Minotauro: o labirinto renasce com novos livros

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A Minotauro tem 30 livros previstos para publicação este ano, que variam entre o romance histórico, fantasia ou histórias infantojuvenis. Sabe mais sobre esta editora através desta entrevista com a sua responsável, Sara Lutas. 

A Serpente do Essex

A Serpente do Essex

Sarah Perry

 

Rapariga em Guerra

Rapariga em Guerra

Sara Nović

 

Astrotáxi

Astrotáxi: Rafa Levanta Voo

Wendy Mass e Michael Brawer

 

A Minotauro começou por surgir em 2009, dedicando-se em exclusivo à publicação de literatura espanhola contemporânea. Ressurge agora, em 2017, com uma nova roupagem e nomes como Sara Nović e Sarah Perry. Porquê a mudança de estratégia? 

Criada em 2009, a Minotauro é um projeto editorial alicerçado originalmente no desejo de promover literatura contemporânea de excelência. Volvidos 8 anos, e mantendo a qualidade que sempre lhe foi confiada, o Grupo Almedina volta a relançar esta chancela, apostando agora em novas áreas e em novos autores.

O Grupo Almedina edita essencialmente livros de cariz técnico, sendo a editora de referência na área do Direito, e também tem vindo a apostar em chancelas de excelência noutras áreas: a Actual (Gestão, Marketing e Economia) e a Edições 70 (Filosofia, História e Arte). Chegou agora a altura de embarcar numa nova aventura e ir ao encontro de um maior número de leitores.

A Minotauro regressa ao labirinto, mas com um novo desafio: lançar no nosso país alguns dos livros mais aclamados internacionalmente que, depois de terem gerado o entusiasmo de milhares de leitores espalhados pelo mundo, merecem ser lidos pelo público português. Além disso, também irá apostar na edição de autores nacionais conceituados e de novos talentos da escrita portuguesa.

Quem é o público-alvo da nova Minotauro?

O labirinto da literatura deve ser percorrido por todos e, nesse sentido, a Minotauro aposta agora nas áreas da Ficção e Não Ficção para adultos e para o público infantojuvenil. Neste primeiro semestre, esperamos cativar amantes de literatura, do romance histórico e fantasia, assim como os mais novos, com pequenas histórias ilustradas e uma grande aventura juvenil que não esquece a importância do caráter pedagógico da leitura.

Quantos livros preveem publicar por ano?

Neste momento, temos previstos 30 títulos para 2017.

Que novidades podemos aguardar da Minotauro nos próximos tempos?

Dentro da ficção para adultos, temos a honra de trazer para Portugal O Homem que Duvidava, de Ethan Canin, um livro sobre um génio matemático com uma mente brilhante, mas obsessivamente problemático e socialmente inapto. O New York Times aclamou Milo Andret (esta personagem apaixonante) como um dos maiores vilões literários deste século, e posso atestar a veracidade desta afirmação: ao longo de todas as páginas, damos por nós numa maré de sentimentos divergentes, que vão do ódio à admiração – idolatramo-lo pela sua singularidade e conquistas, odiamo-lo pelo seu comportamento social atroz, mas acalentamos sempre a esperança de redenção. Na verdade, mesmo a mente mais brilhante não deixa de ser fragilmente humana. Um livro intenso sobre a chama da genialidade (neste caso, passada de geração em geração) e a forma como esta reduz a cinzas todos os laços e afetos.

Ainda nesta linha de ficção, publicaremos Comunidade, o bestseller do New York Times, de Ann Patchett, o livro mais pessoal da escritora, com uma história que começa com um beijo proibido, que sela o desmoronar de duas famílias e a constituição de uma nova.

Esta leitura é a viagem de uma vida, pois acompanha, andando para trás e para a frente no tempo, estas personagens – pais, filhos, irmãos e enteados, as suas aventuras e desventuras, amores, ódios, desilusões, tragédias, rancores – ao longo de 52 anos. O tempo é, então, a grande personagem deste livro repleto de histórias, pois acaba por ser um elemento fundamental na sua interpretação: até que ponto comandamos a nossa própria história?

