Nuno Markl: “A FNAC era uma espécie de Xanadu”

Lembro-me de uma descrição de Nuno Markl no exato dia em que nos conhecemos. Disse-me: “Se alguém lá ao longe atirar uma pedra a um grupo onde eu esteja incluído, é líquido que a pessoa em quem vai acertar serei eu.”

Lembro-me de me ter dito isto há 20 anos e, 20 anos passados, Markl parece-me igual. É esse o seu segredo, ser igual ao que sempre foi, indiferente ao sucesso, ao mediatismo, à notória evolução e ao génio apurado. Markl é o geek mais bem-sucedido de todos os geeks e, melhor do que isso, pode estar a iniciar uma nova tendência em que os geeks vão ser a next big thing. E, se querem saber, é bem possível que o sejam. Os geeks são desajeitados, são, mas também são interessados, aplicados, maioritariamente cultos e boas pessoas, inteligentes e esforçados. Podem ser desajeitados, podem, mas que importa isso? Nuno Markl responde a todas as perguntas numa entrevista que, estou em crer, será citada no mundo.

Entrevista por Fernando Alvim
Fotografias por Bruno Colaço/4SEE

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“O livro da minha vida é, sem dúvida,
Contos do Gin-Tonic.”

Antes de tudo, vale a pena dizer que estamos nos luxuosos escritórios onde Nuno Markl é agenciado. É um 12.º andar, perto das Amoreiras, sítio onde Markl nunca viveu.

Não, por acaso vivi na Rua D. João V, que não é muito longe daqui. Diria que foi a primeira casa para onde fui quando nasci. Era uma casa dos meus avós paternos.

Podíamos ser vizinhos, é isso?

Podíamos ter sido vizinhos… ou não, dado que vivi aqui entre os zero dias e talvez os 2 anos. Mas o mais incrível é que tenho uma memória da sala, do meu avô a fazer comigo um brinquedo que era… não sei se te lembras disto de quando eras miúdo, mas era uma placa branca com buraquinhos e depois tinhas uns pinos de cores e podias formar figuras espetando os pinos de cores nessa placa branca.

Não me lembro, sou mais novo do que tu.

Tu és mais novo. És um jovem, há que dizer.

E tenho também uma imagem que via de uma das janelas da casa da D. João V: aqui nas Amoreiras havia um placard de publicidade da Schweppes que me fascinava. Era muito avançado para a altura, porque aquilo mudava, mostrava uma imagem das Schweppes e depois rodavam as tabuinhas e mostrava outra imagem. Penso que foi o mais próximo do milagre de Fátima que vi na minha vida.

Disseste na apresentação da tua série, 1986, que é uma homenagem ao teu pai, em primeiro lugar, e depois um ajuste de contas com as tuas memórias e o teu passado. O teu universo, que é bastante diferente do meu, curiosamente…

Tu jogavas à bola e eu jogava Spectrum.

Tu és um bocadinho nerd e eu não sou.

Tu não tens nada de nerd.

Mas preciso de saber: preferes ser geek ou nerd?

Epá, nunca consegui perceber bem a diferença entre essas duas… Acho que nerd é capaz de ser mais depreciativo porque envolve inadaptação, enquanto um geek até pode ser um tipo que gosta só de certos produtos da cultura popular. Não sei bem se é esta a diferença ou não, mas tenho essa ideia.

Eu sou as duas coisas. Acho que sou um nerd geek ou um geek nerd… Agora, há uma característica que vês, por exemplo, nas personagens de A Teoria do Big Bang que eu não tenho: os tipos são génios a matemática e ciências. E eu era desastroso nisso. Por isso, sou tão inepto que nem como nerd ou geek sou alguma coisa de jeito.

A dada altura os chefs de cozinha tornaram-se autênticas estrelas de rock. Achas que poderá vir a acontecer o mesmo com os geeks?

Acho que já começa a acontecer, de certa maneira. Hoje em dia os putos inadaptados estão um bocado na moda por causa de Stranger Things, mas na verdade isto começou com Harry Potter, que fez com que acontecesse uma coisa extraordinária: de repente, os caixas de óculos eram incríveis e os miúdos que não tinham óculos desejavam ter miopia e estigmatismo para poderem ser como o Harry Potter.

