Daniel Goleman: pode a meditação ser um caminho para a cura?

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Daniel Goleman, criador do conceito de “inteligência emocional”, volta às estantes com o novo livro, Traços Alterados, desta vez em colaboração com o professor universitário e investigador em Psicologia e Psiquiatria, Richard J. Davidson. Um livro que pretende esclarecer como é que a meditação pode mudar a nossa vida mas, também, que mitos existem à sua volta.

Jornalista do New York Times durante 12 anos na área da ciência, Daniel Goleman publicou o livro Inteligência Emocional em 1995, mantendo-se durante mais de ano e meio na tabela de bestsellers do New York Times e dando o nome a um novo conceito, que entretanto se tornou global.

Essa temática e a da meditação têm sido as grandes âncoras do seu trabalho, tanto através dos livros que já publicou como das palestras que vai dando um pouco por todo o mundo. Foi para falar de inteligência emocional aplicada à realidade das atividades profissionais – onde podemos incluir a gestão das emoções, o autoconhecimento, a autogestão, a gestão de relacionamentos – que foi recentemente convidado para realizar duas intervenções na QSP Summit, no Porto.

É nesta área que Daniel Goleman tem desenvolvido a maior parte dos seus estudos, demonstrando que essa inteligência é, muitas vezes, mais importante do que a inteligência cognitiva (que se mede através do QI).

No entanto, o seu mais recente livro, Traços Alterados, cuja tradução para português foi publicada no passado mês de fevereiro, escrito em conjunto com Richard J. Davidson, trata a temática da meditação e do mindfulness através de uma perspetiva científica.


O leitor tem nas mãos o livro que sempre quisemos escrever, mas não podíamos. A ciência e os dados de que precisávamos para apoiar as nossas ideias só recentemente amadureceram. Agora que ambos atingiram uma massa crítica, estamos entusiasmados por podermos partilhá-lo. A nossa alegria deriva também do nosso sentimento de uma missão partilhada e significativa: pretendemos modificar o discurso com uma radical reinterpretação de quais são – e não são – os verdadeiros benefícios da meditação e de qual foi sempre o verdadeiro objetivo da sua prática.


OUTROS LIVROS DE
DANIEL GOLEMAN

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Um livro que marca o 80.º aniversário do Dalai Lama e onde se aborda a visão deste sobre o mundo atual e daquilo que tem de ser feito para conseguirmos um mundo melhor, através de um corte radical daquilo a que apelida de mistura de cinismo e interesses egoístas.

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Cada vez mais as empresas valorizam outros fatores para além dos conhecimentos académicos e experiência na área. As regras estão em mutação e o peso atribuído à forma como nos gerimos a nós próprios é cada vez maior na hora de escolher alguém para um emprego.

Em Traços Alterados aborda-se a forma como a meditação é hoje vista, um caminho para a cura de diversos males, desde a obesidade à falta de produtividade. Partindo dessa premissa, os autores do livro analisam de que forma a meditação nos pode realmente ajudar e como podemos aproveitá-la ao máximo.

Foi em 2002 que Richard J. Davidson iniciou uma série de testes neurocientíficos – que incluíam a medição das ondas cerebrais, vídeos 3D que permitiam analisar as zonas onde ocorre atividade cognitiva, etc. – de forma a verificar como é que a meditação altera as dinâmicas do nosso cérebro.

Para isso recorreu a um grupo de pessoas, entre as quais alguns monges iogues budistas, com um nível avançado de conhecimentos de meditação. Todas elas tinham completado pelo menos três anos de retiro contemplativo de tradição tibetana, o que incluía um período diário de pelo menos oito horas de meditação.

Esse estudo veio provar, através dos seus resultados, que os efeitos da meditação budista não são meramente momentâneos. Verificou-se que a prática da contemplação pode alterar traços no nosso cérebro com consequências que perduram no tempo.

Por exemplo, durante o mapeamento da atividade cerebral de um iogue budista constatou-se que o seu circuito cerebral relacionado com a empatia era cerca de 800 vezes maior, durante o período de meditação, do que noutra pessoa. Além disso, ele conseguia atingir o estado meditativo de forma quase instantânea.


No início da prática contemplativa, pouco ou nada parece mudar em nós. Após uma prática continuada, notamos algumas mudanças  na nossa maneira de ser, mas aparecem e desaparecem. Finalmente, quando a prática se estabiliza, as mudanças são constantes e permanentes, sem flutuação. São traços alterados.


Concluiu-se assim que a meditação avançada não é apenas o alcançar de um estado de espírito em determinado momento, mas que está intimamente relacionada com o aumento da destreza mental e dos níveis de concentração, da capacidade de gerar sentimentos de compaixão e de entrar nestes estádios mentais (de meditação) com uma maior facilidade e rapidez.

Daniel Goleman dá, depois, o salto seguinte: à ideia generalizada de que a meditação pode funcionar enquanto cura, ele responde que, historicamente, esse nunca foi o objetivo daquela prática.

De facto, as alterações produzidas pela contemplação não são só mentais, elas ocorrem também a nível biológico, mas isso verifica-se em estádios que apenas se atingem ao fim de milhares de horas de meditação. Durante os estudos realizados verificou-se que, em alguns casos, o ritmo respiratório diminui e, quando se experimentam processos intensos de contemplação, o sistema imunitário pode mesmo melhorar.

A meditação enquanto prática continuada dá-nos ferramentas duradouras – os tais traços alterados – que nos permitem ter um maior controlo sobre os nossos sentimentos e emoções e, esse sim, deve ser o foco principal. Estas ferramentas podem ajudar-nos a atenuar os níveis de stresse do dia a dia e ter consequências para a nossa saúde, ao reduzir o risco de contrairmos doenças como o diabetes ou a hipertensão.


Por: Susana Delgado

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