A Guerra dos Tronos: enquanto não chega o inverno

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Já sente saudades
 de As Crónicas de Gelo e Fogo? Saiba o que pode ler enquanto George R. R. Martin não termina o próximo livro da saga.

Por: Tiago Matos
Fotografia: Saída de Emergência

É FÃ DE AS CRÓNICAS DE GELO E FOGO?

Também poderà gostar de…


Os Reis Malditos
Maurice Druon

O Senhor dos Anéis
J. R. R. Tolkien

A Primeira Lei
Joe Abercrombie

A Saga do Assassino
Robin Hobb

Acácia
David Anthony Durham

Em 1996, quando publicou o primeiro volume de As Crónicas de Gelo e Fogo, George R. R. Martin estaria longe de pensar que a saga viria revolucionar o género da literatura fantástica. Mas foi o que aconteceu. No espaço de duas décadas, o americano lançou cinco títulos – em Portugal cada volume foi dividido em dois, num total de dez –, dos quais vendeu mais de 60 milhões de exemplares. Inicialmente pensada como trilogia, Martin decidiu entretanto que afinal seriam sete os volumes que completariam a saga. Mas, apesar da desesperada impaciência dos fãs, tem levado o seu tempo a terminar de escrever o número seis, intercalando-o com a produção de A Guerra dos Tronos, a popular série televisiva baseada na obra, e com a escrita de projetos paralelos passados no imaginário continente de Westeros. A questão impõe-se: o que devem os fãs ler enquanto aguardam um novo livro de George R. R. Martin?

Dragões e outras fantasias

Um dos aspetos mais elogiados da obra de Martin é a habilidade com que incorpora elementos fantásticos (dragões, mortos-vivos, etc.) numa narrativa de tom adulto e realista. Uma das mais seguras alternativas a As Crónicas de Gelo e Fogo será, portanto, a incontornável referência do género: J. R. R. Tolkien. Mais concretamente, a sua trilogia O Senhor dos Anéis. Escrita durante a Segunda Guerra Mundial e influenciada pela busca desenfreada por poder testemunhada nesta, a obra de Tolkien permanece tão relevante que George R. R. Martin considera que os seus livros não existiriam sem ela.

Existem, contudo, alternativas mais “modernas”. A saga A Primeira Lei, de Joe Abercrombie, centrada nas disputas territoriais de um mundo medieval, pode não ter tantos subenredos como
 As Crónicas de Gelo e Fogo mas é, à semelhança desta, povoada por personagens complexos, algures entre o bem e o mal. Há também A Saga do Assassino, de Robin Hobb, com um protagonista a fazer lembrar Jon Snow e uma praga de desumanização semelhante à dos Caminhantes Brancos. George R. R. Martin, por sua vez, recomenda autores como Robert E. Howard, David Anthony Durham e Patrick Rothfuss para quem gosta de fantasia semelhante à sua.

Estórias da história

Há, no entanto, quem aprecie As Crónicas de Gelo e Fogo essencialmente pelas dinâmicas sociais, manipulações políticas e jogos de bastidores a aludir
a acontecimentos históricos verídicos. Para estas pessoas, não existe melhor alternativa à obra de George R. R. Martin do que Os Reis Malditos, 
uma saga em sete volumes escrita
 por Maurice Druon e centrada nos últimos reis da dinastia capetiana, na França dos séculos XIII e XIV. O próprio Martin considera-a “a guerra dos tronos original”, admitindo que foi uma das principais inspirações para a criação 
de As Crónicas de Gelo e Fogo.

George R. R. Martin, que tem em casa várias estantes repletas de livros sobre a era medieval, recomenda ainda a leitura de outros mestres das narrativas históricas, como Walter Scott (Ivanhoé), Arthur Conan Doyle (A Companhia Branca) ou Philippa Gregory (A Guerra dos Primos). Tudo para matar saudades de As Crónicas de Gelo e Fogo enquanto não chega o inverno.

Entre a realidade e a ficção


George R. R. Martin costuma inspirar-se em acontecimentos verídicos da História para “dar sabor à fantasia” de As Crónicas de Gelo e Fogo. Eis alguns exemplos.

Guerra dos Cinco Reis

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Os vários pretendentes ao trono abrem guerra uns contra os outros, destacando-se os nortenhos Stark e os ricos Lannister.
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Entre 1455 e 1487 disputa-se a Guerra das Rosas, um conflito pelo trono entre várias casas, nomeadamente a dos nortenhos York e a dos ricos Lancaster.

Casamento Vermelho

ficcao-revista-estanteUm casamento serve de pretexto para o massacre de uma poderosa família às mãos de um dos seus supostos aliados.

 

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O rei da Escócia organiza, em 1440, um falso banquete de tréguas no qual aproveita para condenar à morte os seus principais adversários.

Caminhada da vergonha

ficcao-revista-estanteUma das protagonistas é despida e, entre insultos, obrigada a marchar nua pelas ruas numa caminhada de penitência.
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No século XV, Elizabeth Shoe, ex-amante do rei de Inglaterra, é condenada por promiscuidade e forçada a caminhar em roupa interior pelas ruas de Londres.

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