Lembro-me de ver óculos à venda no Toys “R” Us – sem lentes, obviamente – para os putos usarem. E eu só pensava: “Poça, passei parte da minha infância a desejar não ter óculos e agora os miúdos compram óculos no Toys ‘R’ Us para serem iguais ao Harry Potter!”


Hoje em dia os putos inadaptados estão um bocado na moda por causa de Stranger Things, mas na verdade isto começou com Harry Potter.


Achas que o livro, enquanto objeto físico, vai ser destruído pela tecnologia?

Acho que não. Repara, os CD foram completamente à vida. Hoje em dia são mais obsoletos do que o vinil, que se tornou um objeto de culto, respeitável. Portanto, agora, na música, ou há o formato não físico ou o bom velho vinil. E o CD nem sequer é sexy nem nada, tornou-se só uma coisa que ninguém sabe onde há de arrumar.

Eu, entretanto, converti-me completamente a esses formatos não físicos. Tenho uma conta no iTunes e consigo comprar filmes não físicos que têm os mesmos extras que existem nas versões em blu-ray. Agora os livros… apesar de ter um leitor de e-books que é ótimo para levar para férias, falta sempre qualquer coisa.

Há qualquer coisa de incomparável no manuseio do livro em papel. É uma experiência sensorial muito complexa e detalhada. E por isso acho que é, de todas estas coisas, a única que irá existir sempre.

Na tua série dizes que o livro Contos do Gin-Tonic acabou por ser essencial.

Sim. Aquilo é verídico.

Uma professora ofereceu-to mesmo?

Uma professora de Português ofereceu-me o Contos do Gin-Tonic porque lia as minhas redações e achava que eram absurdas e às vezes com um toque surrealista. Um dia apareceu- -me com aquilo na aula e disse: “Olha, toma. Fica com isto porque acho que vais gostar muito.” E para mim foi uma epifania ler aquele livro. Fiquei completamente deslumbrado.

É um livro que ainda hoje me acompanha, assim como a sua sequela, Novos Contos do Gin. São daqueles livros que de vez em quando abro só para levar um banho de inspiração. Porque em qualquer página que se abram esses livros do Mário-Henrique Leiria encontra-se alguma coisa que nos vai fazer rir. São livros que me fazem genuinamente bem.

Achei que tinha de imortalizar esse momento na série porque é o momento em que decido começar a escrever humor. O momento em que essa minha professora me deu uma espécie de carimbo: “OK, este tipo se calhar consegue escrever alguma coisa com graça.”

Também te motivou, não foi?

Sim, aquele livro foi uma espécie de um diploma que me estimulou muito, obviamente.

Que outros autores te influenciaram?

Fui mais influenciado pelos audiovisuais do que propriamente pelos livros. Se bem que adorei ler Eça de Queirós na escola. Havia um livro do Eça de Queirós, Uma Campanha Alegre, que não fazia parte dos programas da escola, mas que li em casa e achei hilariante. E depois a minha cultura passou a ser muito mais audiovisual.

Obviamente, teve ali dois momentos mágicos: quando vi o Flying Circus, dos Monty Python, que passava na RTP2, nos anos 80; e depois em 1982, O Tal Canal do Herman José. Entretanto lembro-me de ter visto o filme Dr. Strangelove, do Stanley Kubrick, e essa santíssima trindade fez coisas explodirem aqui dentro.

Numa batalha até à morte, o livro da tua vida perdia com o filme da tua vida?

[Risos] É uma boa questão. O livro da minha vida é, sem dúvida, Contos do Gin-Tonic. Já o filme da minha vida não te consigo dizer exatamente qual é. Podia citar coisas tão diferentes como A Vida de Brian, Dr. Strangelove, Blade Runner… Prefiro que livros e filmes não lutem uns contra os outros e que tudo coexista em paz e harmonia [risos].

Ah, é verdade, há outro livro que adoro: À Boleia Pela Galáxia, de Douglas Adams. Ele chama àquilo uma trilogia em cinco partes – na verdade eram para ser três, ele escreveu mais duas mas continuou a chamar-lhe trilogia. É apaixonante: um épico e um tratado de comédia sobre os humanos. E boa ficção científica, também.


