A estante de Sérgio Godinho

Sérgio Godinho
Nasceu a 31 de agosto de 1945. Portuense de gema, assinalou a estreia discográfica em 1971, com o álbum Os Sobreviventes. Com quase 50 anos de carreira, o autor de algumas das canções mais aclamadas da música portuguesa – como “O Primeiro Dia” ou “Com Um Brilhozinho nos Olhos” – lançou a sua biografia em 2006, escrevendo ainda livros de contos, poesia e infantojuvenis até, este ano, nos ter feito chegar o seu primeiro romance, Coração mais que Perfeito.

Embelezada por um pequeno busto de Eça de Queirós, a estante de Sérgio Godinho deixa transparecer um gosto especial por ficção. Mas também se escondem lá ferramentas de trabalho.

É um ávido leitor desde que se conhece. Talvez por isso, o caminho para se tornar escritor, poeta, compositor e músico tenha sido tão natural.

Aos 71 anos, Sérgio Godinho acumula na estante algumas das maiores inspirações da sua vida, obras que o incentivaram a fazer mais, melhor e diferente. Porque se as canções de Zeca Afonso lhe serviram de “estímulo criativo” para criar a sua própria música, os autores que foi acompanhando ao longo da vida também o encorajaram a iniciar-se na escrita de livros.

Depois de um primeiro conjunto de contos, Vidadupla, o artista lançou este ano o primeiro romance, Coração mais que Perfeito, que é um “compósito” de si próprio. “É uma coisa de um outro fôlego, de um outro espírito criativo. Foi um trabalho continuado, que me abriu um rio que não para”, admite.

Que outros livros sobressaem na sua estante? Descobre aqui.


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Um dos autores em destaque na estante de Sérgio Godinho é Ian McEwan. “Tem um poder de concisão e de criação de ficções notável”, garante-nos o músico. Uma das suas obras preferidas é A Balada de Adam Henry.

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Admirador confesso de Rosa Montero, Sérgio Godinho terminou recentemente de ler o livro A Louca da Casa, desta autora. “É uma mistura de ensaio e autobiografia – porque ela fala muito de si, das suas leituras, de coisas que lhe foram acontecendo na vida – e lê-se como um romance. Gosto muito destes géneros híbridos.”

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Tinha Sérgio Godinho 17 anos quando leu pela primeira vez Pela Estrada Fora, de Jack Kerouac. “Foi um livro que me deu vontade de vagabundear e ir pelo mundo fora. Não é o melhor livro do mundo, mas deixou-me uma marca forte na altura”, recorda o músico que, com apenas 20 anos, deu por si a sair do Porto, a andar à boleia e, mais tarde, a trabalhar na cozinha de um barco que atravessou o oceano Atlântico até à Jamaica.

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Não faltam na estante obras sobre teoria musical, bem como histórias inspiradoras de grandes figuras da música. Uma das autobiografias que salta à vista é a da “madrinha do punk”, Patti Smith: Apenas Miúdos.

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Na estante também se destacam instrumentos de trabalho como dicionários de sinónimos, de rimas e de símbolos. “São ferramentas interessantes se as soubermos usar.”

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O último livro a chegar à estante de Sérgio Godinho foi A Gorda, de Isabela Figueiredo: “É um livro muito atual que dois dos meus filhos me recomendaram.”

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Embora seja mais adepto de prosa, Sérgio Godinho adora os poemas de Manuel António Pina. Referindo obras como Aquilo que os Olhos Vêem ou o Adamastor e Todas as Palavras, lembra: “Fui colega dele no Porto. É um tipo culto e de um humor refinadíssimo. A poesia dele é notável. Foi uma grande alegria quando ganhou o Prémio Camões [em 2011].”

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A embelezar as prateleiras da estante estão não só fotografias de família e prémios, mas também um pequeno busto de Eça de Queirós, semelhante à estátua da Rua do Alecrim, em Lisboa. “A minha mãe disse-me, uma vez, já bem idosa: ‘Ai que bonito, o Eça está aqui a olhar para o que escreves.’ Nunca tinha pensado nisso.”


Por: Carolina Morais
Fotografias: Bruno Colaço/4SEE

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