a história nem sequer ser baseada num dos seus romances.

Tudo começou quando a candidatura dos irmãos Duffer à realização do remake de It foi rejeitada – alegadamente por falta de experiência. Matt e Ross não se deram por vencidos e deram início ao seu próprio projeto, mantendo o tributo às histórias de King. Deram à série o nome de Stranger Things e dotaram-na de inúmeras referências ao “Mestre do Terror”.

Repare-se: Eleven é uma espécie de Carrie, os rapazes comportam-se como os da novela “The Body” – adaptada ao cinema com o título Stand by Me – e até a fonte das letras no genérico foi inspirada na das edições americanas dos livros de Stephen King.

Um fã de Stranger Things que esteja interessado em perceber a razão deste fascínio dos Duffer deve começar por ler It. Tal como em Stranger Things, esta história começa com um desaparecimento e foca-se depois num grupo de crianças que procura descobrir o que aconteceu. Só que, em vez de um Demogorgon, os jovens heróis deparam-se com um Pennywise. Não conseguimos dizer qual seria preferível…


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A Rapariga que Sabia Demais

M. R. Carey

Stranger Things tem muitas personagens memoráveis – Joyce Byers, a inquieta mãe solteira do rapaz desaparecido; David Harbour, o chefe da polícia com um passado negro e problemas com o álcool; Dustin Henderson, o rapaz simpático com a língua presa e uma disponibilidade eterna para ajudar os amigos – mas aquela que mais se nos entranha terá de ser Eleven.

Foi esta a personagem que lançou a atriz Millie Bobby Brown para o estrelato, uma jovem com habilidades telecinéticas, um vocabulário quase inexistente e um apetite voraz por waffles, educada num laboratório e sujeita a experiências que roçavam o desumano.

Muito semelhante é a realidade de Melanie, a protagonista deste A Rapariga que Sabia Demais. Melanie tem 10 anos e um intelecto superior. No laboratório onde vive, é uma espécie de cobaia para os cientistas que procuram a cura para uma infeção que se espalhou pelo mundo. O cenário ideal para quem gosta especialmente da história de Eleven.


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Algo Maligno Vem Aí

Ray Bradbury

Mais um livro que nos recorda as aventuras de Mike, Dustin, Lucas e Eleven na primeira temporada de Stranger Things. Nesta fantasia negra de Ray Bradbury ninguém desaparece, mas Will e Jim, dois amigos com apenas 13 anos, também se aventuram na sua própria cidade e dão de caras com uma entidade sobrenatural inexplicável.

O Sr. Dark é muito diferente de um qualquer Demogorgon – é um homem misterioso e sinistro, coberto de tatuagens, líder de um circo ambulante –, mas detém um poder talvez ainda mais interessante do que o do antagonista de Stranger Things: o poder de conceder os desejos mais secretos de qualquer pessoa.

Em pleno Halloween, Will e Jim começam por se deixar levar pelas sedutoras promessas deste ser… mas a coisa não corre bem. Algo Maligno Vem Aí é um clássico que tem tudo a ver com Stranger Things, em especial por retratar o primeiro encontro de dois jovens com o irracional mundo da magia.


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Sete Minutos Depois da Meia-Noite

Patrick Ness

Sete Minutos Depois da Meia-Noite pode parecer, à primeira vista, não ter muito a ver com Stranger Things. Em vez de um grupo de crianças, temos um único adolescente como protagonista. Em vez de um rapaz desaparecido, temos uma mãe a lutar contra um cancro terminal. E em vez de um Demogorgon, temos um monstro com a aparência de uma árvore e uma apetência particular por histórias.

Apesar das diferenças, Sete Minutos Depois da Meia-Noite transporta-nos para o mesmo mundo de Stranger Things através de um estilo que nos leva a questionar a realidade, como um conto de fadas sinistro.

A história começou por ser escrita pela britânica Siobhan Dowd durante a sua própria doença terminal, sendo depois trabalhada por Patrick Ness, após a morte da autora. Fala-nos dos encontros noturnos entre um rapaz e um monstro, que trocam histórias com significados profundos. Foi adaptada ao cinema em 2016.


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Paper Girls

Brian K. Vaughan e Cliff Chiang

Esta série de banda desenhada, vencedora de dois prémios Eisner em 2016, também nos faz lembrar as aventuras do grupo de jovens que protagoniza Stranger Things. Só que aqui, em vez de um grupo de rapazes, temos um grupo de raparigas. E uma dose consideravelmente superior de surrealismo no enredo.

Erin, MacKenzie, KJ e Tiffany têm 12 anos e passam as manhãs a entregar jornais. Eis que, uma certa manhã, logo a seguir ao Halloween de 1988, se deparam com uma situação bastante estranha que envolve viagens interdimensionais, criaturas deformadas, extraterrestres, dinossauros e… talvez o melhor seja mesmo ler para crer.

A história é absolutamente louca e nem sempre fácil de compreender, mas o tom geral do enredo e o estilo das ilustrações provocam-nos uma nostalgia muito semelhante à de Stranger Things. Nesta série, como na série televisiva criada pelos irmãos Duffer, o foco da ação não está nos monstros, mas na relação entre as quatro heroínas. As “coisas estranhas” são um bónus.

Por: Tiago Matos

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