A santíssima trindade de Monty Python, Herman José e Stanley Kubrick fez coisas explodirem aqui dentro.


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“Há um projeto que adoraria levar para a frente,
que é o livro da série 1986.”

As redes sociais são uma coisa bonita ou achas que terão um lado perverso que pode vir a destruir o mundo?

Têm um lado perverso que pode vir a destruir o mundo [risos]. Acho que já passámos a fase da coisa bonita, embora ainda aconteçam coisas bonitas nas redes sociais. No meu caso, estive de relações cortadas com o meu Facebook público durante uns tempos, só usava o mais fechado, de amigos. Agora retomei, mas só como ferramenta de trabalho, para divulgar as coisas que estou a fazer ao público.

A ironia disto é que, num espaço de 48 horas, no verão, aconteceram duas coisas extraordinárias.

Uma: a minha mãe ligou-me um dia e falou-me de um sem-abrigo que estava no bairro dela, com o cão, e desabafou com ela. Perguntou-lhe se não queria ficar com o cão dele, porque ele tinha perdido a casa e nenhum abrigo em Lisboa aceitava animais – ele ainda não tinha descoberto, mas por acaso há um na Penha de França que aceita. A minha mãe disse-me: “Vê lá se no Facebook consegues arranjar uma solução para este senhor. Eu não posso ficar com dois cães, que é uma grande confusão.” Então pus fotografias do cão, contei a história dele no Facebook, e em poucas horas havia pessoas a dar teto e emprego ao senhor para ele não se separar do cão. Foi comovente, uma coisa linda de se ver.

Esta coisa linda coincidiu com a altura em que o João Quadros fez a piada sobre a Laura Passos Coelho. De repente, estava nas gravações da série 1986 e começo a receber no Facebook mensagens que diziam: “Ah! Não dizes nada sobre o teu amiguinho, não é? Todos feitos uns com os outros!” E percebi que estava a ser insultado por algo que outra pessoa tinha feito. Então fiz umas férias de Facebook. Consegui ter demonstrações de quão boas e quão más podem ser as redes sociais ao mesmo tempo.

As pessoas adoram falar de futurismo. Eu, particularmente, gosto muito. A nível de tendências, o que achas que aí vem? Os geeks vão ser a grande moda, não é?

Exato. Finalmente vão ser olhados de uma maneira sexy.

Será que vão ser os próximos hipsters?

Não sei se chegará alguma vez a esse ponto. Mas está um bocado na moda esta questão do tipo que está mais deslocado. O que é estranho, porque eles assim vão tornar-se adaptados.

Mas pode haver coisas justamente para os adaptar. Sei lá, o José Rodrigues dos Santos pode lançar um romance para geeks.

[Risos] Sim, ele está sempre atento.

Pode haver As Cinquenta Sombras de Grey para nerds.

As Cinquenta Sombras de Geeks, sim.

Um Código Da Vinci para geeks.

Sim, sim. Mas não sei, às vezes olho para tudo isto de uma maneira muito catastrofística e apocalítica. Acho que nada de bom pode vir do futuro. Tenho esse lado bastante negro porque vejo toda a gente a odiar-se nas redes sociais.

No outro dia vi um texto muito bom, uma crónica do Rui Tavares, em que ele dizia que tinha caído um pedaço do Templo de Diana, em Évora, e que isso não tinha gerado ódio nenhum. Ele comparava estas notícias com outras que envolvem alguém para odiar e dizia que as pessoas estão muito sedentas de odiar, mais do que de amar, nas redes sociais. Gostar não é uma coisa que dê muito gozo às pessoas. Olhar para algo que correu bem não é nada de especial. Em vez disso, se há uma coisa que corre mal e as pessoas sabem que há alguém em quem bater, gera-se um linchamento de grupo extraordinário e as pessoas deleitam-se com isso.

Acho que quando as pessoas tentam convencer-se a si mesmas de que estão a ser justiceiras ao desatarem a bater num alvo, na verdade só estão a ser justiceiras para elas próprias, no sentido de “finalmente estou aqui integrado no grupo que está a espancar aquele tipo”. E acho que tem tudo a ver com egos. Não tem nada a ver com uma ideia de fazer o bem ou o que quer que seja.

