Colson Whitehead: “A Estrada Subterrânea é um livro que acontece uma vez na vida”

Colson Whitehead conversou com a Estante sobre A Estrada Subterrânea, livro que lhe valeu o Prémio Pulitzer de Ficção 2017. O autor americano criticou ainda as políticas de Donald Trump, partilhou histórias de escravatura e… recordou David Bowie.

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Colson Whitehead tem 47 anos e vive em Nova Iorque. Com A Estrada Subterrânea ganhou o Prémio Pulitzer de Ficção 2017, o National Book Award, o Indies Choice Book Award e a Andrew Carnegie Medal of Excellence.

Escreveu cinco romances antes de A Estrada Subterrânea. Ao longo desses anos já pensava em escrever sobre escravatura?

É uma parte tão importante da história americana que esteve sempre ali, pronta para que eu lhe pegasse. Por isso sim, estive sempre a pensar em escrever sobre escravatura, embora seja um tema gigante para um escritor negro.

Porque demorou tanto tempo a enfrentá-lo?

Tive a ideia para o livro no ano 2000 e parecia-me, em termos de estrutura, muito complicado. Eu não era um escritor bom o suficiente para conseguir fazê-lo. Tinha 30 anos, era o típico preguiçoso da geração X, e achei que não conseguia tratar o assunto com a seriedade que ele merecia. Por isso estive sempre a adiar.

Há três anos apercebi-me de que estava a adiar há demasiado tempo. Pensei que, talvez, esse livro difícil e assustador que eu não sabia se conseguia escrever era aquele que eu devia estar a escrever.

O livro foi elogiado por Barack Obama e Oprah Winfrey. Entre muitos outros prémios, ganhou este ano o Pulitzer de ficção. Qual foi a sua reação a tudo isto?

Foi algo crescente. Quando lancei a ideia ao meu editor e agente, eles apoiaram-me. Depois falei com outras pessoas da indústria editorial e foram tão entusiastas que eu soube, desde cedo, que tinha conseguido fazer algo diferente. E depois recebemos a reação da Oprah, do Obama, e todos os prémios têm feito parte de um ano e meio maravilhoso, em que as pessoas têm realmente percebido aquilo que tentei fazer com a história.

Mas imagino que ganhar o prémio Pulitzer tenha mudado a sua vida. Tem sido uma montanha-russa?

De certa forma sim. Quer dizer, normalmente acordava às quatro da manhã cheio de ansiedade e pavor. Agora acordo às quatro da manhã e penso: “Não é assim tão mau.” Por isso estou bastante mais bem-disposto do que habitualmente. E claro que este é um livro que acontece uma vez na vida.


Perceber com a minha sensibilidade de adulto, e não a de um estudante de história na faculdade, a verdadeira brutalidade do sistema da escravatura foi emocionalmente desgastante.


Durante quanto tempo trabalhou neste livro?

Durante um ano. Assim que decidi avançar, fiz três meses de pesquisa e escrevi durante nove.

Mas como foi o processo? Calculo que tenha lido muitos livros e registos históricos.
Fui essencialmente às fontes primárias: a narrativas de escravos escritas por escravos que conseguiram escapar. Alguns deles famosos, como Frederick Douglass ou Harriet Jacobs, que menciono nos agradecimentos – [Harriet] escreveu sobre o flagelo das mulheres escravas e foi parcialmente por isso que decidi ter uma mulher como protagonista [Cora].

E depois, nos anos 30, durante a Grande Depressão, o governo dos Estados Unidos contratou escritores para entrevistar antigos escravos sobre as suas histórias de vida, de forma a preservá-las antes de eles morrerem. Por isso, recorri a muitas histórias que não se encontram nos livros de história oficiais, mas que me permitiram obter muitos detalhes como os sapatos de madeira ou as relações mestre-escravo. Coisas que, espero eu, ajudam a tornar o livro mais realista.

É verdade que, inicialmente, Cora era para ser um homem?

Sim, comecei por pensar num homem que estaria à procura dos seus familiares.

O que o levou a mudar o género do protagonista?

Várias razões. Ainda não tinha explorado a dinâmica de uma relação mãe-filha num livro. Além disso, tive várias narrativas protagonizadas por homens de seguida e não quis fazer a mesma porcaria vezes sem conta. E depois também ajudou o facto de ter lido Harriet Jacobs, que escreveu sobre quando uma rapariga escrava que se torna mulher e, de repente, dá-se uma forma muito mais terrível de escravatura, porque é suposto que ela tenha bebés, e mais bebés significam mais escravos, e mais escravos significam mais dinheiro. É diferente daquilo que enfrentam os homens escravos. Pareceu-me importante explorar isso.

Viu filmes ou documentários sobre escravatura?

