O evangelho segundo José Saramago

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Os livros de José Saramago conheceram um novo pico de vendas logo que foi anunciada a sua conquista do Nobel, em outubro de 1998.

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Além de Memorial do Convento, o seu principal bestseller, e Ensaio Sobre a Cegueira, porventura o seu romance mais conhecido além-fronteiras, destacou-se a popularidade de O Evangelho Segundo Jesus Cristo, um livro originalmente publicado em 1991 e o mais polémico da obra do autor português.

Mal recebido por parte de grande parte da comunidade religiosa em Portugal, esta reinvenção crítica da vida de Jesus terá mesmo sido a principal responsável pela mudança de Saramago de Lisboa para Lanzarote, em Espanha. Tudo porque António Sousa Lara, o então subsecretário de Estado da Cultura, proibiu a candidatura do romance ao Prémio Europeu de Literatura, alegando que atentava contra a moral cristã.

“Estou triste e indignado”, declarou na altura Saramago. “Sinto-me também estupefacto: nos primeiros dias após a decisão governamental, perguntava-me se isto estava de facto a acontecer.”

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Adriano Narciso
Livreiro na FNAC Faro

Para quem acha que literatura é apenas uma forma de entretenimento, tem aqui um exemplo perfeito e atual de que um livro pode gerar em torno dele algo mais do que a beleza da história ou da escrita. Pessoalmente, considero-o o melhor de Saramago por isso mesmo, por fazer-me acreditar, como livreiro, que os livros que vendo ou aconselho podem ajudar a mudar a vida dos outros.

5 COMENTÁRIOS
SOBRE
O EVANGELHO
SEGUNDO JESUS CRISTO

“Não representa Portugal.”
António Sousa Lara,
ex-subsecretário de Estado da Cultura
“Um livro blasfemo, espezinhador da verdade histórica e difamador dos maiores personagens do Novo Testamento.”
Eurico Dias Nogueira,
arcebispo emérito de Braga
“Contém cenas e afirmações que alguns séculos atrás teriam lançado o autor na fogueira, sem direito a sepulcro.”
Clara Ferreira Alves,
escritora e jornalista
“Pegar em Deus, em Cristo, e transformá- -los em personagens de romance, ainda por cima um romance negativo, foi uma grande ousadia.”
Zeferino Coelho,
editor na Caminho
“Saramago escreveu um belíssimo livro inquietante, um livro antidogmático, um livro que não só coloca dúvidas sobre as suas fontes, mas que é também ele próprio um poço profundo de perguntas sem resposta.”
César Antonio Molina,
poeta e ex-ministro da Cultura de Espanha
Por: Tiago Matos

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