Por isso é que acho, às vezes bastante desencantado, que as redes sociais, com o seu conceito social e de amigos, acabaram por afastar as pessoas mais do que nunca. Agora tento olhar para as redes sociais mais como uma ferramenta de divulgação de trabalho. E tento não arranjar sarilhos. Arranjei muito sarilho nas redes sociais, de vez em quando escrevia opiniões que obviamente iriam lançar polémica. Mas depois era tão desgastante ver as guerras que isso começava que comecei a pensar: “Se calhar eu próprio estou a cultivar esta ideia de que no ódio é que está a virtude.” Portanto agora estou muito mais low profile.

Mas acabaste por não me responder à pergunta sobre as tendências que antevês.

É uma boa questão… Que tendências poderão vir? Eventualmente o fim do mundo [risos].

Se calhar posso fazer-te a pergunta ao contrário: que fenómenos inexplicáveis da cultura destacarias nos últimos 20 anos?

Os fidget spinners [risos]. Sabes o que é? Entretanto já passou de moda, mas é aquela coisa que os miúdos põem a andar à roda.

Ah, sim! Também me questionei muito sobre isso. Mas porquê?! E já desapareceu, claro.

Foi muito rápido e parece que ninguém ganhou muito dinheiro com isso. Porque houve um tipo que os criou, mas acho que não os registou. Então começaram a aparecer milhões de marcas diferentes. Cada uma delas é capaz de ter ganho um bocadinho de dinheiro, mas o tipo que inventou aquilo, na verdade, coitado…

Essa foi uma. Não sei se te lembras daquela pulseira que se dizia que…

A pulseira Tucson do nosso amigo António Sala, é verdade! Dizia-se que fazia bem a todo o corpo. Outro fenómeno inexplicável foi a transformação de Maria Vieira. Ainda não sei bem o que se passou ali à Parrachita.


Lembro-me de quão esmagador foi o meu primeiro contacto com a FNAC. Lembro-me de ficar com vontade de urinar – como fico sempre quando entro numa loja que tem demasiada oferta de coisas que gosto.


Que memórias guardas em relação à FNAC? Lembras-te do primeiro livro que compraste? Da primeira coisa que roubaste?

Não roubei nada. Mas tenho algumas histórias interessantes com a FNAC. Lembro-me de quão esmagador foi o meu primeiro contacto com a FNAC, porque havia um grande hype quando abriu no Colombo e era de facto um mar de livros, filmes e CD. E lembro-me de ficar com vontade de urinar – como fico sempre quando entro numa loja que tem demasiada oferta de coisas que gosto.

Isso é verdade?

Eu vejo muita oferta e fico com vontade de urinar. Suponho que seja uma coisa de família. A minha irmã [Ana Markl] também fica com vontade de urinar em sítios cheios de boa oferta. Mas depois passei a fazer lá a minha vida. De todos os DVD que tenho, uns bons 70% foram comprados na FNAC.

Alguma vez fizeste alguma reclamação?

Não, não. Fiz-lhes um pedido, uma vez, e eles realizaram esse meu sonho: estar deitado no chão da FNAC com a FNAC já fechada e em silêncio total. Foi uma experiência meio louca, porque estamos habituados a que ali dentro haja ruído, ecrãs acesos, música a tocar aqui e ali, jogos a acontecer.

Lembro-me que foi na sessão de autógrafos do primeiro livro da Caderneta de Cromos. Ficámos lá até muito tarde e, quando saiu o último cliente, era tardíssimo e as máquinas já estavam todas desligadas…

Que horas eram?

Devia ser uma e tal da manhã. O centro comercial já tinha fechado há que tempos. Eu disse-lhes: “Epá, deixem-me só realizar o meu sonho de, agora que a loja está vazia, deitar-me no chão da FNAC.” E há uma fotografia minha, eu no meio de toda aquela cultura pop e não só, estendido no chão. Foi uma experiência muito zen.

Reconheces o papel da FNAC em facilitar o acesso à cultura pop?

Sem dúvida. A oferta era, de facto, incomparável. Lembro-me que tínhamos de ir a livrarias comprar livros, a lojas de discos comprar discos, a videoclubes buscar filmes, e de repente estava ali tudo concentrado num sítio. Era uma espécie de Xanadu, uma espécie de paraíso. Foi importante a esse nível, como agora é importante também ao nível dos aspiradores e robôs de cozinha.

