Eles escrevem sobre personagens que não criaram e não é plágio

A tarefa não é fácil e por vezes os fãs torcem o nariz, mas há cada vez mais escritores a pegar em personagens que não criaram e a continuar as histórias à sua maneira.


David Lagercrantz

Substitui: Stieg Larsson

Quando a hoje célebre trilogia Millennium foi publicada, Stieg Larsson já estava morto. Disto resultou que se tenha assumido que a história da hacker Lisbeth Salander e do jornalista investigativo Mikael Blomkvist estava encerrada. Mas não. Em agosto de 2015, o também sueco David Lagercrantz, autor de obras como a autobiografia do futebolista Zlatan Ibrahimović, publicou um quarto volume: A Rapariga Apanhada na Teia de Aranha. E apesar de algumas dúvidas iniciais por parte dos fãs da saga, tornou-se um bestseller.


Sophie Hannah

Substitui: Agatha Christie

Vestir a pele de Agatha Christie não pode ser fácil. E durante muitos anos nem foi permitido. No entanto, em 2013, os herdeiros da inglesa conhecida como a Rainha do Crime surpreenderam o mundo ao deixar que a versátil – escreve thrillers, livros de terror, contos, poesia e livros infantis – mas relativamente desconhecida Sophie Hannah revivesse o icónico detetive Hercule Poirot num novo romance. O resultado foi Os Crimes do Monograma. Parece ter convencido, já que para este ano está previsto outro: Closed Casket.


 

Anthony Horowitz

Substitui: Ian Fleming (e Kingsley Amis, John Gardner, Raymond Benson, Sebastian Faulks, Jeffery Deaver e William Boyd)

Se há exemplo de um personagem que vive além de qualquer escritor é James Bond. Este agente especial ao serviço de Sua Majestade foi criado em 1953 por Ian Fleming, mas renasceu uma e outra vez pela mão dos mais diversos escritores depois da morte deste. Anthony Horowitz foi o mais recente autor a aventurar-se no mundo de Bond, resultando da experiência o romance Trigger Mortis.


 

Jean-Yves Ferri e Didier Conrad

Substituem: René Goscinny e Albert Uderzo

Jean-Yves Ferri e Didier Conrad, respetivamente o atual escritor e ilustrador da série de banda desenhada Astérix, confessaram ao The Guardian que a nova responsabilidade lhes chegou acompanhada por uma grande dose de pressão e até de medo. Ainda assim, tomando os conselhos do cocriador Albert Uderzo – René Goscinny morreu em 1977 –, já publicaram dois livros do pequeno gaulês: Astérix Entre os Pictos e Astérix: O Papiro de César.


 

Juan Díaz Canales e Rubén Pellejero

Substituem: Hugo Pratt

Outra substituição de peso na área da banda desenhada. Mais de vinte anos depois da última história de Corto Maltese publicada pelo italiano Hugo Pratt, juntaram-se o guionista Juan Díaz Canales e o ilustrador Rubén Pellejero para desenvolver Sous le Soleil de Minuit, uma nova aventura protagonizada pelo famoso marinheiro. Mais informações sobre o desafio aqui.


 

Sara Rodi

Substitui: Enid Blyton (e Pamela Cox)

Uma das muitas séries de livros infantojuvenis criados por Enid Blyton, As Gémeas (ou St. Clare’s, no original) acompanha as aventuras vividas por duas irmãs no Colégio de Santa Clara. Entre 1941 e 1945, Blyton publicou seis livros; Pamela Cox escreveu mais três entre 2000 e 2008; e em 2015 coube à portuguesa Sara Rodi continuar a narrativa com um décimo volume: Mais Aventuras no Colégio de Santa Clara.

 


Por: Tiago Matos

Gostou? Partilhe este artigo: