Fantasia romântica: A paixão por vampiros e outros seres

Os livros de fantasia romântica têm conquistado, nos últimos anos, a admiração de uma grande comunidade de fãs por todo o mundo. Saiba mais sobre o género.

Em comemoração do 10.º aniversário de Crespúculo, fenómeno que tomou de assalto o mundo literário e conquistou o coração de milhares de leitores, a escritora norte-americana Stephenie Meyer anunciou o lançamento de Vida e Morte, uma edição especial do livro que reinventa a história do casal protagonista. Nesta, os personagens trocam de género, passando a apaixonada humana Bella a chamar-se Beau e o vampiro Edward a chamar-se Edith.

Uma década após a publicação do primeiro volume de uma das mais famosas e rentáveis sagas do mundo, os livros de Stephenie Meyer continuam a causar furor. Meyer lançou uma tendência que ainda se faz sentir pelas livrarias do mundo inteiro e criou um género que tem dado muito que falar (e escrever). As obras de fantasia romântica tão rapidamente preenchem prateleiras como voam delas. São livros que apaixonam e emocionam, que dividem leitores. Quer se odeie ou se ame, é difícil ficar indiferente ao seu sucesso.

O conceito parece confuso mas a ideia é até bastante simples: passa por combinar elementos da dimensão do fantástico, como lobisomens, vampiros, anjos ou outras criaturas sobrenaturais, com romance e paixão quanto baste. A ideia tem lançado novos escritores e cativado um público fiel, crescendo e ganhando cada vez mais importância.

Os herdeiros de Stephenie Meyer 

Assim que a obra de Stephenie Meyer saltou para as luzes da ribalta e começou a ganhar popularidade internacional, vários outros autores, muitos dos quais desconhecidos do grande público, começaram a ganhar influência. Alguns estreantes, outros figuras conhecidas da literatura de fantasia, todos aproveitaram a renovada atenção dada ao romance fantástico para se estabelecerem enquanto autores do género.

A obra da escritora Charlaine Harris é talvez uma das mais conhecidas: a sua saga Sangue Fresco, que deu origem à série de televisão norte-americana True Blood, é um exemplo de sucesso. Acompanha as aventuras de Sookie Stackhouse, uma rapariga que tem a capacidade de ler os pensamentos daqueles que a rodeiam, e o seu questionável romance com Bill, um jovem e atraente vampiro, num mundo onde a sua subcultura ganha cada vez mais poder.

Também A Irmandade da Adaga Negra, de J. R. Ward, segue um perigoso e proibido romance entre o vampiro Rhage e a humana Mary Luce. Num mundo assombrado por uma guerra constante entre vampiros e os seus caçadores, no qual um grupo de irmãos guerreiros procura sobreviver e defender o seu clã, a luta de Rhage é colocada em xeque por uma maldição que o une eternamente a uma humana pela qual nutre uma arrebatada paixão.

Por sua vez, a série Laços de Sangue, de Jennifer Armintrout, narra o processo de transformação em vampira de Carrie Arnes, uma promissora médica, e do seu progressivo mergulho na dimensão das Trevas, um submundo fascinante do qual, guiada pelo seu amo, jamais conseguirá sair.

Anjos, demónios e mortos-vivos

Embora os vampiros tenham ganho um claro protagonismo em anos recentes, este género literário não se limita exclusivamente a estas mortíferas criaturas. Também anjos, lobisomens, mortos-vivos e outros seres maléficos povoam os livros de fantasia romântica.

Talvez o melhor exemplo seja a saga Hush, Hush de Becca Fitzpatrick, que retrata o apaixonante romance entre Nora, uma típica adolescente, e Patch, um anjo caído que se esconde por trás de uma imagem de rapaz normal e que a puxa para uma batalha ancestral entre o Céu e a Terra, entre anjos e humanos.

Há também Criaturas Maravilhosas, de Kami Garcia e Margaret Stohl , que acompanha a chegada de Lena Duchannes, uma bela rapariga com um terrível segredo, a uma pequena cidade no sul dos Estados Unidos. Por lá, prende o interesse do jovem Ethan. Este não sabe, contudo, que ao apaixonar-se por ela está a colocar a própria vida em perigo.

Aproveitando a popularidade dos mortos-vivos, ou zombies, o livro de Isaac Marion, Sangue Quente, é a terna e divertida história de uma inesperada paixão entre o morto-vivo R e a humana Julie, namorada de uma das suas vítimas, da qual absorveu as memórias. É a partir destas que R constrói uma relação com Julie, procurando protegê-la num mundo apocalíptico povoado por outros mortos-vivos onde qualquer humano é uma presa fácil.

A literatura de fantasia romântica consegue a proeza de retirar o amor do seu quotidiano e colocá-lo num contexto imprevisível. Aproveitando os mecanismos do fantástico, este género permite transportar o leitor para uma dimensão fantasiosa e, ainda assim, fazê-lo identificar-se com os sentimentos e frustrações dos personagens. Apaixone-se.


Por: Laura Dias

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