DC Comics vs. DC Extended Universe: o que preferes?

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O filme Aquaman chega aos cinemas com a difícil tarefa de justificar a continuidade do DC Extended Universe. Estás a torcer por ele ou interessam-te mais as aventuras ilustradas da DC Comics?

Um, dois, três, quatro, cinco, seis. Com a estreia de Aquaman nos cinemas, são já seis os filmes que fazem parte do universo cinematográfico a que nos habituámos a chamar DC Extended Universe. O conceito pode ser um pouco complicado para alguns. Afinal, não foram já produzidos muito mais do que seis filmes baseados em personagens da DC Comics? Porque contamos apenas um punhado deles e ignoramos, por exemplo, a trilogia O Cavaleiro das Trevas, de Christopher Nolan? Que lógica define o que é um universo cinematográfico e o que é uma mera série de filmes?

É simples: um universo cinematográfico é composto por filmes – e eventualmente também por séries televisivas, webseries, curtas-metragens, entre outros – que têm lugar numa única realidade e não se limitam a ser sequelas diretas ou spin-offs dos filmes anteriores.

No caso do DC Extended Universe, tudo começou com Homem de Aço, em 2013. Seguiram-se Batman v Super-Homem: O Despertar da Justiça (2016), Esquadrão Suicida (2016), Mulher-Maravilha (2017), Liga da Justiça (2017) e, já em 2018, Aquaman.

Estes seis filmes reuniram um investimento de 1,2 mil milhões de dólares e obtiveram um retorno de cerca de 4 mil milhões. Parecem, contudo, ainda não ter conseguido a aclamação da crítica, em particular quando comparados com os “rivais” do Universo Cinematográfico Marvel.

PORQUÊ AS CRÍTICAS AOS FILMES DO DC EXTENDED UNIVERSE?

Uma avaliação de 48% no Rotten Tomatoes e de 6,74 (em 10) no IMDb. É esta a atual média dos cinco primeiros filmes combinados do DC Extended Universe, substancialmente inferior à dos filmes do Universo Cinematográfico Marvel, que acumulam uma média de 84% no Rotten Tomatoes e de 7,5 no IMDb.

Isto não significa, evidentemente, que qualquer destes filmes da DC seja mau ou sequer medíocre. Devemos lembrar que a qualidade percebida de um filme é um conceito tão subjetivo que duas pessoas poderão com toda a justiça avaliar um único filme de formas completamente diferentes. No entanto, os fãs da banda desenhada da DC têm apontado alguns defeitos às narrativas cinematográficas quando comparadas com os comics.

Tomemos como exemplo o filme Batman v Super-Homem: O Despertar da Justiça, parcialmente baseado em duas das mais emblemáticas histórias alguma vez publicadas pela DC Comics: The Dark Knight Returns e The Death of Superman.

Logo nesta premissa somos levados à questão: fará sentido juntar duas histórias não relacionadas, cada uma das quais merecedora de uma longa-metragem, num único filme passado num universo ainda por desenvolver e apresentar? Isto favorece os problemas estruturais que o The Guardian procurou resumir num artigo e que não existem nos comics originais.

Acima de tudo, desencadeia erros na lógica interna dos personagens. Que motivação têm Batman e Super-Homem para combaterem? Como se justificam as ações de Lex Luthor ou Doomsday? E se assumirmos que o Batman do DC Extended Universe é um herói sombrio que não se abstém de matar, porque o vemos contrariar esse papel em Liga da Justiça?

Estes detalhes são percebidos por alguns fãs como falhas narrativas porque as ações dos personagens decorrem menos devido a fortes motivações internas e mais devido a uma necessidade externa de avançar o enredo de etapa para etapa. Por sua vez, na banda desenhada, por muitas discrepâncias de continuidade que possam por vezes existir, o foco encontra-se precisamente nos personagens. Regra geral, os heróis que tão bem conhecemos mantêm-se consistentes nos valores que lhes servem de base. A menos que o contexto exija diferenças, como na realidade paralela de The Dark Knight Returns.

O PAPEL DE AQUAMAN NO FUTURO DO DC EXTENDED UNIVERSE

É neste contexto de alguma desilusão por parte dos fãs da DC Comics que estreia a primeira longa-metragem baseada no herói Aquaman. E as exigências não podiam ser mais elevadas.

“Não é um segredo que este filme tem de justificar a manutenção da continuidade atual nos filmes da DC após a complicada aceitação de Homem de Aço, Batman v Super-Homem e Liga da Justiça”, escreve Scott Mendelson, da Forbes. “Se Aquaman dececionar a nível crítico e comercial será muito difícil justificar um futuro filme do Flash ou do Nightwing neste universo.” E acrescenta: “Aquaman tem essencialmente a missão de ‘salvar’ o Universo DC.”

É uma missão difícil especialmente se tivermos em conta que assenta num herói que, até hoje, nunca recebeu muito amor.

Aquaman surgiu pela primeira vez na edição número 73 da revista More Fun Comics, em 1941. Apresentado como um ser capaz de respirar debaixo de água e comunicar com criaturas subaquáticas, passou a década a combater nazis, à semelhança de outros super-heróis criados nos Estados Unidos. Ainda ganhou alguma popularidade quando se juntou à Liga da Justiça, mas desapareceu gradualmente do olhar do público até que, já no final dos anos 80, Robert Loren Fleming (primeiro) e Peter David (depois) o recuperaram com um novo estilo.

É neste “novo” Aquaman que se baseia o do DC Extended Universe, interpretado por Jason Momoa. E as primeiras críticas até parecem bem favoráveis.

Aquaman é o melhor filme da DC desde The Dark Knight”, escreveu Tom Jorgensen, do IGN. “Melhor do que o esperado. Parece um filme Marvel de primeira fase, no bom sentido”, disse Peter Sciretta, do Slashfilm. “Um Star Wars subaquático”, de acordo com o realizador Ben Mekler.

Poderá este ser o ponto de viragem do DC Extended Universe para uma nova fase, eventualmente mais descontraída e centrada nos personagens, como os comics?

Por: Tiago Matos

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