Que coisas te lembras de teres comprado na FNAC?

Às vezes saía de lá muito carregado de DVD e livros. Ah, e comprei lá uma parte considerável do meu equipamento de som. E um gira-discos, quando decidi que queria voltar ao vinil.


A FNAC realizou um sonho meu: estar deitado no chão da loja com esta já fechada e em silêncio total.


Os vídeos virais estão cada vez mais curtos. Será que estamos perto de termos livros virais cada vez mais pequeninos?

Sim, uns folhetos [risos]. Não sei. Acho que vivemos numa era bastante deprimente, no sentido em que as pessoas têm muito pouca disponibilidade para ler mais do que 140 caracteres – ou agora parece que são 280 no Twitter. Quando escrevo um post no meu Facebook com mais do que cinco linhas, aparece sempre alguém a dizer: “Eish, ganda seca! Vou agora ler isto?” Se as pessoas reagem assim com posts de Facebook, imagina o que será com livros. O que é bastante triste.

Mas acho que há sempre pessoas a ler livros, nem que sejam os bestsellers do Dan Brown ou do José Rodrigues dos Santos. As pessoas que querem ler só meia dúzia de linhas se calhar mantêm-se na net e nas redes sociais.

Gosto dessa ideia. Qual foi o último livro que compraste ou a última pessoa que descobriste que gostas de ler?

Olha, li dois maravilhosos em simultâneo, e com temáticas bastante parecidas. Um deles foi The Tao of Bill Murray. Foi um jornalista que resolveu fazer uma recolha de todas as histórias míticas que se contam sobre o Bill Murray. Há algumas maravilhosas e parece que são verídicas, como a de ele abordar estranhos na rua, pondo-lhes as mãos nos olhos, e depois as pessoas viram-se e é o Bill Murray. Também houve um dia em que ele foi carteirista, mas ao contrário: meteu a mão no bolso de um tipo e meteu-lhe lá 20 dólares [risos]. Depois disse-lhe: “Ninguém vai acreditar em si quando contar isto às pessoas.”

Depois, ainda dentro da temática cinematográfica, li uma coisa que se tornou comovente a posteriori, que foi Os Diários da Princesa, da Carrie Fisher, que faz o papel da princesa Leia no Star Wars e era uma pessoa com um sentido de humor muito sarcástico e ácido sobre Hollywood e a vida no geral. É muito interessante.

Também te devo dizer que li um livro de biologia que fez com que agora tenha problemas em comer polvo. Chama-se The Soul of an Octopus [Sy Montgomery], foi considerado um dos melhores livros do ano e é maravilhoso. É sobre uma bióloga que explica porque é que não devíamos comer polvo. Eles são incríveis, seres inteligentíssimos, afetuosos até com os humanos, criaturas supercuriosas…

E bastante saborosos.

Eu também achava que sim. Adoro arroz de polvo. Mas agora tenho pruridos em comer polvo. Porque eles são incríveis, pá, são incríveis.

Não vou ler esse livro.

É melhor não leres se queres continuar a comer polvo [risos]. São incríveis, quase criaturas extraterrestres. Ela conta que estudou uma “polva” com quem conseguiu criar um laço de afeto quase como se tem com um cão. O amor e o entusiasmo que havia, a alegria com que a “polva” ficava quando a via e a tristeza com que ela ficou quando a “polva” morreu. Está muito interessante, muito bem escrito. E recebeu uma quantidade de prémios e referências.

Quando vais escrever um próximo livro? Será sobre quê? Ah, e tens de falar da tua série, claro.

Até posso juntar tudo na mesma resposta, porque há um projeto que adoraria levar para a frente, que é o livro do 1986. Adorava fazer isso com a mesma equipa que escreveu a série comigo, que é a minha irmã, o Filipe Homem Fonseca e a nossa consultora histórica, que é a Joana Stichini Vilela. Adorávamos fazer um livro ilustrado que mergulhasse no universo da série e explorasse as personagens que não tivemos ocasião de explorar na série. Em termos de projetos próximos, esse é o que tenho mais interesse em levar para a frente: 1986, o livro.

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