Outro título forte é Mulheres sem Nome, de Martha Hall Kelly, uma obra de ficção histórica, baseada em factos verídicos, escrita em homenagem a todas as prisioneiras do campo de concentração de Ravensbrück, que foram vítimas de tratamentos médicos desnecessários em prol do desenvolvimento da cirurgia nazi. Aqui conhecemos três olhares distintos sobre a Segunda Guerra Mundial: o de uma norte-americana caridosa, o de uma polaca, prisioneira em Ravensbrück, e o de uma alemã nazi, médica neste mesmo campo de concentração. É um relato de cortar a respiração sobre três vidas tão diferentes, mas que se entrelaçam nesta época tão negra.


A Minotauro regressa ao labirinto com um novo desafio: lançar no nosso país alguns dos livros mais aclamados internacionalmente que, depois de terem gerado o entusiasmo de milhares de leitores espalhados pelo mundo, merecem ser lidos pelo público português.


Porquê o nome Minotauro?
“O Minotauro é o monstro mítico, metade homem metade touro, encarcerado no labirinto imenso de Cnossos, comumente descrito como um palácio. Este monstro encerra em si beleza e ferocidade; ele assombra o labirinto, mas é também o seu único guardião; é cativo e senhor. Numa teia de caminhos intrincados, personifica o poder da imaginação: a luz no labirinto da literatura. A Minotauro abraça a missão de ser esse guia.”

Dentro do género do fantástico, sairá Uma Magia mais Escura, o primeiro livro da trilogia de V. E. Schwab sobre um universo onde diferentes Londres paralelas (completamente diferentes entre si) coexistem, e apenas alguns magos com habilidades especiais conseguem viajar entre elas. Kell, a personagem principal, é um destes magos e desempenha a função de mensageiro das realezas das diferentes Londres. No entanto, além disso, é também contrabandista e acaba por se meter com as pessoas erradas e com objetos mágicos perigosos que podem causar o colapso destas Londres. Esta história, cheia de ação e com personagens fantásticas, ao mesmo tempo desenhadas com muito humor, tem vindo a apaixonar leitores por todo o mundo.

Imbuído desta ambiência fantástica, também publicaremos a estonteante Caminhada, de Drew Magary, um relato insano de um homem de negócios que dá por si numa realidade paralela, rodeado de personagens mirabolantes e por situações incontroláveis que não lembrariam ao diabo. Bebendo inspiração no folclore e contos tradicionais, épicos de fantasia e referências do mundo dos videojogos, este é um livro cheio de reviravoltas e com um desfecho imprevisível. Que caminho é aquele e quem o criou? Nunca vi nenhum outro autor explorar desta forma tão peculiar as questões mais antigas do mundo: quem somos, o que fazemos aqui e quem nos criou?

Dentro da ficção juvenil, teremos o bestseller vencedor da Newbery, A Rapariga que Bebeu a Lua, de Kelly Barnhill, uma história maravilhosa sobre uma menina que não consegue controlar a sua magia, criada por uma bruxa, um dragão e um monstro dos pântanos. Além desta obra, lançaremos também Serafina e o Manto Negro, de Robert Beatty, uma saga fantástica, cuja ação decorre numa herdade vitoriana e em bosques sombrios, onde um vilão rapta crianças e apenas Serafina, uma menina muito diferente que viveu toda a sua vida nas sombras, longe de todos, conseguirá salvá-las.

Para os mais pequenos, teremos, já em março, o livro A Última Paragem, de Matt de la Peña e Christian Robinson, vencedor da medalha Newbery e livro de honra Caldecott que, com ilustrações mágicas e diferentes e uma mensagem intemporal irá cativar todas as crianças, pais e avós. Ainda para os leitores mais novos, teremos TEK – Um Menino das Cavernas Muito à Frente, de Patrick McDonnell, que, com a forma de um tablet e correndo o risco de ficar sem bateria, irá alertar os mais jovens para os riscos do uso excessivo da tecnologia e lembrá-los da importância de brincar.

