Com o Humor Não se Brinca: manual para fazer piadas (à séria)

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Em Com o Humor Não se Brinca, Nelson Nunes faz-se valer da sua experiência como jornalista e, ao longo das várias entrevistas com muitos humoristas, conta-nos a estória do humor moderno em Portugal.

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Na introdução ao livro, Nelson Nunes escreve que “quem não lida bem com piadas acredita que o riso é sinónimo de gozo”. O autor sentiu que ainda não havia um verdadeiro livro que falasse sobre o humor feito em Portugal e partiu para a escrita tentando encontrar respostas para algumas questões que considerava essenciais: o humor tem limites? Existem temas proibidos? Os humoristas tem orientações político-partidárias? As piadas devem ter consciência social?

O que é uma boa piada?

O sucesso de uma piada resume-se a quê? É simples: “A fazer rir”, diz Nelson Nunes. A maior dificuldade reside então no “como” fazer rir. No livro Com o Humor Não se Brinca, o autor procura compreender a essência do “como” em todas as entrevistas que leva a cabo, mas nem sempre a resposta é taxativa: depende do público, depende da situação, depende do humorista, depende do ambiente. “A possibilidade de caminhos a seguir é praticamente infinita: há grandes piadas sobre flatulência, assim como há grandes piadas sobre as relações episcopais nos corredores do Vaticano”, conclui Nelson.

Como se avalia um bom humorista?

Fazendo ligação com a resposta anterior, para Nelson “um bom humorista é aquele que faz rir, consistente e efusivamente”. Existem, claro, gosto diferentes, e o conceito de bom humorista difere consoante o gosto de background de cada um. Aliás, no livro, o autor faz uma seleção pessoal daqueles que, na sua opinião, serão os “próximos heróis da gargalhada” em Portugal. Nelson assumiu o risco de listar os nomes e, em entrevista à Estante, ironiza: “Afinal de contas, é a democracia que nos dá essa maravilha que é poder escolher os humoristas de quem mais gostamos.”

A Internet mudou a comédia nacional?

A Internet e o impacto cada vez maior das redes sociais nas nossas vidas contribuíram também para a divulgação do humor em Portugal. “Nos dias que correm, é muito mais fácil estarmos perto dos humoristas de que gostamos e, em simultâneo, descobrir outros”, explica Nelson. Além disso, e nas palavras do autor, “a Internet passou a ser um tubo de ensaio para testar o que resulta ou não resulta junto de determinados públicos”. Por último, a Internet permitiu a democratização do acesso ao público, aumentando exponencialmente, segundo Nelson, a existência de uma concorrência. Para o autor, isto faz aumentar o nível de qualidade das piadas. Para que não haja mesmo dúvidas: “A vida está para o humor como as redes sociais estão para as peças de sushi e os gatinhos: uma nunca sobreviveria sem a outra.”


O MUNDO DO HUMOR

Escolhemos algumas das frases de humoristas, retiradas do Com o Humor não se Brinca. Para memória futura.

Nuno Markl

O papel do humorista é dizer piadas boas e fazer rir, deve ser essa a prioridade. Mas se alguém vem para este ofício numa de idealista, então é melhor não ir para a comédia. É melhor fundar um movimento ou tornar-se um cantor de intervenção.


Joana Marques

[O humor é] uma forma muito rápida de criares empatia com alguém ou quebrares barreiras que, de outra forma, seria intransponíveis.


Ricardo Araújo Pereira

O meu trabalho consiste em fazer rir as pessoas, e o riso tem muito má reputação. (…) Não há nenhum motivo para uma pessoa que se ri ser menos ajuizada do que as outras, mas o riso tem má reputação, às vezes até entre humoristas, o que me deixa perplexo por acharem que têm de fazer mais do que só fazer rir.


Bruno Nogueira

Não percebo como é que há quem diga que não se brinca com uma doença terminal. É claro que brinca! É precisamente por aquela doença ser uma coisa que tu não podes controlar que a única arma que tens para resistir àquela situação trágica é o humor. De outra forma, é insuportável lidar com o que quer que seja.


Herman José

O humor é uma coisa inata e um interessantíssimo descompressor para as angústias.


Por: Catarina Sousa

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