Crime: Livros baseados em casos reais

livros-baseados-em-historias-reais

É um dos géneros que mais tem crescido em popularidade nos últimos anos, mas os livros baseados em crimes reais já existem há bastante tempo. Descubra alguns dos principais exemplos.

A realidade pode, por vezes, ser tão apaixonante como a ficção. Terá sido isto que Edgar Allan Poe pensou ao basear-se num verdadeiro assassinato para escrever O Mistério de Marie Rogêt, sequela de Os Crimes da Rua Morgue (ambos incluídos na antologia Todos os Contos). Estavam dados os primeiros passos de um género que, no entanto, só em 1966, mais de um século depois de Marie Rogêt, conheceria a sua obra mais emblemática: A Sangue Frio, de Truman Capote. Inspirado pelo homicídio de uma família de Kansas, o excêntrico autor americano lançou-se ao terreno, investigou o caso por conta própria e entrevistou os presumíveis assassinos na prisão. Destes relatos – misturados com um ou outro pormenor mais “fictício” – nasceu aquele que se mantém, ainda hoje, como um dos principais clássicos da literatura criminal.

Crimes para investigar

Muitos autores se seguem a Poe e Capote, deixando-se inspirar pelas macabras notícias que leem nos jornais. A maioria opta por fazer um relato relativamente fiel dos acontecimentos, o que obriga a extenuantes investigações que nem sempre terminam bem. Quando Douglas Preston e Mario Spezi pesquisavam sobre um célebre serial killer italiano para a escrita de O Monstro de Florença, foram acusados de serem potenciais cúmplices dos assassinatos. Para evitar este tipo de problemas, os autores preferem, por vezes, focar-se em crimes que se situem longe das suas próprias realidades. No multipremiado Últimos Ritos, por exemplo, a australiana Hannah Kent centra a narrativa em Agnes Magnúsdóttir, uma mulher condenada à morte por homicídio e vítima da última execução pública na Islândia, em 1829.

Crimes como ponto de partida

Existem também os autores que apenas assumem como base as histórias verídicas, partindo destas para a ficção. Em A Dália Negra, James Ellroy combina detalhes do verdadeiro homicídio de uma americana chamada Elizabeth Short com uma narrativa fictícia que envolve os agentes que investigam o caso. Emma Donoghue, por sua vez, deixa-se inspirar pelo mediático caso de Josef Fritzl, o austríaco que manteve a filha presa numa cave durante 24 anos, para escrever O Quarto de Jack, narrado pelo filho de cinco anos de uma jovem numa situação muito semelhante. Stephen King vai ainda mais longe, combinando extensivos detalhes (reais) sobre o célebre assassinato de John Fitzgerald Kennedy com ficção científica e viagens pelo tempo, em 22/11/63.

Crimes na própria pessoa

Por vezes, os livros sobre crimes reais são escritos pelos próprios intervenientes, e isto acontece quer eles sejam vítimas ou criminosos. Alice Sebold, por exemplo, encontra-se no primeiro grupo, fazendo de Sorte, a sua obra de estreia, quase uma espécie de desabafo literário sobre a violação de que foi alvo quando era jovem. Jordan Belfort, por outro lado, pertence ao grupo dos infratores, relatando ao pormenor, em O Lobo de Wall Street, os inúmeros crimes de corrupção e manipulação que cometeu enquanto trabalhou como corretor no mercado bolsista de Wall Street. Resta saber o que ficou por dizer, apenas mais um exemplo de um género diversificado no qual a fronteira entre a realidade e a ficção é, apesar de tudo, sempre uma incógnita.

 


Por: Tiago Matos

 

Gostou? Partilhe este artigo: