Jeffrey Archer: “Um contador de histórias deve ser capaz de se deixar levar”

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De passagem por Portugal, o inglês Jeffrey Archer, ex-membro do Parlamento britânico e autor com mais de 275 milhões de livros vendidos em todo o mundo, trocou algumas palavras com a Estante a propósito do seu novo livro.

Considera-se mais um contador de histórias do que um escritor – e o seu mais recente livro a ser publicado em Portugal, uma coletânea intitulada Contador de Histórias, reflete precisamente isso. Porque decidiu retornar aos contos depois de quase dez anos sem os escrever?

Ao longo desses dez anos conheci várias pessoas, em vários países, que me ofereceram maravilhosas histórias. Depois de As Crónicas de Clifton e do desafio que foi Cara ou Coroa, decidi escrevê-las.

Usou as suas viagens pelo mundo como inspiração, mas alguns dos contos são inteiramente produto da sua imaginação. Achou necessário partilhar certas mensagens ou adereçar certos tópicos com os quais não se deparou nas suas viagens?

Sim, ocasionalmente é claro que algo acontece em Inglaterra, ou em casa, ou um amigo nos conta um incidente, e acrescentei isso às histórias que escrevi enquanto viajava pelo mundo.

Revelou que Harry Clifton, o protagonista de As Crónicas de Clifton, é na verdade o próprio Jeffrey Archer. Tendo em conta que é um firme defensor da técnica de escrever apenas o que conhece, podemos dizer que os seus livros são uma “sequela” da sua vida política?

É verdade, eu costumo aconselhar, particularmente as pessoas mais jovens, a escreverem sobre o que conhecem. E, claro, pertenci à Câmara dos Comuns do Reino Unido quando tinha 29 anos, colecionei arte a minha vida inteira, sempre me senti fascinado pelo “big business” e faço muitos leilões de caridade. Por isso, todos esses elementos entram nos meus livros.

Defende que um contador de histórias não deve saber o que vem na página seguinte. É mais fácil deixar-se levar pela narrativa quando a maior parte do seu trabalho é semiautobiográfico?

Não. Um contador de histórias deve ser capaz de se deixar levar pela narrativa. Se eu não sei o que vai acontecer na página seguinte, então vocês não podem saber o que vai acontecer na página seguinte. Se for preparado de forma bastante cuidada poderá funcionar, mas eu prefiro deixar-me levar.

Agora que vendeu mais de 275 milhões de livros em todo o mundo, que momentos destaca como os mais marcantes na sua carreira literária? E o que ainda espera vir a alcançar?

Qualquer autor concordará que ascender ao topo da lista de bestsellers do New York Times sem ser americano é sensacional… e eu já consegui isso sete vezes. Depois, Kane & Abel vendeu 32 milhões de exemplares e foi lido por 100 milhões de pessoas. Esse terá sido o ponto mais alto. Mas ainda quero continuar a escrever. E ainda quero fazer melhor e melhor!

Por: Tatiana Trilho
Fotografia: Bertrand Editora

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