Era uma vez o livro

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Em números

129 864 880
Livros publicados no mundo até 2010, de acordo com um estudo conduzido pela Google.
660 mil
Número aproximado de livros publicados em 2017, até ao momento, de acordo com a UNESCO.
1497
Ano em que foi publicado o primeiro livro impresso em língua portuguesa: Constituições que Fez o Senhor Dom Diogo de Sousa, Bispo do Porto.

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Desde 1995 que todos os anos, no dia 23 de abril, se celebra o Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor. Uma ocasião perfeita para recordarmos alguns dos títulos e autores mais marcantes de sempre.

CAPITAIS DO LIVRO
Desde 2001 que, todos os anos, por ocasião do Dia Mundial do Livro, uma cidade é escolhida para ser a capital mundial do livro, o que resulta numa oportunidade para estimular a leitura na região. A capital deste ano é Conacri, na República da Guiné. Para 2018 já foi eleita a cidade de Atenas, na Grécia.
Madrid (2001)Alexandria (2002); Nova Deli (2003)Antuérpia (2004); Montreal (2005); Turim (2006); Bogotá (2007); Amesterdão (2008); Beirute (2009); Liubliana (2010); Buenos Aires (2011); Erevan (2012); Banguecoque (2013); Port Harcourt (2014); Incheon (2015); Wrocław (2016); Conacri (2017); Atenas (2018)

No princípio era o verbo. Mas eram também os papiros de vários metros, preenchidos por escribas atarefados. Seguiram-se os pergaminhos, feitos com peles de animais, que enchiam majestosas bibliotecas na Grécia e Roma antigas. Mais tarde, os códices vieram facilitar a leitura, permitindo que a consulta se apoiasse em mesas. Isto já após a invenção do papel, na China. Ainda assim, os livros só se difundiram verdadeiramente a partir do momento em que Johannes Guttenberg revelou ao mundo a prensa móvel.

Hoje, os livros são uma companhia que nos é comum. Os mais leais entre os amigos, disse um dia Ernest Hemingway. Uma forma unicamente portátil de magia, de acordo com Stephen King.

Há-os para todos os gostos e em todos os formatos imagináveis. Podemos comprá-los com capa dura, em tamanho de bolso ou até incorpóreos, como no caso dos livros digitais. Há livros que passam despercebidos, livros que entretêm várias gerações e livros que influenciam o pensamento individual e coletivo ao ponto de mudarem efetivamente o mundo.

É tal a importância dos livros na sociedade moderna que a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) decidiu, em 1995, definir um dia especial para a sua celebração. E foi assim que 23 de abril se tornou oficialmente o Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor.


OS PRIMEIROS LIVROS


LIVROS QUE MARCARAM O MUNDO
Bíblia
É o livro mais popular de todos os tempos. Dividiu o mundo entre os que acreditam e os que não acreditam nas suas palavras.
A Arte da Guerra
Influenciou estratégias militares em todo o mundo, mas também o campo dos negócios e da política.
Princípios Matemáticos da Filosofia Natural
Influenciou o desenvolvimento da ciência ao conter as leis para o movimento dos corpos e a gravitação universal.
A Riqueza das Nações
Lançou as bases da economia moderna, explorando temas como a acumulação de capital e o desenvolvimento económico.
Manifesto Comunista
Lançou as bases do comunismo, inspirando regimes tão aterradores como os de Estaline ou Mao Tsé-Tung.
A Origem das Espécies
Explicou que as espécies evoluíram por intermédio da seleção natural, alterando por completo o modo como nos vemos.
O Segundo Sexo
Obrigou a um novo olhar sobre as mulheres e o seu papel na sociedade, inspirando o feminismo.

O dia 23 de abril não foi escolhido por acaso. Terá sido nesta data, no ano de 1616, que morreram duas das principais referências na arte da escrita: Miguel de Cervantes e William Shakespeare. Isto embora, na prática, as mortes tenham distado cerca de dez dias, devido à diferença nos calendários adotados, na época, em Espanha e Inglaterra.

William Shakespeare não escrevia livros, mas isso não impede que seja lembrado como um dos mais influentes escritores de sempre. A maestria estrutural e narrativa de peças como Hamlet, Macbeth ou Romeu e Julieta revelaram-se fundamentais para muitas gerações de escritores depois dele.

Quanto a Cervantes, é essencialmente conhecido por uma obra. Mas uma obra tremenda. D. Quixote de la Mancha, publicado em dois volumes em 1605 e 1615, é por muitos tido como o primeiro romance moderno. A história do cavaleiro da triste figura é uma celebração da fantasia que prova que a ficção pode ser o veículo ideal para a verdade.

Não obstante, os livros não surgiram com Shakespeare ou Cervantes. Muitos séculos antes já se liam tratados políticos e filosóficos, manuais práticos e textos religiosos – entre os quais se descobrem dois dos mais vendidos e controversos livros de todos os tempos: a Bíblia e o Corão.