Nem por isso. Quer dizer, quando era miúdo vi a série Roots [baseada no livro de Alex Haley, de 1976] e, quando já estava com um terço do livro escrito, decidi ver o filme 12 Anos Escravo [baseado no livro de Solomon Northup]. Tinha estado a adiar, mas acabou por ser demasiado violento para mim. Nem acabei de o ver. Conseguia escrever sobre isso todos os dias, mas não consegui ver os atores a passar por aquilo.

Diria que foi emocionalmente desgastante escrever este livro?

Escrever propriamente, não. Mas fazer pesquisa e encontrar aquele material, perceber com a minha sensibilidade de adulto, e não a de um miúdo a ver Roots ou a de um estudante de história na faculdade, a verdadeira brutalidade do sistema da escravatura, isso sim, foi.

Quando ficamos mais velhos começamos a valorizar mais o que temos e percebemos melhor o que custa passar por uma coisa dessas. Por isso, o mais difícil foi preparar-me para escrever e aperceber-me daquilo que eu teria de obrigar a Cora a viver. E até personagens menores.

Mas, assim que comecei a escrever, fazia-o muitas vezes até às 15h30 e depois ia preparar comida para a minha família. Mantive as coisas muito separadas.


Estive sempre receoso de que o livro não estivesse a resultar.


Disse ao New York Times que reler o livro Cem Anos de Solidão o ajudou com este livro. Em que sentido?

Sim, ajudou-me a encontrar a narrativa certa. Li-o quando estava na escola secundária e depois reli-o antes de começar a escrever este livro, e pareceu-me que aquele tipo de realismo mágico, que mistura o real e o fantástico, seria uma boa voz para o meu livro.

Sabe que acontecem muitas coisas estranhas nesta história, brinquei com diferentes períodos da história – por exemplo, a Carolina do Sul não é a verdadeira Carolina do Sul, a Carolina do Norte representa um exagero das leis raciais –, mas pareceu-me que apresentar todas essas mudanças com seriedade serviria o livro. Da mesma forma que Gabriel García Márquez apresenta um certo efeito fantástico, mas descreve-o de maneira muito factual. Pareceu-me ser uma boa técnica para este livro.

Teve medo de não conseguir fazer justiça àquilo que os escravos realmente passaram?

Sim, quer dizer, estive sempre receoso de que o livro não estivesse a resultar ou de que não estivesse a conseguir concretizar as minhas intenções. Por isso é que com o primeiro estado, Geórgia, queria que fosse o mais realista possível e apresentasse o sistema da escravatura como ele realmente era antes de começar a brincar demasiado com os factos. Senti a obrigação de tornar Geórgia realista antes de avançar para estados mais fantasiados.

Decidiu logo no início que a estrada subterrânea seria um comboio completamente funcional [a verdadeira estrada subterrânea do século XIX correspondia a uma rede de passagens secretas e abrigos para os escravos em fuga]?

Sim, na verdade foi assim que nasceu o livro. Pensei: “E se fosse um comboio verdadeiro?” A maioria das crianças, quando ouve pela primeira vez a história da estrada subterrânea, é isso que imagina. Por isso peguei nessa imagem de infância e pensei que tipo de história poderia retirar daí.

Não apenas neste livro, mas também em The Intuitionist e John Henry Days, encontramos vários elementos de maquinaria e ferro. É algo que o fascina?

É um pouco estranho, porque nesses dois livros as máquinas servem como uma metáfora. Como escritor, estou sempre a tentar encontrar diferentes metáforas e diferentes maneiras de falar sobre o mundo: peguei em elevadores para falar da ascensão social e racial [em The Intuitionist], fiz uma comparação entre a conetividade dos caminhos-de-ferro e a conetividade da era da Internet [em John Henry Days]. Já com A Estrada Subterrânea não perdi assim tanto tempo a falar dos caminhos-de-ferro, são apenas uma forma de levar a Cora de sítio para sítio. 

Existem bastantes livros e filmes sobre escravatura. Acha que são suficientes? Acha que as pessoas compreendem completamente o que se passou nesse período?

Comparativamente a filmes sobre a Segunda Guerra Mundial, não são assim tantos [risos]. Mas agora parece que há mais só porque antigamente havia muito poucos. Nos últimos anos, muitos jovens artistas têm estado a escrever sobre isso e existem tantas histórias que ainda não foram contadas, seja sobre Harriet Tubman, que trabalhou na verdadeira estrada subterrânea, ou Frederick Douglass, um escravo em fuga que acabou por se tornar uma grande figura política nos Estados Unidos. Parece que, à medida do tempo, e com cada vez mais artistas afro-americanos a entrar no mainstream, há mais histórias para contar.


Sempre tivemos muitos racistas, muitas pessoas que odeiam mulheres, que odeiam o outro. Não é que Trump tenha inventado essas pessoas, mas abriu-lhes caminho para expressarem as suas ansiedades e ódios.


