7 distopias modernas influenciadas pelo livro 1984

distopias-1984-revista-estante-fnac

É um dos maiores clássicos da literatura, uma das mais marcantes distopias de todos os tempos e assinala o seu 70.º aniversário em 2019. Falamos de 1984, o livro com que George Orwell ousou criticar o seu presente, disfarçando-o de futuro. Um livro que fala de autoritarismo, perda de direitos individuais e que acabou por inspirar, de forma mais ou menos direta, centenas de outras distopias ao longo do tempo. Como estas.

vox
Edição em inglês
Vox

Vox

Christina Dalcher

E se cada mulher só tivesse direito a 100 palavras por dia? É esta a provocante premissa de Vox, um romance publicado em 2018 que, de acordo com a própria autora, foi escrito como um thriller mas partilha o “tema comum de autoritarismo versus o indivíduo” encontrado nos principais clássicos da ficção distópica, como A História de Uma Serva (Margaret Atwood), Fahrenheit 451 (Ray Bradbury), Admirável Mundo Novo (Aldous Huxley) e, lá está, 1984.


Edição em inglês
The Power

O Poder

Naomi Alderman

A encabeçar a lista dos melhores livros que Barack Obama leu em 2017 encontrava-se esta distopia que optava por um caminho completamente oposto ao de obras como Vox para refletir sobre o papel da mulher na sociedade. A premissa é muito curiosa: e se todas as mulheres desenvolvessem subitamente poderes sobrenaturais? Haveria uma mudança radical no equilíbrio de forças entre géneros? Passaríamos a viver numa sociedade matriarcal? Uma suposição no mínimo intrigante.


Red Clocks

Leni Zumas

À luz dos mais recentes desenvolvimentos no estado do Alabama, quase podemos ponderar se este livro da americana Leni Zumas será mesmo um exemplo de ficção distópica ou antes uma previsão negra do futuro. A narrativa desenrola-se no seguimento da proibição absoluta do aborto (e da fertilização in vitro) nos Estados Unidos, quando se cruzam os destinos de cinco mulheres afetadas pela decisão.


Never Let Me Go

Kazuo Ishiguro

Naquele que será um dos mais poderosos romances do vencedor do Nobel da Literatura em 2017, três amigas reencontram-se e recordam conjuntamente a infância passada em Hailsham, uma escola privada aparentemente perfeita que, na verdade, afastava os seus alunos do mundo exterior na esperança de lhes impor um certo molde de personalidade. Um estilo mais intimista de distopia com a crítica social dos velhos clássicos.


Edição em inglês
Gather the Daughters

O Silêncio das Filhas

Jennie Melamed

Um misto de Never Let Me Go, A História de Uma Serva e O Deus das Moscas, esta distopia de tom pós-apocalíptico apresenta-nos uma comunidade que vive numa ilha isolada sob regras tão rigorosas quanto hediondas, na medida em que as mulheres são sexualmente exploradas desde muito jovens, levadas a casar enquanto são adolescentes e obrigadas a cometer suicídio quando envelhecem. Uma distopia verdadeiramente chocante.


Edição em inglês
Suicide Club

Imortalidade

Rachel Heng

Outra distopia que aborda o suicídio, embora num contexto radicalmente diferente daquele a que estamos habituados. É que Imortalidade decorre num futuro onde os órgãos humanos são comprados e vendidos com a maior das facilidades e a tecnologia evoluiu ao ponto de a esperança média de vida rondar os 300 anos. O tempo de vida é tanto que há quem procure a morte – através de ilegais clubes de suicídio.


Amatka

Karin Tidbeck

A “novilíngua” de 1984 é um dos seus elementos mais marcantes – a ideia de que as palavras são veículos essenciais para a realidade e que, por isso, a comunicação deve ser controlada pelo Estado ao ponto de fazer alguém acreditar que 2 + 2 pode realmente ser 5 é uma ideia particularmente assustadora na era das notícias falsas. Karin Tidbeck pega neste mesmo conceito, o de controlar uma sociedade através das palavras, para desenvolver uma distopia aterradora.

Por: Tiago Matos

Gostou? Partilhe este artigo: