Edgar Allan Poe: 7 histórias inacreditáveis sobre o mestre do macabro

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Nasceu há 210 anos um dos maiores génios da literatura mundial, o homem que fez do macabro a sua especialidade mas que também foi pioneiro do policial, da ficção científica e até escreveu sobre o Big Bang décadas antes de qualquer cientista. A Estante apresenta-te sete histórias no mínimo surpreendentes sobre o incomparável Edgar Allan Poe.

Edgar Allan Poe tinha uma relação conturbada com o seu nome do meio

Quando nasceu, a 19 de janeiro de 1809, Edgar Allan Poe chamava-se apenas Edgar Poe. No entanto, no espaço de apenas dois anos, o seu pai abandonou a família e a sua mãe morreu, o que fez com que fosse levado para uma família de acolhimento, os Allan, que cedo o batizaram com o nome que tão bem conhecemos.

Acontece que o futuro autor nunca se deu bem com o seu novo “pai”, um mercador dos mais diversos produtos – e escravos – chamado John Allan. Depois de inúmeras altercações, os dois homens cortaram relações e John acabou inclusive por retirar Edgar do seu testamento. Por sua vez, este recusava assinar o nome do meio, preferindo escrever apenas “Edgar A. Poe”.


Edgar Allan Poe estreou-se com um dos livros mais valiosos do mundo

Chama-se Tamerlane and Other Poems, surge assinado na capa por “um nativo de Boston”e foi publicado em julho de 1827, sendo recebido com uma quase total indiferença pela crítica e pelo público. E, no entanto, é hoje um dos livros mais valiosos do mundo.

A primeira obra publicada por Edgar Allan Poe – que, aos 18 anos, mandou imprimir apenas 50 cópias – é uma coleção de poemas assumidamente modestos, escritos durante a adolescência do autor. Foi esquecido durante anos mas, muito após a morte de Poe e já com apenas 12 exemplares do livro ainda existentes, foi considerado um dos títulos mais raros da literatura americana. Um destes exemplares acabou mesmo por ser vendido, em 2009, por 662 500 dólares.


Edgar Allan Poe casou com a prima menor de idade

Poe tinha apenas 17 anos quando pediu Sarah Elmira Royster, de 15, em casamento. E, embora o matrimónio tenha acabado por não se concretizar, o autor parece ter mantido uma queda por adolescentes. Só assim se poderá explicar (ou pelo menos tentar) que tenha mais tarde casado com Virginia Eliza Clemm, a sua prima em primeiro grau, quando esta tinha apenas 13 anos e ele 27.

Há quem defenda que Edgar e Virginia eram apenas bons amigos (e que ela até morreu virgem), mas seja como for a relação entre ambos teve um impacto profundo em Poe. Virginia era uma mulher doente e acabou por morrer com tuberculose quando tinha apenas 24 anos. Poe ter-se-á inspirado nela para escrever um dos seus mais célebres poemas: “Annabel Lee”.


Edgar Allan Poe foi o precursor da ficção científica e dos policiais

O poema “O Corvo” fez de Edgar Allan Poe uma celebridade, cimentando o seu legado enquanto referência maior da literatura gótica. Mas a obra do mestre do macabro toca em muitos mais géneros do que o horror.

Poe é, de resto, apontado por muitos como o inventor da ficção científica, em especial devido a histórias como A Narrativa de Arthur Gordon Pym, que se revelaram importantes inspirações para autores como Júlio Verne e H. G. Wells. E foi o mesmo Poe que criou as primeiras histórias de detetives, com o seu Auguste Dupin a abrir caminho para investigadores como Sherlock Holmes e Hercule Poirot em Os Crimes da Rua Morgue.


Edgar Allan Poe falou do Big Bang décadas antes de qualquer cientista

Chama-se Eureka e é, no mínimo, uma das obras mais intrigantes de Edgar Allan Poe. Publicada em 1848, esta mistura entre poesia e prosa científica foi praticamente ridicularizada pela crítica da época, mas Poe nunca deixou de se referir a ela como a sua obra-prima e acreditava que viria um dia a ser apreciada por gerações mais iluminadas.

Em Eureka o autor reflete sobre o universo, aventurando-se a opinar sobre a sua origem (e fim) de uma forma mais sustentada na intuição do que propriamente na ciência. Defende, por exemplo, que o universo começou a partir de uma única partícula. Isto cerca de 80 anos antes de o belga Georges Lemaître escrever sobre o Big Bang.


Edgar Allan Poe só deixou crescer o bigode quatro anos antes de morrer

Quando pensamos em Edgar Allan Poe, vem-nos geralmente à cabeça uma figura pálida, de olhos mortiços e um bigode respeitável. É assim que o autor surge nas suas fotografias mais conhecidas e foi assim que o imortalizámos. Contudo, ao longo da maior parte da sua vida, Poe teve um aspeto bastante mais jovial e elegante. E apenas deixou crescer o seu hoje característico bigode alguns anos antes de morrer.


Edgar Allan Poe morreu sem saber quem era

Foi uma morte no mínimo bizarra e, mesmo depois de tantos anos, continua a não se saber ao certo o que aconteceu a Edgar Allan Poe. Sabe-se que o autor foi encontrado a delirar, vestido com roupas que não eram suas, junto a uma taberna de Baltimore. Não sabia quem era e apenas repetia insistentemente o nome “Reynolds”. Foi levado para um hospital, mas acabou por morrer no dia 7 de outubro de 1849. Suspeita-se que terá sido vítima de uma prática de fraude eleitoral que havia na altura através da qual um grupo de homens raptava, drogava e agredia pessoas inocentes para as obrigar a votar (várias vezes) no candidato que apoiavam.

Certo é que Poe morreu. O seu obituário foi escrito por Rufus Griswold, um autor que o detestava – afinal, Poe era mais conhecido como crítico literário do que como escritor e tinha a fama de ser particularmente duro nas suas críticas – e que se encarregou de publicar o relato mais difamatório de que foi capaz, a fim de desvirtuar Poe aos olhos do público.

Curiosamente, quase em simultâneo com a morte de Poe, também morreu a sua muito amada gata Catterina, companheira habitual do autor enquanto este escrevia os seus textos.

Por: Tiago Matos

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