Fenómeno Ferrante: a consagração em 2016

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“Os livros, uma vez escritos, já não pertencem aos seus autores”, escreve Elena Ferrante no prefácio de um dos seus livros.

A declaração é especialmente pertinente se considerarmos que o seu nome não passa de um pseudónimo e que, embora existam diversas teorias – Anita Raja e Domenico Starnone são hipóteses –, a identidade da escritora permanece em segredo.

Autora de uma dezena de livros, Ferrante é conhecida sobretudo pela tetralogia de Nápoles, que acompanha as vidas de duas amigas e é composta por A Amiga Genial (2011), História do Novo Nome (2012), História de Quem Vai e de Quem Fica (2013) e História da Menina Perdida (2014).

O ano de 2016 foi o da consagração: não só foi nomeada para o Man Booker International e eleita uma das 100 pessoas mais influentes do mundo pela Time como subiu aos primeiros lugares nas listas de vendas em Portugal, conquistando críticos e leitores e chegando inclusive a ser recomendada pelo atual Presidente da República.

A Amiga Genial dá um retrato da evolução da relação entre duas amigas e, no fundo, de uma geração ao longo de décadas.” – Marcelo Rebelo de Sousa

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Lídia Pereira
Livreira na FNAC NorteShopping

Como se explica o sucesso de Elena Ferrante?

A meu ver, deve-se a um passa-a-palavra, à atenção que os média dão a um(a) autor(a) de quem se desconhece a verdadeira identidade, e até às comunidades de leitores. O mistério pode ter despertado a curiosidade, mas não foi o verdadeiro impulsionador do sucesso.

O que faz da tetralogia de Nápoles uma série tão popular?

A forma como a história é contada, na primeira pessoa, num ritmo inebriante, agarra-nos logo no início de A Amiga Genial. Hipnotizante, empolgante, com personagens tão bem construídas, de que falamos apaixonadamente.

É a história de duas amigas, Lenú e Lila, da infância à velhice, tendo como pano de fundo a pobreza, a política e a criminalidade em Nápoles no final do século XX. Em plena era digital, o impacto desta tetralogia no mercado livreiro resultou num grande reconhecimento, que levou a vendas em vários mercados – incluindo o dos Estados Unidos, que não aposta tanto em autores de língua não inglesa –, tornando-a um longseller.

A HBO, produtora de A Guerra dos Tronos, adaptará a tetralogia a uma série televisiva, com previsão para este ano.

A que tipo de leitores recomendaria Elena Ferrante?

Recomendaria a todos que queiram ser transportados para dentro de uma história tão rica e poderosa e que queiram conhecer uma escritora genial. Também recomendaria a todos que gostem de filmes neorrealistas italianos, como os de Vittorio De Sica e Luchino Visconti.

Por: Tiago Matos

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