Dia D: O dia em que um poeta invadiu a Normandia

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Há 71 anos que a Normandia foi palco de uma das mais impressionantes invasões da História. Mas nem só de soldados se fez o Dia D. Também lá andou um poeta.

Na madrugada de 6 de junho de 1944, o capitão Keith Douglas desembarca na Normandia. A acompanhá-lo, uma armada composta por milhares de aviões e navios, transportando 160 mil soldados provenientes não só da sua Grã-Bretanha mas também dos Estados Unidos e Canadá.

Douglas partilha com os companheiros o desejo de surpreender os alemães e, a partir de Normandia, libertar a França – e consequentemente a Europa – da tirania do regime nazi, apressando o fim de uma guerra que já leva quase cinco anos. Será efetivamente isso que acontecerá, mas o jovem capitão não estará lá para o assistir. Em três dias estará morto.

Alistado no Exército com o objetivo de seguir as pisadas do pai, um condecorado militar reformado, Keith Douglas cedo descobriu que, mais do que a sede de combate, a guerra lhe aguçava a criatividade. Começou a escrever. Poesia, essencialmente, mas também prosa. Inspirando-se noutros autores de guerra, nomes como Wilfred Owen, Isaac Rosenberg ou Siegfried Sassoon, foi desenvolvendo as suas capacidades. Após a vitoriosa participação na batalha de El Alamein, no Egito, escreveu a memória Alamein to Zem Zem. Mas a guerra teima em não terminar, afastando-o da escrita.

Ao chegar a Normandia, o britânico sente-se pouco confiante. Não sabe que o seu desembarque é o resultado de uma longa e complexa campanha de contrainformação promovida pelos Aliados com o objetivo de confundir os alemães e fazê-los pensar que a invasão seria noutra região – Pas-de-Calais –, para que concentrassem lá as suas tropas. Não sabe que, apanhados de surpresa, os alemães serão dominados pelo maior exército alguma vez reunido num único dia de invasão. Também não sabe que vai morrer. Mas desconfia, como o provam alguns dos últimos poemas que escreveu.

Na manhã de 9 de junho, ao avançar com o seu regimento pela região francesa, Keith Douglas é atingido pelos estilhaços de um morteiro nazi e morre instantaneamente. Tinha 24 anos. Todos os seus poemas são posteriormente publicados e reverenciados pela crítica como demonstrativos de um talento “único” na literatura do seu tempo. Permanecem como principal recordação de que, numa guerra de homens loucos, também estiveram poetas.


Por: Tiago Matos

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