Autor do mês: Daniel Silva, o americano que trata os espiões por tu

Daniel Silva 

Naturalidade
Michigan, Estados Unidos

Data de nascimento
19 de dezembro de 1960

Primeiro livro publicado
Espião Improvável (1996)

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Imagina histórias de espiões de cada vez que lê as notícias. Escreveu sobre ataques terroristas em Paris e Londres antes de acontecerem. Antecipou a interferência russa na política ocidental. Não admira que tenha criado um dos espiões mais famosos do mundo. Queres saber mais sobre Daniel Silva? 

The-Kill-Artist
The Kill Artist

 

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The English Assassin

 

Principe-de-Fogo

Príncipe de Fogo

 

A-Viuva-Negra

A Viúva Negra

 

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Casa de Espiões

 

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The Other Woman

Daniel Silva nunca pensou em ter um personagem recorrente

Apesar de ter mais de 20 livros publicados, o protagonista de Daniel Silva é quase sempre o mesmo: Gabriel Allon é a estrela de 18 dos seus thrillers. No entanto, quando o criou em O Artista da Morte, Daniel Silva pensava apenas na história de um assassino (e restaurador de arte) israelita que é contratado para travar um ataque terrorista organizado por um grupo de palestinos. No final do livro, era suposto que navegasse rumo ao pôr do sol, sem destino certo. Ou assim pensava o autor.

Daniel Silva começou a escrever O Assassino Inglêso seu livro seguinte, sem Gabriel Allon, indo contra o que o seu editor lhe sugerira. Pensava que o crescente sentimento anti-Israel no mundo condenaria o personagem ao fracasso.

O escritor teve de ser convencido a escrever um segundo, um terceiro e até um sexto livro de Gabriel Allon! Depois de publicar Príncipe de Fogo, decidiu arrumar o personagem na gaveta. Já tinha 300 páginas escritas de um novo romance quando quebrou uma sua regra e revelou a um fã e a amigos que estava a escrever um livro com novos personagens. Ninguém se mostrou entusiasmado. Percebeu então que os leitores queriam continuar a acompanhar a história de Gabriel. E reintroduziu o espião israelita na narrativa.


Daniel Silva inspira a sua ficção na realidade política internacional

A frase é do próprio Daniel Silva: “Tornei-me jornalista para poder tornar-me romancista.” Foi no Cairo que começou a escrever um diário e a apontar ideias. Viveu no Egito e em Bahrain. Foi correspondente no Médio Oriente. Em 1987, visitou um grupo islâmico Jihad, mas antes de os entrevistar foi interrogado e atirado de um lance de escadas abaixo, passando posteriormente três horas a ouvir os membros contar como iriam destruir os Estados Unidos.

A atualidade e a política internacional são as principais fontes de inspiração dos thrillers de Daniel Silva. Ao ponto de o autor até preferir apelidar o género literário que escreve de “intriga internacional”.


Daniel Silva vai adaptar os seus thrillers à televisão

Depois do sucesso obtido pelo livro A Viúva Negra há dois anos, Daniel Silva conta ter sido inundado por propostas para adaptar a série à televisão e ao cinema. No entanto, só recentemente encontrou o parceiro ideal. No ano passado, os direitos de 17 dos seus thrillers foram vendidos à MGM. Daniel Silva preferiu adaptar a série à televisão por considerar que um filme de duas horas não faria jus às personagens. O autor e a sua mulher servirão como produtores executivos da série. E o ator Eric Bana tem sido um dos nomes mais pedidos pelos fãs para interpretar Gabriel Allon no pequeno ecrã.


Daniel Silva escreve um novo livro a cada sete meses

O autor tenta sempre viajar para os países onde decorrem as ações principais dos livros que escreve. Visitou Marrocos para escrever A Casa dos Espiões e, quando esteve em Moscovo, pôde conhecer a sede do KGB – o que o ajudou a escrever As Regras de Moscovo e The Other Woman.

Não viaja mais porque desde o Dia do Trabalhador até ao Dia das Mentiras está ocupado a escrever um livro. Passa, por isso, mais tempo no mundo dos espiões do que no mundo real. Diz inclusive que não sabe nada quando começa a escrever.

Dois terços do seu tempo são gastos nas primeiras 200 páginas do livro. Depois de escrever o primeiro terço é mais fácil: “Gabriel toma a história em mãos e acaba-a por mim.”


Daniel Silva tem recebido elogios de americanos anti-Rússia

Se todos os anos costuma sair um novo livro de Daniel Silva – normalmente na primeira quinzena de julho –, 2018 não foi exceção. The Other Woman traz Gabriel Allon de volta a Viena, uma cidade marcante em aventuras anteriores, e a partir daí os eventos desenrolam-se a uma velocidade alucinante, com o espião a ficar sob suspeita e, pela primeira vez, a ver as suas capacidades questionadas.

Curiosamente, o livro tem sido muito elogiado nos Estados Unidos por parte de quem exige uma posição mais forte do governo de Donald Trump contra a Rússia. Como o republicano Newt Gingrich, que partilhou vários tweets sobre a história, chegando mesmo a referir: “Se depois das acusações a agentes russos querem perceber melhor os ativos esforços da Rússia para prejudicar os Estados Unidos e os seus aliados, então leiam The Other Woman.”

+4 curiosidades rápidas sobre Daniel Silva

É filho de pais açorianos – ambos professores – que imigraram para o Michigan, onde Daniel Silva nasceu.
O seu livro preferido é O Grande Gatsby – o seu filho até tem o mesmo primeiro nome que o personagem Nick Carraway.

Entre os próprios livros, o seu favorito é Morte em Viena, já que o obrigou a horas de leituras de testemunhos de sobreviventes do Holocausto enquanto fazia a pesquisa necessária para o escrever.
Gabriel Allon recebeu o nome a partir do Arcanjo Gabriel. Daniel Silva queria que o israelita tivesse um nome bíblico quando o criou, numa altura em que se encetavam esforços para resolver o conflito israelo-palestino.
Por: Tatiana Trilho
Fotografia: Marco Grob

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