Comer e Beber com Filipe Melo e Juan Cavia

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Comer/Beber é o sexto livro nascido da parceria entre o autor português Filipe Melo e o ilustrador argentino Juan Cavia.

Não, Filipe Melo e Juan Cavia não se juntaram para criar um livro de receitas.

E, no entanto, o novo livro da dupla responsável por Dog Mendonça e PizzaBoy e Os Vampiros assenta numa tarte de maçã e numa garrafa de champanhe. O título reflete precisamente estes elementos, mas “a refeição completa”, como escreve Carlos Vaz Marques no prefácio, “é-nos servida por dois cozinheiros exímios na arte de alimentarem a nossa fome de histórias”. Em banda desenhada. Comer/Beber serve-nos duas: “Majowski” e “Sleepwalk”.

Majowski

O primeiro conto do livro é baseado num acontecimento real, recolhido do diário pessoal de Beatrice Schilling, mãe de Nadia, uma amiga de Filipe Melo. É a história de Franciszek Majowski, um polaco que, em 1943, gere um restaurante em Berlim.

“Já ouviu as novidades, Majowski?”, diz-lhe um dia um soldado nazi que folheia um jornal, sentado numa das mesas do seu restaurante. “Bombardeámos Varsóvia.” Logo a seguir, acena a um dos empregados: “Ei, tu! Traz a vossa melhor garrafa de champanhe!”

Só que Majowski tem outra ideia para a garrafa. E, na assustadora incerteza da Segunda Guerra Mundial, é esta que se sobrepõe a eventuais medos.

Sleepwalk

A segunda história de Comer/Beber transporta-nos para um tempo e um espaço completamente distintos: Arizona, nos Estados Unidos, em 1984.

Lloyd Jenkins, a nível visual um típico oficial do Texas, com o seu bigode farfalhudo e chapéu de abas largas, encontra-se numa missão muito particular: levar consigo um pedaço da tarte de maçã – a melhor tarte de maçã do país, dizem alguns – feita por uma cozinheira negra chamada Dolores. Acontece que Dolores deixou há anos de fazer a dita tarte. E que a missão de Lloyd também não é tão inocente quanto começa por aparentar.

“Sleepwalk” é uma história com um desfecho tão impressionante quanto enternecedor. E, em jeito de brinde, Filipe Melo encerra Comer/Beber com… uma receita de tarte de maçã. A da sua mãe, que por sua vez aprendeu com a mãe dela, e por aí fora.

Comer/Beber

Dois contos e pouco mais de 70 páginas podem, à primeira vista, parecer pouco para quem tem ansiado por novidades de Filipe Melo e Juan Cavia. Mas não é. As histórias aqui incluídas, embora curtas, são marcantes ao ponto de permanecem connosco muito após a leitura. O autor português e o ilustrador argentino parecem, por isso, manter a perfeita sintonia de que falavam à Estante por ocasião da publicação de Os Vampiros. Nascidos a partir de um pedido da revista Granta, os contos que compõem Comer/Beber resultam, de facto, numa refeição bastante completa.


Por: Tiago Matos

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