Autora do mês: Florbela Espanca, a trágica escritora que gostava de escrever poemas de amor

Florbela Espanca

Naturalidade
Vila Viçosa, Portugal

Data de nascimento
8 de dezembro de 1894

Morte
8 de dezembro de 1930

Florbela-Espanca-Revista-Estante-FNAC

No mês em que se celebram 125 anos do nascimento da poetisa revelamos algumas curiosidades sobre a conturbada vida de Florbela Espanca. 

Florbela Espanca só foi reconhecida pelo pai postumamente

Há 125 anos, no dia 8 de dezembro de 1894, nascia Florbela de Alma Conceição Espanca. São 125 anos celebrados com O Fado, um livro que reúne a sua poesia, mas nas vozes do fado.

Florbela nasceu de um relacionamento entre patrão, João Maria Espanca, e empregada, Antónia Conceição Lobo. Desta relação nasceria também o seu irmão, cuja morte, em 1927, se traduziu num duro golpe para a poetisa.

Por se tratar de uma relação extraconjugal, Florbela foi registada como filha de pai incógnito. E embora até tenha sido criada pelo pai após a morte da mãe, só postumamente foi reconhecida por este, um homem da burguesia preocupado com a sua imagem aos olhos da sociedade.


Florbela Espanca começou a escrever poesia aos 8 anos

Conhecida pelos sonetos, Florbela Espanca iniciou-se na escrita poética ainda muito jovem e desde sempre escreveu sobre amor (e desamor), sofrimento, saudade e solidão.

Foi em 1903, com apenas 8 anos, que escreveu o seu primeiro poema – porque, segundo a própria, já as coisas da vida lhe davam vontade de chorar e lhe tiravam o sono. O poema “A Vida e a Morte” e o soneto “A bondade, o som de Deus…” são os seus primeiros trabalhos conhecidos, reflexo da intensidade e angústia que haviam de marcar a sua curta vida.

A par da obra poética, Florbela Espanca apostou também na narrativa em diversos momentos ao longo da sua vida. Os dois livros de contos da autora, As Máscaras do Destino e O Dominó Preto, foram publicados após a sua morte e estão reunidos na coletânea Contos Completos.


Florbela Espanca foi casada três vezes

A depressão que atormentava Florbela desde a juventude agravou-se com o passar dos anos e dos insucessos no amor. O cupido não esteve do seu lado e os dois divórcios são prova disso.

Aos 19 anos casa com Alberto Moutinho, seu colega de liceu. Dessa época é conhecido Trocando Olhares, com contos e poemas, que hoje faz parte do espólio da poetisa na Biblioteca Nacional de Lisboa. Depois de um aborto e de um claro afastamento, a relação acabaria por terminar em divórcio em 1921.

No mesmo ano decide casar com António Guimarães, oficial de artilharia, que havia conhecido quando se mudou para a capital para estudar Direito na Universidade de Lisboa. Em 1923 um novo aborto e acusações de maus tratos ditam a separação do casal. Foi também neste ano que foi publicado o Livro de Soror Saudade, que confirmava a profunda tristeza da poetisa.

Já em 1925 contrai matrimónio com Mário Laje, um conhecido de longa data que havia de tornar-se seu amigo próximo. O último casamento da autora foi também o único de cariz religioso.


Florbela Espanca suicidou-se

Os desgostos, que começaram com a morte da mãe – e a quem dedicou o conto “Mamã!” –, marcaram os 36 anos de vida de Florbela Espanca. O primeiro livro publicado, Livro de Mágoas, já o deixava bem claro em 1919.

Os conflitos amorosos, a impossibilidade de conceção e a falta de aceitação pelos círculos literários mais exigentes ditaram muita da mágoa que pautou a vida da autora. No entanto, foi a morte do irmão, Apeles Espanca, que lançou Florbela para o abismo. Este momento infeliz inspirou-a a escrever o livro As Máscaras do Destino. Três anos depois, em 1930, precisamente no dia do seu 36.º aniversário, a poetisa desistiu de viver e suicidou-se com barbitúricos em Matosinhos, onde vivia com o marido, Mário Laje.

No último ano de vida, Florbela Espanca dedicou-se à escrita de um diário (Diário do Último Ano), o único que se conhece da escritora. Foi também neste período que privou com Guido Battelli, professor da Universidade de Coimbra, seu amigo e responsável pela publicação póstuma daquela que é atualmente vista como a sua obra-prima, Charneca em Flor, e do livro Juvenilia, ambos em 1931. No mesmo ano foi também publicado Cartas de Florbela Espanca a Dona Júlia Alves e a Guido Batelli.

Por: Inês Pereira

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