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Existem vestígios de escravatura na sua família?

Se fores afro-americano, provavelmente és descendente de escravos. Eu sabia que a minha avó vinha de Barbados, que era um estado com escravatura, mas não sabia muito mais sobre a história da minha família. Só que, desde que o livro saiu, já tive vários tios meus a dizer: “Ah, não conhecias esta parte da tua história?”

Eu não sabia muito, mas várias pessoas têm estado a informar-me sobre, por exemplo, o tio Colson que estava em Petersburg, no estado de Virgínia, que trabalhou num hotel e conseguiu escapar da escravatura nos anos de 1850.

Então as histórias é que estão a vir ter consigo.

Sim [risos].

Mas enquanto escrevia o livro não sentiu vontade de descobrir mais sobre a história da sua família?

Não. Nunca tive muito interesse, porque os meus pais também não tinham. Mas agora é muito popular traçar os nossos antepassados e há pessoas que têm feito esse trabalho por mim.

Acha que o racismo que descreve tão intensamente neste livro ainda está presente hoje em dia?

Com certeza. A América ainda é muito racista. Elegeu um presidente branco e supremacista que acredita que os brancos são superiores e que trabalha para retirar os direitos das pessoas de cor. De forma mais direta, o modo como a patrulha de escravos capturou pessoas negras livres nas ruas é um paralelo com a autoridade branca de hoje em dia, com os casos de brutalidade policial. Por isso, muitos dos sistemas que apoiavam a escravatura ainda existem hoje em dia de formas distintas, seja através da privação do direito eleitoral ou da falta de dedicação a bairros negros – as escolas são terríveis, há muito crime e não há um sistema de educação financiado. A América era muito racista no ano 1850 e continua a ser.

Os Estados Unidos estão a regredir com as políticas de Donald Trump?

Acho parcialmente que sim, mas depois penso que todas as pessoas que votaram no Trump estavam lá para o Obama, sabe? Sempre tivemos muitos racistas, muitas pessoas que odeiam mulheres, que odeiam os outros – sejam mexicanos, muçulmanos ou negros. Por isso não é que o Trump tenha inventado essas pessoas, mas abriu-lhes caminho para expressarem as suas ansiedades e ódios.

Se nos focarmos no drama de Cora, que escapou e se escondeu de quem a perseguia, conseguimos também relacionar a sua história com o que acontece hoje em dia, por exemplo, na Coreia do Norte. Vê no livro essa capacidade de nos fazer pensar sobre problemas da atualidade?

Sim, mas não apenas agora e na Coreia do Norte. Ao longo da história têm havido tantos colonizadores e colonizados… A dinâmica de poder de que este livro fala espelha-se em diferentes culturas, séculos e milénios.

Há, por exemplo, quem relacione a resistência polaca contra os nazis com os abolicionistas e os trabalhadores da estrada subterrânea. Tal como há uma ligação entre os judeus que se esconderam dos nazis e tentaram chegar a um lugar seguro e a história de Cora. 

Tal como Anne Frank, por exemplo.

Exato. A dinâmica de poder tem sido tão importante na história da humanidade que o que é descrito neste livro não é específico para a escravatura na América. É para tudo.


Cresci a adorar terror e ficção científica. Quando era miúdo parecia-me que ser escritor e inventar histórias esquisitas seria uma boa profissão.


A Estrada Subterrânea vai ser adaptado à televisão. Quão envolvido estará no projeto?

Não estarei, de todo. Agora o livro é deles para interpretarem. Da mesma forma que é dos leitores. Já tive algumas conversas com o Barry Jenkins, realizador do Moonlight [vencedor do Óscar de Melhor Filme este ano], e ele é muito inteligente e tem ótimas ideias. Veremos.

Já escreveu tanta coisa diferente – um romance sobre zombies, um romance sobre escravatura, outro sobre póquer… Não se vê como um tipo específico de escritor?

Eu tenho muitos interesses. Quando era jogador de póquer amador tive a oportunidade de escrever sobre o Campeonato do Mundo de Póquer e fi-lo [The Noble Hustle]. Cresci a adorar terror e ficção científica, por isso o meu livro Zone One é uma saudação a tudo aquilo que me fez querer ser escritor. Tornei-me escritor por causa de banda desenhada como X-Men e de autores como Stephen King. Por isso, para mim, contar diferentes tipos de histórias permite-me continuar com energia e interesse. Não vou fazer a mesma coisa vezes sem conta. Se já sei como construir determinado tipo de personagem e contar determinado tipo de história, qual é o objetivo de fazê-lo novamente?

E quando se apercebeu de que queria viver da escrita?