Também já eram populares os longos poemas épicos, que realçavam feitos heroicos de figuras reais ou imaginárias: Eneida, Ilíada, Odisseia, Beowulf, Os Lusíadas e muitos outros. O hábito de ler histórias em voz alta levou à publicação de compilações de contos como As Fábulas de Ésopo, As Mil e Uma Noites e Os Contos da Cantuária. Já existia Utopia, de Thomas More, e O Príncipe, de Maquiavel.

É inegável, contudo, que a literatura ganhou maior força e versatilidade depois de Cervantes e Shakespeare.


GÉNEROS QUE MARCARAM ÉPOCAS


LIVROS PARA QUEM AMA LIVROS
O Leitor do Comboio
Um homem cuja ocupação é destruir livros – ou não trabalhasse numa empresa de reciclagem de papel – tem como principal prazer a leitura nas suas viagens diárias de comboio. Até que descobre o diário de uma jovem e se apaixona pelo que lê.
Como Ler Um Escritor
Philip Roth, Paul Auster, Don DeLillo, Haruki Murakami e Joyce Carol Oates. Estes são apenas alguns dos muitos escritores entrevistados por John Freeman neste livro, que permite um vislumbre único sobre o processo criativo dos grandes autores.
Porquê Ler os Clássicos?
Porquê ler autores tão antigos como Charles Dickens, Balzac, Tolstói, Hemingway ou Jorge Luis Borges? É esta a questão que Italo Calvino se propõe responder neste livro.
O Que Vemos Quando Lemos
Qual é o papel da imaginação na construção dos universos que lemos? Será que nos limitamos a “ver” aquilo que é descrito ou criamos imagens a partir de um conjunto de pequenas pistas que o autor nos vai deixando?
Uma Biblioteca da Literatura Universal
Como criar uma boa biblioteca privada? O que nos deve levar a escolher o próximo livro que queremos ler? Hermann Hesse explora o mundo da literatura através de mais de uma dezena de ensaios sobre livros e leitores.

Cada era tem os seus livros. E os seus géneros favoritos. No século XVIII proliferam os romances históricos e de aventura – como Robinson Crusoé, de Daniel Defoe –, mas também os epistolares e ainda os eróticos, ou não fosse a época do Marquês de Sade.

O foco tende mais tarde para o realismo. Preferem-se narrativas sobre pessoas comuns, ocupadas com situações e atividades banais. A capacidade de explorar os dramas da rotina faz de autores como Dostoiévski, Tolstói e Tchékhov – bem como Balzac, Flaubert e Eça de Queirós – figuras de destaque na literatura.

Ao mesmo tempo, torna-se popular o romance gótico graças a nomes como Mary Shelley, as irmãs Brontë e Edgar Allan Poe. Figura incontornável do romantismo literário, cabe também a Poe o estabelecimento das fundações de dois novos géneros que permanecem, ainda hoje, imensamente populares: o romance policial e a ficção científica.

Se Agatha Christie, Arthur Conan Doyle e Raymond Chandler se destacam no primeiro, que tem a sua época de ouro na primeira metade do século XX, são autores como Isaac Asimov e Philip K. Dick que ajudam o mundo a imaginar novos mundos no segundo. Isto sem esquecer distopias como 1984, A Quinta dos Animais e Admirável Mundo Novo, que partem da fantasia para comentar a realidade.

Por falar em fantasia, o século XXI começa com fenómenos como Harry Potter, destinados ao público jovem adulto, que passa a ter um peso cada vez maior. Também há os thrillers de ação, ao jeito de Dan Brown, e os thrillers psicológicos como Em Parte Incerta e A Rapariga no Comboio.

E quanto ao futuro? É impossível assegurar o que reserva, mas os livros têm sobrevivido a tudo e sabido acompanhar os tempos modernos, pelo que poderemos certamente continuar a contar com a sua companhia. O que seria, afinal, uma vida sem histórias?


OS ROMANCES
MAIS VENDIDOS
DE SEMPRE

1

500 milhões

D. Quixote de la Mancha
Miguel de Cervantes

2

200 milhões

História em Duas Cidades
Charles Dickens

3

150 milhões

O Alquimista
Paulo Coelho

4

140 milhões

O Principezinho
Antoine de Saint-Exupéry

5

107 milhões

Harry Potter e a Pedra Filosofal
J. K. Rowling

6

100 milhões

O Hobbit (J. R. R. Tolkien)
As Dez Figuras Negras (Agatha Christie)
O Sonho no Pavilhão Vermelho (Cao Xueqin)
Alice no País das Maravilhas (Lewis Carroll)

7

85 milhões

O Leão, a Feiticeira
e o Guarda-Roupa

C. S. Lewis

Por: Tiago Matos
Ilustração: Gonçalo Viana

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