Destaque três livros já publicados pela Minotauro.

No arranque desta nova era da Minotauro, podemos destacar A Serpente do Essex, de Sarah Perry, obra eleita Livro do Ano 2016 pela Waterstones e nomeada para o Baileys 2017. “Nevoeiro” pode ser a palavra certa para descrever toda a ambiência destas páginas. Trata-se de um romance histórico, cuja ação decorre no final do século XIX e está imbuído por uma atmosfera misteriosa, típica do espírito vitoriano; aliás, todo o livro espelha esta voracidade pelo pormenor e pelo sombrio.

Já ouvi várias opiniões sobre o elemento-chave que torna esta narrativa tão especial: uns sublinham a mestria do estilo da autora, outros destacam a ambiência do romance, o contexto político-social – uma viagem a um mundo marcado pela queda dos impérios e pelo nascimento de uma nova era –, outros não se esquecem da história amorosa; mas aquilo que mais me fascina nesta obra é a densidade das personagens, o carinho com que foram criadas, os ideais que representam e a sua intemporalidade. Uma dama nascida na alta sociedade, mas completamente desajustada, defensora do racional (envergonhada por ver na viuvez a liberdade), um menino especial e incompreendido com uma obsessão por pequenos rituais, o primeiro cardiocirurgião da história (tão analítico que chega ao ponto de ter de se diagnosticar para perceber que está apaixonado), uma ama defensora dos direitos do proletariado, que vê os seus ideais postos em causa, um homem da igreja refugiado na fé e atormentado por dúvidas, casado não com a lendária “dama de branco”, mas com a “dama de azul”, símbolo da fragilidade humana.

A Serpente do Essex, um monstro mítico dos pântanos que aterroriza as populações, está de volta e invade as vidas de todas estas personagens, colocando-as à prova. Que criatura será esta que assombra a vida de todos, despertando fantasmas enterrados e pondo em causa tudo aquilo que julgavam saber?

Ainda no campo da ficção, em Rapariga em Guerra, de Sara Nović, o olhar de uma menina de 10 anos é a janela para conhecermos a realidade sufocante de um país em guerra. Infelizmente esta temática está na ordem dia e torna-se ainda mais impressionante quando presenciamos o seu impacto real na vida de uma criança, que vê a sua rotina inocente transformar-se num inferno minado de raids aéreos, as suas brincadeiras converterem-se em jogos dissimulados para aligeirar o peso dos dias, os rostos familiares desvanecerem-se e darem lugar a estranhos refugiados. O que sente uma criança quando se vê obrigada a pegar numa arma? Que desculpas tem de inventar para si mesma?  Percebemos que, na guerra, a inocência de uns não sai incólume perante a culpa de outros.

Tendo por cenário a Guerra da Independência da Croácia, este livro acompanha o crescimento vacilante desta menina, cuja infância é indelevelmente tingida pelo conflito, pelo luto e pela incerteza do que significa sentirmo-nos em casa quando esta foi reduzida a pó.

Olhando agora para uma aventura infantojuvenil, a Minotauro estreia-se com a saga Astrotáxi. Logo no primeiro volume, Rafa, um menino de 8 anos, 8 meses e 8 dias não sabe que viverá a maior aventura da sua vida e que salvará o universo antes do pequeno-almoço! Neste dia em particular, acompanha o pai no seu táxi e descobre que ele não é um taxista comum: o seu carro transforma-se num veículo intergalático e transporta passageiros entre diversos planetas!

Nesta primeira viagem pelo espaço, Rafa ajuda um astrogato a apanhar um grande vilão e salva o universo de uma malvada organização de criminosos: a A.R.R.O.T.O. Rafa Levanta Voo! é apenas a primeira aventura sideral deste astrotáxi, que continuará no segundo volume, Astrotáxi – Em Socorro do Planeta Aquático. No final de cada aventura, são listados os factos científicos incluídos na história para que o jovem leitor impressione os seus colegas e professores: diversão e conhecimento numa aventura intergalática!

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