Tinha talvez 10 ou 11 anos. Lia todas as bandas desenhadas da Marvel e lembro-me de estar muito entusiasmado com The Twilight Zone [famosa série televisiva transmitida nos anos 60 nos Estados Unidos] e com filmes de ficção científica dos anos 70. Por isso, quando era miúdo, parecia-me que ser escritor e inventar histórias esquisitas seria uma boa profissão.

O que faz um bom livro, na sua opinião?

Acho que alguns livros têm a ver com a voz e com os enredos. Gosto de um bom policial, de um bom filme de ficção, e há tantas coisas diferentes que as pessoas retiram dos livros. Às vezes leio para aprender sobre o mundo, para aprender sobre mim mesmo, e outras vezes só quero algo que me permita escapar.

Qual foi o último livro que leu e o que achou dele?

A Amiga Genial, de Elena Ferrante. Achei muito bom. Fiz download dos quatro livros da saga para o meu Kindle e agora estou a ler o segundo. Mas como é tudo um só ficheiro, às vezes não sei onde vou ou em que livro vou, fico a flutuar em duas mil palavras de Elena Ferrante. Mas é um bom mundo para se estar.

Disse que, neste livro, trabalhava normalmente até às 15h30. Mas tem de facto uma rotina de escrita ou vai variando?

Entre as 10h30 e as 15h30 consigo escrever entre uma a três páginas e o objetivo, para mim, é escrever oito páginas por semana. Escrevo, por exemplo, às segundas, terças, sábados e domingos. Dá muito trabalho escrever um romance, mas se fizer oito páginas por semana, ao fim de um ano são cerca de 400 páginas. E isso é um livro. Por isso não tenho propriamente uma rotina. Se tiver uma consulta no médico ao meio-dia penso logo: “Agora não vale a pena começar a escrever.”

Precisa de estar no espírito certo.

Sim, exatamente [risos]. Quatro dias por semana e oito páginas parece-me bem.


Não vou superar A Estrada Subterrânea.


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Qual é a pior parte de ser escritor?

Encontrar tempo para escrever. Quando era freelancer [para o jornal nova-iorquino Village Voice] escrevia mais artigos numa determinada altura para depois conseguir tirar alguns dias para trabalhar num livro. E agora tenho a hipoteca para pagar e tenho filhos, por isso dou três aulas numa universidade por semestre e depois tiro nove meses para escrever.

Agora, com o lançamento do livro, tive de encontrar um equilíbrio entre viajar para fazer promoção e escrever. Mas esta é a minha última viagem durante algum tempo, vou estar em casa [Nova Iorque] de novembro até fevereiro, por isso vou voltar ao trabalho.

É verdade que os seus filhos contribuíram, de certa forma, para o motivar a escrever A Estrada Subterrânea?

Sim, mas não temos de ter filhos para sentirmos empatia com um tema destes. Só que aperceber-me do que seria ver os meus filhos a serem espancados ou vendidos… Quando somos mais velhos sabemos mais sobre a vida e eu apliquei esse conhecimento no meu trabalho.

E agora como planeia superar A Estrada Subterrânea?

Não vou superar [risos]. Mas tento sempre fazer o melhor que posso com cada livro e mudo muito de género literário – por isso estou sempre a perder e a ganhar leitores.

Escrevi o Sag Harbour, que é uma história muito realista, depois esses leitores não gostaram de zombies [Zone One] e de póquer [The Noble Hustle] e não leram os próximos livros.

Agora este livro parece ser mais acessível a mais pessoas. Por isso estou muito habituado a ver pessoas a ir e a vir. Vou tentando apenas fazer o melhor que posso.

Mas já está a trabalhar num novo livro?

Comecei na primavera, mas depois parei para viajar para promover este livro. Daqui a duas semanas vou retomá-lo.

Que título daria a um livro sobre a sua vida?

I do this, I do that. Acho que diz tudo [risos].

No final do livro encontramos agradecimentos a David Bowie, Prince e Sonic Youth. O que os torna tão importantes para si?

Cresci numa grande cidade, tal como Lisboa. Sabe como estamos sempre a ouvir uma sirene ou carros a apitar? Então habituei-me, quando era miúdo, a fazer os trabalhos de casa com barulho e comecei a pôr música a tocar muito alto. Agora tenho uma playlist que inclui desde The Clash a Ella Fitzgerald, Misfits ou David Bowie, e em todos eles encontro inspiração. Fazem-me companhia enquanto escrevo.

Quando o Bowie morreu [a 10 de janeiro de 2016] pensei: “Devia colocá-lo nos agradecimentos.” Entretanto escrevi os agradecimentos e depois o Prince morreu e pensei: “Serei o anjo da morte? Devo parar de agradecer às pessoas?” Tenham atenção, Sonic Youth [risos].

O que acontece é que retiro inspiração de filmes, livros e músicas, por isso gosto de agradecer a esse pessoal.


Por: Carolina Morais
Fotografia: Bruno Colaço/4SEE

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